Orquestrada por Abel Korzeniowski, com participação de Shigeru Umebayashi
1.Stillness Of The Mind (3:54) 2.Drowning (1:48) 3.Snow (1:15) 4.Becoming George (3:51) 5.George's Waltz I - Shigeru Umebayashi (1:39) 6.Daydreams (2:16) 7.Mescaline (3:10) 8.Going Somewhere (1:59) 9.A Variation On Scotty Tails Madeline - Shigeru Umebayashi (1:52) 10.Carlos - Shigeru Umebayashi (1:01) 11.La Wally - Miriam Gauci (3:28) 12.Stormy Weather - Etta James (3:10) 13.Green Onions - Brooker T. & The MG's (2:54) 14.Blue Moon - Jo Stafford (4:39) 15.Swimming (1:39) 16.And Just Like That (4:53) 17.George's Waltz II - Shigeru Umebayashi (3:18) 18.Sunset (2:59) 19.Clock Tick (2:07)
Na composição desta banda-sonora temos na sua grande maioria temas orquestrados pelo compositor/maestro Abel Korzeniowski em colaboração com Shigeru Umebayashi, no entanto, não obstante desse facto, temos também algumas malhas que preenchem outros parâmetros e servem para complementar cenas e até vincar a época que se vive. Como tal são "colocadas" nesta longa-metragem (e na sua respectiva banda-sonora) standards de Jazz (Stormy Weather), clássicos populares (Blue Moon) e até um clássico de Blues (Green Onions). Porém, a sua riqueza reside mesmo nas composições originais dos compositores destacados para esta OST.. onde reinam instrumentos de cordas que encantam. Violinos e violoncelos em perfeita harmonia...provocam com audácia, inspiração! Deixo aqui dois dos temas, sendo que poderão ouvir na integra o álbum todo! Basta acederem através do link ao YouTube para usufruírem da playlist disponibilizada na faixa lateral direita. Deixo apenas um aviso... um conselho if you will... Ao verem o filme primeiro será notória a diferença quando dedicarem o vosso tempo para se entregarem à música.
Estava à muito para ver este filme! Aguentei a ânsia enquanto pude mas (felizmente) cedi. Por incentivo de um amigo meu que me avisou para o facto de que a visualização desta obra perderia caso não fosse visto numa sala de cinema, não hesitei em deslocar-me no dia seguinte ao El Corte Inglês. Não fazia ideia do que se tratava, mas desde o primeiro momento em que vi o trailer fiquei rendido. Este não diz rigorosamente nada sobre a história ou as suas personagens, mas é tremendamente poderoso! Os clips/imagens seleccionados em combinação com a música, que parecia fundir-se na perfeição com o que estava a ver, deixava-me intrigado. De tal forma, que o vi vezes sem conta sempre que podia. Parecia tudo tão belo e misterioso, como algo que guarda um segredo de grande importância. Por entre a música assombrosa de grande nível, as imagens, todas elas de uma ordem estética do mais elegante que há e as citações de alguns críticos/revistas de renome, é dificil o trailer não nos tocar de alguma forma. O seu impacto em mim foi avassalador. A música tocava na minha cabeça o dia todo e sempre que a sentia desvanecer, iria mais uma vez ver e ouvir a "apresentação" de forma a que esta permanecesse mais fresca na minha memória. Entre as reviews escolhidas para "resumir" o filme ou os desempenhos dos actores, todas elas bastante elogiosas, há uma que se destaca de forma evidente e que mais intrigado/curioso me deixou:
His performance is bound to win attention in this year's Oscar race -
He's just to good to be ignored !
(Owen Gleiberman acerca de Colin Firth, in Entertainment Weekly)
Fiquei radiante! Algo me dizia que Colin Firth apresentava um talento fora do comum, mas que nunca tivera grandes hipóteses de o evidenciar. Tinha chegado a altura onde o iria ver transcender-se de uma forma magistral... e assim aconteceu! Fez jus ao que tanto disseram da sua performance, e sinceramente, acabaram de "condenar" o Jeff Bridges na minha mente, pois serei muito exigente com ele quando vir Crazy Heart (2009), para qual ganhou o Oscar na categoria de Melhor Actor Principal.
A Single Man (2009), filme baseado numa obra com o mesmo nome, de Christopher Isherwood, marca a estreia do estilista americano Tom Ford por detrás das câmaras. A história anda em torno de um professor de língua inglesa chamado George Falconer (desempenhado por Firth) que luta para dar um rumo à sua vida depois da morte acidental do seu companheiro/amante, Jim (Mathew Goode). Passado em Los Angeles no dia 30 de Novembro de 1962, um mês exacto depois da "Crise dos Misseis de Cuba", podemos denotar que reina uma onda de alivio que ainda não oferece grande estabilidade, dado as marcas deixadas pela "crise" que transpõem-se num dia-a-dia vivido no medo. Medo esse que se instala nas coisas mais banais, mas que é totalmente alheio à personagem de Colin Firth. Este está desligado por completo, pois o seu medo é outro. Solidão! Perdera o seu amante, companheiro à mais de dezasseis anos, e todos os dias era uma luta incansável para combater o luto, a tristeza, a falta de amor e reconhecimento. Por detrás do seu ar impecável e arrumado, passando a barreira intelectual que leva ao conhecimento de que na verdade é amável, bem educado, em suma, um gentleman... está um homem que desesperadamente procura refúgio em memórias passadas de outros tempos onde Jim ainda estava vivo. Surgem ínfimos diálogos, todos cobertos por uma textura de grande eloquência que de alguma maneira denunciam que foram adaptados de uma obra literária. Não quero de todo dizer isto num mau sentido. É certo que existe um estilo de escrita literário e outro cinematográfico... e não saber dizer o que foi usado na integra e o que foi adaptado é simplesmente fantástico. Isto porque todas as palavras usadas são de um óptimo bom gosto. Conversas interessantes, quase poéticas, socorridas muitas vezes por trocas de olhares, gestos ou mesmo pela ