domingo, outubro 31, 2010

MADtv: The O.J Simpson Trial




Hoje cheguei a casa e sem saber bem porque lembrei-me de rever alguns sketchs da MADtv. Para os que não sabem, MADtv é um programa de comédia, inspirado na revista MAD, criada nos anos 50. O humor presente nesta revista era/é satírico representado na forma de banda-desenhada. É considerada um dos grandes milestones da cultura americana, tendo merecido a sua adaptação num formato televisivo. O estilo humorista é semelhante em muitos aspectos ao praticado pelo célebre Saturday Night Live... aliás, a  meu ver, sempre os vi muito "taco-a-taco" pois sou fã de ambos os seus estilos de comédia. Contudo, no que toca à formação de actores o SNL tem sido claramente predominante tanto em termos de quantidade como qualidade. Também em termos de programa têm sido bastante mais regular, visto que a MADtv nos tempos que correm, desilude bastante! Não só pelo fraco cast, mas também pelo "material", longe do bom nível que nos habituaram noutros tempos. 
 Seja como for, podemos sempre contar com o material antigo, ainda disponível em grandes quantidades no Youtube

Ora, um dos meus sketchs favoritos remonta para a primeira season de MADtv e é sobre o julgamento mediático de O.J Simpson (que inclusive teve direito a transmissão televisiva, sendo um dos programas com maior audiência da história do país), algo que continua a levantar bastante polémica nos Estados Unidos. Para os que não sabem, O.J, antiga estrela de futebol americano e actor, foi acusado pelo homicídio da sua mulher juntamente com um "amigo". O que torna este caso tão polémico (segundo dizem) é que as todas provas indicavam O.J como culpado, no entanto, este conseguiu sair ilibado. É mesmo com isso que este sketch faz paródia.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que vi isto! Ri-me às gargalhadas com o Orlando Jones (actor responsável por personificar O.J) ao ponto de ficar cansado! Obviamente reencaminhei este "tesourinho" para muitos dos meus amigos, mas não tive a oportunidade de fazer este tipo de divulgação visto que não havia disponível no Youtube.

Infelizmente não me é possível colocar o vídeo incorporado aqui no blog, portanto façam-me o favor de aceder ao link para irem directos à pagina.


(link) 


sexta-feira, outubro 29, 2010

The Conversation (1974)



The Conversation (1974) é um filme escrito e realizado por Francis Ford Coppola que conta com Gene Hackman enquanto protagonista.  A personagem de Hackman é um perito em vigilância (the best there is), excessivamente cauteloso ao ponto de ser paranóico. Segue um código de conduta que impõe determinadas regras tanto no âmbito profissional como pessoal, visto que na sua linha de trabalho ambas estão intrinsecamente ligadas.
Depois de executada a sua ultima missão, Hackman acaba por ir contra as suas próprias normas, deixando-se envolver no caso... onde não só procurou obter mais informação mas como também intervém. 
Conduzido pela sua experiência e instinto, realiza que as aparências (ou neste caso "conversas") iludem, consequentemente entrando numa luta com a sua consciência que o incentiva a ir ao fundo da questão, apenas para fazer uma série de descobertas com as quais não contava...



Argumento brilhante e ainda bastante actual escrito por Coppola, que depois deste sucesso ficou anos sem escrever até o recentemente lançado Tetro (2009). Contudo, pelo meio ficaram outras das suas aclamadas obras, casos das duas restantes partes da trilogia Godfather, bem como Apocalypse Now, The Outsiders ou Rumble Fish. Mais adiante na sua carreira seguiu-se uma fase representativa do seu maior declínio, onde durante anos deixou de fazer jus ao nome que tinha criado para si durante a década de 70 e inicio da década de 80. 
Tendo eu tido o privilégio de assistir a uma palestra por parte deste grande ícone do cinema, naturalmente discuti com algumas pessoas o seu percurso enquanto cineasta. A minha mãe, também ela grande apreciadora de cinema, disse logo que Coppola teria-se "vendido" de forma a conseguir sustentar os seus "vícios". Dizem que era de tal forma "ganancioso", que abdicou da componente artística que regia a sua vida, para realizar "tudo e mais alguma coisa" a troco de grandes quantias de dinheiro. Enfim... isto só para vos contextualizar um pouco... voltando a The Conversation.


Além de Hackman contamos com John Cazale (actor nomeado por duas vezes, com apenas 5 filmes em 6 anos de carreira. Todos os 6 obras de topo !! Godfather I, Godfather II, The Conversation, Dog Day Afternoon e  The Deer Hunter), Harrison Ford e Robert Duvall num pequeno, mas significativo, papel!
O filme foi distinguido com a Palme D'Or no Festival de Cannes e ainda nomeado para três Oscars nas categorias de Best Picture, Sound e Writing Original Screenplay.
Em 1995 foi seleccionado para preservação na National Film Registry por parte da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, pela sua relevância "cultural, histórica e estética". Acho que isso resume a importância desta longa-metragem...

Nota: Enquanto apreciador de Jazz, deu-me um enorme prazer ver o Gene Hackman fazer-se passar por músico nos seus tempos livres. Várias foram as cenas onde se encontrava agarrado ao saxofone em plenas jam sessions no seu apartamento...

quinta-feira, outubro 28, 2010

After Glow


by: Foals
retirado do super álbum - Total Life Forever (2010)


I know I could not last very long at all
Without you here to break my fall
I know I could not stand alone for very long
Without you there to take my coat
'Cause you were better than whatever came before
Before you ran out and left me on the 100th floor

Get out and go and find everyone who cared for you
They won't be there to see you tomorrow
Get out, don't forget everything you cared for
For it won't be nothing more tomorrow

No, I could not do the things I did before
Leave you waiting there by that open door
You were better than whatever came before
Without you here and my heart broken to the core

Get out and go and find everyone who cared for you
They won't be there to see you tomorrow
Get out, don't forget everything you cared for
For it won't be nothing more tomorrow

No, I could not stand to be alone for long
There's something missing in the ever after glow
You were better than whatever came before
Without you here to save me, to save me from the dark

Get out, and go and find everyone who cared for you
They won't be there to see you tomorrow
Get out, don't forget everything you cared for
For it won't be nothing more tomorrow

quarta-feira, outubro 27, 2010

The Color Purple (1985)




The Color Purple (1985) é a adaptação de uma obra literária com o mesmo nome, escrita por Alice Walker. Não posso dizer que conhecia o livro ou o seu impacto na sociedade e "mundo das letras", pois apenas ouvira falar deste enquanto filme. 

Sabia que contava com Whoopi Goldberg, Oprah Winfrey e Danny Glover . Sabia também que abordava o racismo numa época que não sabia bem remeter (parvo e mal informado como sou pensei para mim: "tempo dos escravos") e que tinha sido uma obra muito bem recebida pela critica. Sabia também que contava com a assinatura de um grande mestre do cinema, Steven Spielberg, numa altura onde este dava os primeiros passos fora do mundo dos blockbusters, por onde teve sucesso durante muitos anos. 
O filme encontrava-se à muito pendente e tendo eu mais que tempo livre hoje, decidi dar as 2h30m de atenção! E como valeu a pena!

O filme toma lugar no sul dos Estados Unidos entre o inicio até metade do século XX e conta a história de Celie, uma mulher afro-americana. Desde cedo a vida lhe foi madrasta... Acompanhamos a sua transformação de criança para mulher e pelo caminho testemunhamos os variadíssimos eventos que ocorrem. O parto dos seus filhos e eventual separação destes, o seu casamento com um homem odioso (Danny Glover), a busca incessante pela irmã de que foi forçosamente separada, a chegada de duas personagens femininas que para sempre mudariam a sua vida, entre outros acontecimentos...
Ao longo dos anos (traduzidos na acção muito bem delineada pelo Sr. Spielberg) denotamos a presença vincada de pobreza, racismo e sexismo. Confesso que sempre que pensava no "negro oprimido", imaginava um homem branco como principal responsável. Tão cego fiquei pelos habituais estereótipos que a "História" criou, que já não imaginava ver este tipo de tratamento entre pessoas que sempre foram tomadas em conta como uma unidade, principalmente em tempos de inserção e afirmação na sociedade norte-americana. Acredito também que o filme trata sobre a emancipação da mulher (principalmente a negra) e também redenção! Mantenham em mente que não estamos só a acompanhar a evolução das personagens, mas também a evolução histórica do País, e como tal, deu-me a mim particular interesse ver uma personagem como Sofia, mulher com ideais, muita raça e coragem, maravilhosamente personificada por Oprah Winfrey, num papel que lhe valeu a nomeação para Oscar. E já que mencionei Danny Glover e Oprah, não posso deixar de mencionar Whoopi Goldberg enquanto Celie (de jovem a adulta) e Margaret Avery no papel de Shug Avery. Ambas reconhecidas com uma nomeação por parte da Academia, são do melhor que esta longa-metragem têm para oferecer. Principalmente Whoopi por quem tenho muito respeito. Durante anos tomei-a principalmente por comediante, pois nunca tivera oportunidade de ver Ghost (1990) e The Color Purple, mas sempre ouvira falar das suas capacidades enquanto actriz dramática. 

Há momentos que marcam (muitos dos quais acompanhados pela banda-sonora orquestrada pelo lendário Quincy Jones) e que gostaria de vos contar, juntamente com a minha interpretação... mas por não querer adiantar informação em demasia, peço-vos que vejam este filme. Tenho noção que 90% dos casos de posts sobre filmes que aqui escrevo é para incentivar a sua visualização, contudo, não tenho problemas em afirmar que este é um colosso na minha lista de filmes predilectos. Certo que escrevo isto "ainda a quente", mas estou certo que só fico "assim altamente impressionado" quando se trata mesmo de um filme deste calibre. Tenho o cuidado em não confundir um "filme "marcante" com um "bom filme"... mas aqui trata-se de ambos! É uma espécie de conto-de-fadas, que dentro dos seus momentos de tristeza, horror e sofrimento, oferece amor que a ninguém é indiferente! Acima de tudo, é mesmo sobre isso que o filme trata... a vida, amor, compaixão, sacrifício e luta!

Sou um miúdo de "coração mole", mas garanto que é preciso ser-se de "pedra" para não se deixar tocar por esta obra-prima... Fui completamente "atropelado por uma avalanche" de diferentes sentimentos e sensações!
 Peço-vos que se ponham à experiência!


SuperBock em Stock 2010 - Cartaz Completo


Cartaz COMPLETO --> Aqui!

An Education (2009)

  

I feel old... but not very wise...
(Carey Mulligan as Jenny Mellor)

Mais uma adaptação de um livro de Nick Horsby, autor inglês conhecido por obras (agora mediáticas) como About a Boy e High Fidelity - ambas adaptadas para o cinema (High Fidelity mereceu inclusive um comentário neste blog).

An Education (2009), filme realizado pela dinamarquesa Lone Scherfig, decorre em Londres no ano 1961 e conta a história de Jenny Mellor (Carey Mulligan), uma jovem inglesa, filha de um pai bastante rígido (Alfred Molina) e uma mãe (Cara Seymour) que, embora pouco participativa, procura ser o ponto de equilíbrio. O estilo de educação tutelada pela personagem de Molina é assente em valores e costumes tradicionais, com esperança que tal educação se traduza no sucesso académico/profissional. Ao longo do filme apercebemos-nos que a implementação de medidas não se deve a uma questão de "herança familiar", mas como protecção de um investimento, ou seja, as suas decisões são acima de tudo influenciadas não pelo seu critério pessoal, mas antes por um critério no qual acredita que apresentará melhores resultados.  Jenny, apesar de ser boa aluna, de gozar de um estatuto favorável junto dos professores e de ter as suas amigas, encontra-se oprimida e sufocada durante maior parte do tempo. Uso com cuidado a afirmação "maior parte do tempo" porque existem alturas do dia onde a sua mente e alma viajam através da literatura e música para os mais ínfimos locais, principalmente para França, país que lhe fascina imensamente (inúmeras referencias ao longo de todo o filme denunciam isso). Um dia, após as suas aulas de violoncelo (hobby pelo qual nutre grande amor, mas o seu tempo de prática é altamente condicionado pelo Pai que não vê música como uma prioridade) conhece David Goldman (Peter Sarsgaard), um playboy de charme e elegância que rapidamente cativa a jovem Jenny.

Formado na "escola da vida" (ou seja, sem o tipo de educação a que Jenny tem acesso) David é, apesar de tudo, um homem culto que traz encanto e sabedoria à vida da nossa protagonista. Mas não só! Pouco a pouco começa a proporcionar-lhe os sonhos e experiências que tanto ansiava. Uma vida de glamour, recheada de música (jazz e clássica são os géneros predominantes) , festas, viagens, pessoas e ambientes com toques de burlesco. Por entre estas suas andanças, Jenny deixa-se corromper. Apresenta um declínio acentuado na sua prestação na escola, perde interesse nas pessoas da sua idade, pactua em mentiras e esquemas para levar a vida que quer, entrando mais tarde em conflitos com o seu pai (memorável - para mim - a cena em que Molina fala através da porta com Carey Mulligan). Descobertas serão feitas, lições de vida aprendidas, transformações ocorrerão... enfim...

Quero salientar a prestação de todo o elenco, desde a super-talentosa Mulligan, Sarsgaard até a Dominic Cooper, Emma Thompson e Sally Hawkins (que tem muito pouco "tempo de antena").
Os diálogos são muitos bons e tudo aponta para que a adaptação do livro tenha sido bem efectuada.
Os cenários e guarda-roupa foram algumas das coisas que me agradaram bastante nesta longa-metragem, bem como a banda-sonora (onde predominam temas de Serge Gainsbourg, Mel Tormé, Ray Charles, e outros associados ao jazz e música francesa).

As suas nomeações para a cerimónia dos Oscars (entre outros) justificam-se, estando eu inteiramente convencido que foi um dos melhores de 2009!
Recomendo!

terça-feira, outubro 26, 2010

domingo, outubro 24, 2010

Creed




Hoje deu-me para recordar alguns dos meus temas favoritos desta banda que é: Creed

Foi provavelmente no final dos anos 90 que fui "apresentado" a este grupo norte-americano, através do seu single: Higher (e não With Arms Wide Open como tinha escrito previamente). Na altura era um grande sucesso, passando com regularidade na rádio e televisão! 
Confesso que não sou um profundo conhecedor dos seus trabalhos... aliás... o meu grau de conhecimento resume-se às músicas que aqui vos vou deixar. Não obstante disso, são temas que me dão imenso prazer recordar, até porque despontam memórias dos meus tempos enquanto adolescente! (acho que nunca cheguei a sair desta fase)

Embora possamos classificar a sua música como Hard-Rock, esta é bastante mais acessível de se ouvir dado os arranjos que lhe conferem uma sonoridade mais comercial. Poderão constatar isso nos seguintes temas que aqui vos deixo...

(entretanto peço desculpa pelos videos com "letras"... era completamente escusado, mas não tive paciência para procurar versões dessas mesmas músicas)










sábado, outubro 23, 2010

Brooklyn's Finest (2010) | The Other Guys (2010)



Mais dois filmes que vi recentemente, e que para bem ou para mal, gostaria de partilhar com vocês a minha opinião.

Relativamente ao primeiro, Brooklyn's Finest (2010), trata-te de mais um trabalho do realizador Antoine Fuqua, mais conhecido pela sua grande (e única) obra-prima, Training Day (2001). Desde o lançamento desse filme épico em 2001, que olho para Fuqua com alguma admiração... admiração essa que cedo se desvaneceu, apenas sobrevivendo o respeito que lhe mantenho por esse seu grande filme... contudo, não perdi esperança e atempadamente aguardo o dia em que nos apresente outro projecto que carregue todo o esplendor que Training Day nos trouxe na altura e que ainda perdura!

Achei mesmo que esse dia viria com Brooklyn's Finest. É um policial que parecia manter o mesmo registo sério e escuro da vida dos criminosos e defensores da lei, desta nas ruas de Nova-Iorque. O elenco é forte, sendo naturalmente um ponto-chave do filme. Richard Gere, Ethan Hawke, Don Cheadle e Wesley Snipes... Quatro bons actores que se unificam através de três histórias, que decorrem de forma paralela, tendo obviamente uma ligação que com o decorrer da acção torna-se cada vez mais forte!
Saliento dos quatro actores mencionados, o Wesley Snipes. Não que se tenham evidenciado mais que os outros pela sua prestação, mas pelo simples facto que este é o seu regresso à grande tela depois de uma longa ausência por diversos problemas de ordem pessoal (que inevitavelmente acabam sempre por entrar em conflito com a sua vida profissional). Snipes, que já desempenhou variadíssimos papeis, fosse para representar herói ou vilão, em filmes dramáticos, cómicos ou de acção, é alguém que gosto de ver a trabalhar! Como tal, não podia perder esta oportunidade de o ver de regresso ao meio onde pertence! Isto para dizer que ainda não tinha começado a ver o filme e já partia com "pontos a favor"! O filme lá deu inicio, as personagens iam sendo apresentadas e exploradas, a linha narrativa ia decorrendo e eu estava entretido... mas não estava maravilhado! Longe disso! Eventualmente fui-me apercebendo que na tentativa de fazerem um filme invulgar, fizeram exactamente o aposto! Procurei ser flexível com o argumento e realização, tendo como principal incentivo o nível de representação que estava a testemunhar... mas quem estava eu a enganar? Não estava especialmente encantado (de forma alguma posso dizer que tenha sido mau... but i have seen better days). Talvez um pouco duro com Brooklyn's Finest (admito que talvez de frustrado esteja a "descarregar") quero apelar que vejam o filme e tirem as vossas conclusões... nem que seja para ver estes quatro belíssimos actores contracenarem juntos! E se gostam do Wesley Snipes, então aí é obrigatório! Atentem neste último comentário... o filme é... vá... entre o razoável/bom... mas não era o que eu esperava! Ou melhor... não era ... o que eu queria!


O segundo filme, vi ontem no cinema. The Other Guys (2010), é uma comédia realizada por Adam McKay que volta a reunir-se com Will Ferrel depois de já terem colaborado por três vezes (Anchorman, Talladega Nights e Step Brothers). Além de Ferrel contamos ainda com Mark Wahlberg num filme que relata a história de dois policias completamente ofuscados por uma dupla de agentes que mais parecem vedetas de Hollywood! Dwayne "The Rock" Johnson e Samuel L. Jackson são essa dupla respectivamente, que têm uma breve, mas importante participação no filme. São eles que marcam o padrão pelo qual todos os agentes da autoridade se regem. São o exemplo a seguir! Mas isto, de uma forma satirizada! Completamente "bazófias", estas personagens que dominam o ambiente por onde passeiam e onde são sempre o centro das atenções, ilustram o estereotipo típico de policias heróis nos filmes de acção feitos ainda hoje! Salvam sempre o dia, safam-se sempre de situações impossíveis (explosões, tiros à queima-roupa, enfim... tudo o que seja considerado "morte certa"), "sacam" as mulheres mais giras (para não usar outro termo) e ainda têm tempo para serem alvo de homenagens sentidas por parte da cidade, que sofra ou não prejuízos, venera-os!
A personagem de Ferrel está bastante acomodada ao "trabalho de secretária" enquanto Wahlberg anseia pelo seu regresso às ruas, que não acontece por falta de iniciativa do seu parceiro, mas também por um incidente que basicamente o confinou a aquela esquadra. Eventualmente com o afastamento dos policias superstars, abre-se uma vaga para os novos heróis da cidade e como seria de esperar os "outros" (como são intitulados) acabam por a preencher.

Com diálogos hilariantes, algumas cenas surreais e uma boa química entre os protagonistas... temos em The Other Guys uma comédia que acerta na forma como satiriza os buddy cop movies, que hoje em dia já goza do seu próprio genre no cinema.

Recomendo! Certamente fará o serão dos apreciadores do género!




sexta-feira, outubro 22, 2010

Tou numa de partilhar este clássico hoje !


Depósito de Inúteis (2010)



Saiu recentemente uma colectanea  musical com vários temas de autoria de bandas pertecentes à editora Amor Fúria!

Nessa colectanea constam grupos como: Os Golpes, Os Velhos, Quais, Verão Azul, Smix Smox Smux, entre outros, sendo por isso "Depósito de Inúteis", um trabalho representativo da "nova onda" de música portuguesa (especialmente focada no "Roque") que atesta a qualidade e potencial dos nossos artistas!

Esta iniciativa está ligada ao projecto Optimus Discos que disponibiliza os albuns em formato mp3 de forma gratuita...



Para fazer o download (legal), bem como ter acesso a informação referente ao making deste disco,  visitem o site!

quinta-feira, outubro 21, 2010

Como é que ninguém se lembra de os trazer a Portugal?




Palavras para quê?! 
Adoro este grupo! Adoro os dois álbuns! 
... e fico-me por aqui! 

  (aguardo ansiosamente que algum "génio" os consiga trazer a Portugal...)












PES 2011 - Jogo e SOUNDTRACK



Ontem joguei pela primeira vez o Pro Evolution Soccer 2011! Como grande maioria dos PES, a tendência é eu odiar a nova versão até me inteirar com as suas alterações! É que até eu me habituar ao jogo, é enervante a quantidade de passes falhados, bolas perdidas ou remates disparatados que faço ao longo dos "90 minutos". Este 2011 então é escandaloso! Quase que se torna hábito afirmar que detesto o jogo... Mas cautela! Já vos falo de lição aprendida, no sentido em que tenho plena noção de que com tempo, irei certamente o adorar (não fosse ele o meu "vídeo-jogo" predilecto).

Uma coisa pelo qual o PES tem claramente mostrado grandes melhorias, é a sua banda-sonora. Outrora "irritante e inconsequente", o "filho prodígio da Konami" tem adoptado outra estratégia relativamente às composições sonoras eleitas para marcar presença nos "tempos parados de menus".

No PES 2010 podíamos contar com artistas/grupos como: Kasabian, Ocean Colour Scene, David Holmes, The Black Kids, Stereophonics, Delphic, Kaiser Chiefs, Klaxons, Keane, Guillemots e os The Courteneers (este último grupo então, foi-me apresentado pelo jogo e tendo me levado à loucura - como aqui demonstrado no blog)

Na edição "deste ano" temos: Crystal Castles, Fever Ray, Passion Pit, Phoenix, The XX, Vampire Weekend e Temper Trap com Sweet Disposition, uma das minhas all time favorites.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Youth in Revolt (2010)



A obra conta a história de Nick Twisp (Michael Cera), um rapaz de 16 anos, introvertido por natureza com um conjunto de interesses cultivados fora do comum para alguém da sua idade. Intelectual e forte apreciador de grandes mestres da música e cinema, Nick é um peixe fora d'água quando comparado às pessoas que lhe rodeiam (a começar pela sua família disfuncional). 

O seu padrasto - um completo idiota, desempenhado por Zach Galifanakis - por dever dinheiro a um grupo de marinheiros, decide levar mãe (sua namorada) e (respectivo) filho para uma viagem até Oakland onde diz ter uma "casa" de férias. Pouco depois de chegarem, Nick conhece uma rapariga chamada Sheeni (Portia Doubleday em muito bom plano), que muda por completo a sua vida. Ela é gira, inteligente, diferente do que ele está acostumado... e dá-lhe conversa! Naturalmente, Nick fica encantadissimo e com o tempo (apesar de ela na altura estar comprometida) os dois acabam por desenvolver um romance. Entretanto surge um contratempo que exige o regresso de Nick a casa, no entanto, ambos decidem continuar a relação, engendrando pelo meio um plano para que o seu amor não sofra com isso! Estes planos requerem de Nick uma total mudança de atitude, que este está disposto a adoptar! Este rapaz pacato e tímido, para se transformar num bad boy, em ordem de levar os seus planos avante, cria um alter-ego chamado François Dillinger. De bigode, voz "profunda", olhos azuis e atitude transfigurada, Nick/François acelera a acção do filme, que acaba por ganhar outros contornos. Não quero com isto dizer que subitamente o filme melhora quando na verdade, do inicio ao fim é um trabalho regular e divertidissimo!

Com um elenco liderado pelo realizador Miguel Arteta, temos em Michael Cera a representação da figura central.
Cera, que para mim encaixa no perfil de uma linha de actores que desempenham rapazes nerds/tímidos/inseguros, mas ao seu estilo cool e carismáticos - como já nos habituamos a ver Adam Brody (Seth Cohen) ou Jesse Einseberg (The Squid and The Whale, Zombieland ou Adventureland) - está fantástico e bastante convincente na sua personificação de rebeldia! Há detalhes deliciosos, que como é óbvio, não me cabe a mim mencionar para não estragar a visualização desta obra!

Contem ainda ver (além dos já mencionados) nomes como Ray Liotta, Steve Buscemi e Justin Long... 

Recomendo vivamente esta comédia, que se destaca não só pela prestação de Cera mas também pelo humor negro e refrescante presente em cada cena, bem como a sua capacidade de  provocar no espectador a reflexão sobre alturas da nossa vida onde gostaríamos de ter a nossa própria criação do "François" para tomar rédeas de determinadas situações!

terça-feira, outubro 19, 2010

Superball



Machete (2010)



Finalmente! Depois de muita espera, vi o (por mim) tão aguardado Machete (2010)! 

Incapaz de aguentar mais de um mês para o ver nas salas de cinema, assim que o tive nas minhas mãos não perdi tempo! Os que não fazem ideia do "porquê" para tanto hype à volta deste filme podem ler aqui uma explicação mais detalhada do "conceito" por detrás desta longa-metragem. Caso não tenham paciência para tal, digo-vos apenas que este trabalho ganhou "corpo" graças a um trailer fictício muito popular, integrado no projecto Grindhouse de Tarantino/Rodriguez. Esse trailer conta com Danny Trejo, que em Machete têm o seu primeiro papel enquanto protagonista, o que só por si é um prémio pela sua vasta carreira, sempre na sombra de nomes conhecidos (principalmente no "ramo" de acção).

Em Machete temos a continuação de uma homenagem prestada no projecto Grindhouse aos filmes de "categoria B", tendo sido explorados detalhes mais técnicos como o som/imagem, passando pelo grau de representação e diálogos forçados (com os melhores clichés que existem) e pelas cenas excessivas de acção (que de tão ridículas que são - propositadamente - são divertidas de se ver) e mulheres nuas! No fundo é uma sátira, muito como o filme Black Dynamite (2009) - que tanto gosto de falar - onde a diferença é que "BD" aborda os filmes denominados como black exploitation (ex. Shaft) dos anos 70!

Algo que para mim é fantástico relativamente ao making deste filme, é a criação de um elenco que mistura estilos variados assentes em diferentes categorias e estatuto. Numa narrativa liderada por Danny Trejo, seguem-se actores como Steven Seagal, Robert De Niro, Jessica Alba, Michelle Rodriguez, Jeff Fahey (adoro este gajo!!), Don Johnson (Miami Vice), Lindsay Lohan, Cheech Marin... Um ensemble cast disposto a fazer um filme recheado de absurdidades que o tornam num projecto muito bem executado. 

Deixem-se levar pela fantasia e os seus exageros propositados, que apenas servem para evocar um estilo cinematográfico, que embora tenha caído em desuso com  tempo, ainda é praticado! E aqui Robert Rodriguez presta-lhe a sua devida homenagem!

Deixo a premissa para o trailer que se segue, mas quero salientar que para melhor compreensão, por favor leiam o meu post sobre a ideia por detrás do filme Machete!



sábado, outubro 16, 2010

The Town (2010)


Mesmo com expectativas bem altas, o filme conseguiu surpreender. O meu top 5 2010 começa-se a compor, sendo este um candidato à posição nº1! Muito bem realizado, bem representado (elenco de luxo... Ben Affleck, Jeremy Renner e Chris Cooper enormes), diálogos excelentes, sempre com um ritmo elevado, provocante, intrigante... uma cena de outro mundo!

Entretanto (isto para os que me conhecem) deixem-me só que vos esfregue na cara o seguinte:

Nunca... mas NUNCA duvidei da (imensa) qualidade do Ben Affleck enquanto actor! Reconheço que a sua carreira oscilou entre o péssimo/médio/bom, mas a verdade é que sempre lhe reconheci o talento! E se enquanto actor lhe dei imenso crédito, então como realizador faço uma vénia! Aqui prova que Gone Baby Gone (2007) não foi acidental, mas antes um produto da sua veia artística por detrás da câmara que para já lhe confere (potencialmente) um lugar entre os grandes film makers de Hollywood! (Hate to say i told you so...)

Posto isto, deixo aqui algumas das criticas que li sobre esta obra de arte!

As a director, Affleck now has two home runs in two at-bats. This is one of the best movies of the year.
 (Richard Roeper)

Ben Affleck has a good brain for filmmaking -- he's clearly a smart and avid student of the medium -- but the elements that make his second outing as a director, The Town, such an enjoyable and exciting movie have more to do with what's in his heart.
  (Mary F. Poals - Time Magazine)

The Town is an exciting and extremely well acted film.
 (Lou Lumenick - New York Post) 
 
Ben Affleck, 38, kicks it up a notch with The Town, a gripping human drama disguised as a blazing heist film that comes on like gangbusters.
 (Peter Travers - Rolling Stone) 

Here is a well-made crime procedural, and audiences are likely to enjoy it at that level, but perhaps the mechanics of movie crime got in the way of Affleck's higher ambitions.
(Roger Ebert - Chicago Sun-Times) 

The Town is part of a career turnaround so amazing that he looks like the new Clint Eastwood. Seriously. 
(Caryn James - Newsweek) 

sexta-feira, outubro 15, 2010

Eat, Pray, Love (2010) | Get Him To The Greek (2010)




















Aqui vos apresento, dois dos últimos filmes que vi em tempos recentes (se não contarmos com The Town que acabei de ver agora mesmo no cinema). Não escrevi nada antes por preguiça confesso, mas também porque andei ocupado com outros assuntos, digamos mais prioritários! 
Embora haja uma diferença de tempo entre as alturas que vi estas longas-metragens representadas pelos seus respectivos cartazes, achei que seria de maior eficácia meter os dois no mesmo "saco". Então aqui vai:

Eat, Pray, Love (2010) é uma adaptação de uma obra com o mesmo nome, escrita por Elizabeth Gilbert, protagonista da sua própria história. Aliás, a obra em si é uma espécie de diário que relata eventos que a conduziram à sua transformação espiritual numa altura onde atravessava uma grave crise existencial.
O livro é um best-seller, sem surpresa pelas boas criticas que recebeu. A adaptação torna-se portanto adequada, até porque o conteúdo apresenta qualidades que lhe permitem uma transformação cinematográfica.

O realizador Ryan Murphy, um nome ainda sem peso em Hollywood, orquestra a longa-metragem com Julia Roberts no papel principal, secundada por um elenco composto por Viola Davis, Billy Crudup, James Franco, Javier Bardem e Richard Jenkins.
In a nutshell acho que o filme é um produto descartável, no sentido em que depois de visto é facilmente dispensável. É previsível, do mais banal que há e não fosse ele baseado numa história verídica acho que perderia maior parte do interesse. Nem o elenco fantástico o consegue salvar. Mesmo assim ainda há ali qualquer coisa que mexe... Naturalmente este é o típico filme que vai agradar mais a audiência feminina, mas mais do que ser considerado um chick flick, é um filme para quem procura rejuvenescer a sua alma. O filme, dentro dos seus próprios defeitos e limitações, consegue mesmo assim evocar no espectador a vontade em dar um rumo diferente à sua vida... Incentiva a tomada de riscos, a aventura e espontaneidade! But that's just far as it goes...


Get Him To The Greek (2010) é uma comédia realizada por Nicholas Stoller, responsável pelo filme Forgetting Sarah Marshall (2008) com que este filme se encontra relacionado por ser spin-off da personagem Aldous Snow, rocker excêntrico que primeiro apareceu em Forgetting Sarah Marshall. Aquando da demonstração de intenções em fazer esta sequela/spin-off, achei que tinha tudo para dar certo, pois Aldous Snow, brilhantemente desempenhado por Russell Brand (numa perspectiva "cómica"), é uma personagem de enorme potencial que devidamente explorada facilmente se tornará um sucesso.

O filme anda à volta da já mencionada estrela de rock Aldous Snow (a meu ver, uma sátira do Pete Doherty) que depois de um álbum e single fracassado, procura voltar ao topo com um concerto que marca o décimo aniversário do seu ultimo grande evento no Greek Theather. Aliás, esta iniciativa é primeiro tomada por uma produtora discográfica que procura "agitar o mercado". Certo e sabido, para que haja o twist deste filme, Aldous, por toda a sua personalidade e forma de estar é completamente louco e imprevisível, sendo por isso necessário haver alguém encarregue de  certificar que chega a tempo e horas ao Greek. Para tal tarefa temos o actor Jonah Hill, que executa uma personagem totalmente diferente da que vimos no primeiro filme, mas nem por isso menos hilariante!

Pelo meio... muitas participações especiais à mistura com sexo, drogas e rock n roll ! Uma boa comédia para se ver em grupo...


quinta-feira, outubro 14, 2010

Back to The Future - 25 Anos





Inquestionavelmente (na minha opinião) um dos melhores filmes de todos os tempos (pelo estatuto que aufere, pela criatividade, influencia cinematográfica e capacidade de permanecer um trabalho de culto "actual depois de tantos anos, entre outras virtudes), Back to The Future celebra o seu vigésimo quinto aniversário em grande estilo. Produzido por Steven Spielberg e realizado por Robert Zemeckis, BTTF permanece como um dos grandes milestones da história do cinema.

Nos Scream Awards deste ano, é prestada uma homenagem com a reprodução do teaser (inspirado no de então da época), desta com o envelhecido Michael J. Fox, actor carismático que protagonizou o papel principal de Marty McFly. 


Vocês não imaginam a alegria que é para mim ver este ícone do cinema/tv no ecrã, seja enquanto angariador de fundos para as suas causas (alguns de vocês devem saber que M.J Fox abandonou a sua carreira enquanto actor por ter a doença de Parkinson), seja para fazer um cameo num filme ou aparecer num anuncio...
Recordem este belíssimo actor, revendo alguns dos seus trabalhos... vão ao YouTube ver anúncios e entrevistas e deixem-se cativar por um actor que a meu ver será sempre recordado como uma figura intemporal...



Imagino o que seria caso tivesse permanecido no activo...

Vejam aqui o site onde apanhei o artigo juntamente com os teasers (o original e o de homenagem)

"Conversas Jazzisticas"


Ontem desloquei-me ao bairro alto para uma noite com os meus amigos! A noite evocava "classe e glamour", não fosse o International Suit Up Day, inspirado nessa grande personagem televisiva que é o Barney Stintson. Foi engraçado deparar-nos com algumas pessoas que igualmente decidiram vestir-se a preceito para tal ocasião. Aliás, o número de seguidores era tal forma surpreendente que já parecia uma convenção de nerds ao melhor estilo de Star Trek ou Star Wars (como alguém muito bem apontou). Por entre a caminhada sem destino, aqui os voyeurs decidiram parar num bar de Jazz chamado Páginas Tantas, que mesmo antes me chamara a atenção pela música e decoração! Não resisti e pedi ao pessoal para lá ir! Ao entrarmos, contemplei com curiosidade as figuras e festivais que por aquela parede pairavam... De Charlie Parker, por Dizzy Gillespie e Miles Davis... havia de tudo um pouco... mas foram os cartazes do "Festival Cascais Jazz" que me cativaram! Isto porque é um festival (que por sinal é dos mais emblemáticos não só da nossa história, mas num panorama global) organizado pelo Luís Villas-Boas em parceria com o meu Pai! Quis obviamente falar com o proprietário desse espaço, não só para me dar a conhecer enquanto filho do produtor Duarte Mendonça e cantora Maria Viana, mas também para ouvir histórias desses anos 70, tão fortes nos elencos de músicos ilustres!
Junto ao balcão ficámos com uma conversa que deambulou entre o festival na época, o de agora... passando pelo amor do meu Pai à música e os sacrifícios que fizera por "ela"! Ainda houve tempo para falar da audiência jovem de hoje, das minhas intenções para o futuro, num contexto ligado ao mundo do Jazz... enfim...

Pela noite que foi ontem, repleta de interesse e "magia", presto aqui a minha homenagem, solicitando aos leitores deste blog que dediquem o dia aos seus heróis do jazz. Se não os têm... procurem! Por aí não faltam!

(este primeiro vídeo é ÉPICO... those were the days)



quarta-feira, outubro 13, 2010

"A Queda de Murdock"

Os que me conhecem sabem que sou apreciador de bandas-desenhada! Embora nos dias que correm não seja propriamente um leitor assíduo, continuo a manter uma ligação forte com algumas personagens que ainda sigo. Esse "seguimento" tem surgido  através do cinema que, como todos nós sabemos, tem apostado cada vez mais neste sector, contudo, de tempo em tempo faço pesquisa e deparo-me com artigos de algum interesse. Assim aconteceu com o texto que se segue, que surgiu inesperadamente durante um dia de trabalho. A personagem em foco é o Matt Murdock ou Daredevil como muitos de vocês provavelmente já ouviram falar.



A par de Watchmen e o Cavaleiro das Trevas postos à venda no mesmo ano de 1986, existe uma outra maravilhosa obra da banda desenhada norte-americana com o nome “A Queda de Murdock”.
Também ela um projecto saído de uma das melhores duplas de sempre neste campo, Miller e Mazzuchelli, “A Queda de Murdock” foi a melhor peça escrita e desenhada para alguns dos menos interessantes heróis desse género.

O Demolidor, um super-herói cego mas com todos os outros sentidos elevados a níveis sobre-humanos por um acidente com lixos radioactivos enquanto criança, alguém que supostamente por isso não teria medo. Miller foi por outro caminho.
A figura principal dessa história é o advogado cego Matt Murdock e não, como seria natural, o seu alter-ego Demolidor (Daredevil) mas o que realmente é de recordar nessa obra é que o super-herói está praticamente ausente até ao último capítulo.

A história explica-se em poucas linhas; Uma ex-namorada do advogado Matt Murdock, viciada em droga vende a sua identidade secreta em troca de uma dose, essa informação atravessa o país até chegar às mãos do Kingpin, o chefe da maior organização criminosa da nação americana e este, metódica e friamente, destrói a reputação, a vida e por fim a sanidade do advogado culminando numa tentativa de assassinato. Note-se que em nenhuma altura existe a menor vontade em denunciar a identidade do advogado, a ideia é destruir o homem atrás do mito.

Ao longo de páginas magistralmente desenhadas, Mazzuchelli fê-lo num estilo que era muito diferente para a época e que era fortemente influenciado pelo cinema negro e com forte realismo, Frank Miller vai descrevendo a lenta e inexorável destruição de um homem normal e cujos defeitos são cada vez mais evidentes. A sua ex-namorada era afinal mais uma baixa na vida de um advogado de sucesso sem tempo e disposição para se preocupar com os que lhe estão próximos, que quebra facilmente quando se vê privado dos confortos de uma boa casa, dinheiro no banco e amizade incondicional.

Outro dos elementos originais para a época é que os personagens secundários carregam boa parte da história, a ex-namorada e estrela acabada de filmes pornográficos que vende Matt por uma dose, o melhor amigo que ele abandona, o vilão obcecado pela destruição de um homem decente, o jornalista que relata a queda do homem à cidade e por fim e numas brevíssimas páginas a abordagem genial do mais unidimensional dos super-heróis, o patriótico Capitão-America, alguém que se sente completamente só num país que esqueceu os valores presentes na sua fundação e que viola o seu mais sagrado símbolo: a bandeira que lhe serve de uniforme.

Matt Murdock deixa de poder exercer a sua profissão, é privado dos seus bens e segurança, perde amigos e acaba paranóico até ao momento em que escapa ao seu assassinato por pura força de vontade, afinal o seu grande super-poder. A vontade de ultrapassar obstáculos, da infância pobre, o pai ex-boxeur alcoólico e a ausência da mãe, a cegueira precoce e no fim o medo de perder o que entretanto conseguira. Reduzido a um homem sem nenhuma esperança surge então o homem sem medo e que pode finalmente vestir o uniforme e assumir o seu papel.
Não deixa de ser curioso.

(Fonte: geracao-c)

Children (Live)



What an amazing track!

sábado, outubro 09, 2010

Best piece of advice i've heard...



 It all comes down to a simple choice really...  
Get busy living... or get busy dying...

Andy Dufrasne (Tim Robbins) in Shawshank Redemption (1994)


Parece simples e sem grande ciência, mas é das frases mais poderosas que alguma vez ouvi! 

Digo isto ciente de que não preciso de viver muitos anos para saber que assim permanecerá, como a frase que mais me marcou. Aliás, todo o filme (Shawshank Redemption) é uma obra intemporal que carrego no coração pelas lições, pela força e pelo amor que me transmite... É inquestionavelmente o meu filme favorito, destacado numa lista de outros quantos que não consigo organizar hierarquicamente... but rest assured em relação a este não restam dúvidas: É o meu Nº1!



É um filme que vi várias vezes sem nunca me cansar... É um filme ao qual não digo não e que incentivo todos a verem... É um filme completamente flawless!
A começar pelo material de origem, proveniente da cabeça do genial Stephen King, passando pelas mãos de quem o adaptou para a grande tela... o Sr. Frank Darabount, realizador este que já foi objecto de estudo da minha parte num trabalho de cinema (uma forma de homenagem a alguém que tanto admiro pelos seus trabalhos). Segue-se o elenco fora de série (liderado por Tim Robbins e Morgan Freeman, secundado por actores como Bob Gunton, William Sadler, James Whitmore, among others) e a belíssima banda-sonora (que brevemente merecerá o seu próprio post) composta por Thomas Newman...

Estes são os aspectos mais "importantes" de salientar, mas a verdade é que existem outros quantos que são demasiados para aqui serem enumerados (localização, fotografia, mil e uma coisas inerentes aos produtores and so on... que estão excepcionais)...

Não surgiu do nada este post... A frase com a qual começo a escrever tem estado presente principalmente nestes últimos tempos tornando susceptível a que venha falar do filme (é evidente que estão intrinsecamente ligados). Não quero com isto passar um atestado de sensibilidade à minha pessoa, nem obter o parecer de outros relativamente à qualidade do filme ou ao que este lhes evoca num âmbito mais pessoal. Quero acima de tudo promover a obra ou a discussão sobre a mesma (mas!) se assim o quiserem. Mais que tudo quero provocar alguma reflexão que certamente será mais fluída caso conheçam o filme.

Escrever sobre estes temas por vezes corremos o risco de um grande grau de exposição... Sei disso desde o primeiro momento em que assumi a escrita deste meu espaço. 

Não me importo! Não vivo no medo nem com vergonha do que fiz, do que quero fazer ou a da forma exponho o que sinto (embora tenha a capacidade de impor determinados limites)... e isso é fruto da vida plena que tenho levado, com o apoio incondicional de aqueles that got my back! Acreditem ou não (e correndo o risco de parecer corny) asseguro-vos que que toda esta atitude é também consequência causa/efeito desta magnifica longa-metragem, capaz de inspirar os mais desinspirados!

Fica aqui a minha manifestação sobre algo que considero ser uma "life changing experience"...

Uma obra-de-arte de fino trato...

Desconcertante... brutalmente forte... e monumental... como nunca vi antes!



quinta-feira, outubro 07, 2010

The Messenger (2009)



Quando vi pela primeira vez o trailer para The Messenger (2009), soube de imediato que seria muito provavelmente um excelente filme. A história parecia diferente do que nós estamos habituados, oferecendo uma visão diferente das consequências da guerra. O "angulo" de abordagem era portanto algo fresco e totalmente distinto do convencional.  São retratadas cenas que poucos de nós reflectimos quando pensamos na guerra.

Acompanhamos dois soldados que têm a tarefa ingrata de informar a morte de um soldado/a aos seus respectivos familiares/amados/amigos. Um deles, recentemente destacado nesta área, encontra-se em processo de aprendizagem e adaptação... visível na forma como oferece resistência a muito custo nas alturas onde tem que se abstrair de qualquer ligação emocional das pessoas que sofrem com a chegada de noticias.

Não conhecia o realizador Oren Moverman (também responsável pelo argumento - nomeado para Oscar), algo que é natural tendo em conta que esta foi a sua estreia por detrás de uma câmara numa longa-metragem. Não me sendo possível antecipar uma "pseudo opinião" através do seu trabalho, olhei para o cast! Nas suas fileiras encontram-se actores de topo como Woody Harrelson (nomeado para um Oscar na categoria de Best Supporting Actor) e Ben Foster, que elevavam (e muito) as minhas expectativas, afinal de contas, são (na minha opinião) dois dos maiores talentos de Hollywood (sei que começa a ser uma tendência dizer isto, mas de facto é  verdade). Ben Foster conheci através de papeis pequenos mas vi-o crescer e agora brilhar em papeis como Alpha Dog ou 3:10 to Yuma... independentemente da qualidade do filme, podem sempre contar com uma prestação do mais alto nível, enquanto Woody Harrelson dispensa qualquer tipo de apresentações.

Ainda temos Samantha Morton, actriz nomeada pela academia por duas vezes,  Jenna Malone e o icónico Steve Buscemi com um papel pequeno mas nevertheless importante! Os desempenhos são todos bons, por muito ínfimos que sejam, com destaque para o duo de protagonistas e Buscemi que consegue dar grande ênfase ao drama vivido por um Pai na forma como aguenta emocionalmente com uma noticia tão difícil de receber.

Alvo de excelentes criticas, distinguido por vários festivais e academias pelo mundo fora e detentor de um excelente rating no iMDB, The Messenger prima pela originalidade, pela sua visão, pelo argumento e diálogos e a sua capacidade de transmitir aspectos do mais humano e genuíno possível. 

É um belíssimo filme que recomendo com alguma urgência...

segunda-feira, outubro 04, 2010

Always Love...




Always love...
Hate will get you every time
Always love...
Don't wait til the finish line
...

Always Love...

Hate will get you every time...
Always Love...

even when you want to fight


Nada Surf - Always Love

domingo, outubro 03, 2010

Drinkin' in L.A



Esta é uma das minhas músicas favoritas while growing up! Recordo-me sempre de passar esta malha ao meu irmão Alex que a "levou" consigo nas suas viagens, principalmente no Reino Unido onde estudou durante alguns anos.

Vitima de um ataque (portentoso e significativo na época) por parte da MTV, Bran Van entraram nas minhas escolhas musicais com o seu álbum Glee, editado em 1997. Na altura era do mais alternativo que ouvia, sendo que o seu primeiro projecto era de tal forma ecléctico que apresentava uma disparidade entre todas as músicas. Tínhamos um tema electrónico, depois rock... depois outro assente no hip-hop e por aí adiante. Obviamente isto é fruto das várias influências que os seus membros traziam para o seu trabalho...

Posto isto, deixo-vos a grande malha que é Drinkin' in L.A

sábado, outubro 02, 2010

Sessão Dupla


Ontem tirei tempo para fazer algo que já não fazia há bastante...
... Ver um filme!

Talvez por estar há demasiado sem me dedicar à sétima arte, decidi logo ver dois:

Unthinkable (2010) em casa durante a tarde e Wall Street 2: Money Never Sleeps (2010) no cinema

                       



Relativamente ao primeiro (Unthinkable) posso-vos dizer que é um filme acima da média, tendo em conta que este foi lançado directamente para o mercado no formato DVD. Tem um leque de actores interessante, com ênfase destacado para o trio principal composto por Samuel L. Jackson, Carrie Anne Moss e Michael Sheen. A realização de Gregor Jordan joga bem com a trama do filme e as emoções que ela evoca.Sente-se um grau de tensão cada vez mais forte à medida que o filme se aproxima do fim, e isto está de mãos dadas com o factor entretenimento, pois de facto consegue agarrar o espectador que aguarda na expectativa futuros desenlaces que eventualmente se traduzirão no desfecho. Pelo meio somos confrontados com temáticas como a violência e forma como esta é exercida de forma a atingir determinados fins. Conflitos éticos e morais estarão certamente na ordem do dia com esta longa-metragem, bem como um teste à nossa resistência perante cenas de "violência gratuita" que inevitavelmente irão chocar alguns mais sensíveis!

No que toca o segundo filme (Wall Street 2: Money Never Sleeps) Oliver Stone proporciona o regresso do lendário Gordon Gekko, personagem esta que conferiu a Michael Douglas o seu primeiro Oscar, aquando do primeiro Wall Street lançado em 1987. A história desta sequela começa onde o primeiro acaba, com Gekko a sair da prisão depois de cumprir 8 anos. O ano é 2001, mas os acontecimentos aqui descritos estão fortemente associados à crise económica de 2008. Gekko, agora mais um anti-herói do que propriamente um vilão, não é tão "vistoso" como no primeiro mas é certamente uma personagem de grande valor, bem secundada por outras quantas, representadas por um grupo de actores de luxo! Desde Shia LaBeuf e Carey Mulligan (duas das coqueluches de Hollywood) passando por Josh Brolin (com que O.Stone previamente trabalhara no seu filme W.) acabando com o grande Frank Langella e a magnifica Susan Sarandon. Ainda podemos contar com alguns cameos de alguma importância para o "universo Wall Street", que não irei revelar para evitar spoilers. Embora economia, finanças e afins sejam áreas onde passeio um pouco às escuras, arrisco dizer que a história está bem contextualizada na "época de hoje". Sem ser fantástico, (apesar de muitos fracassos, "fantástico" é aquilo que continuo sempre a esperar de Oliver Stone) não deixa de ser um bom filme!

Ahh... e já vos disse que a banda-sonora deste filme ficou nas mãos de David Byrne e Brian Eno? Priceless...




A History of Rap at Late Night with Jimmy Fallon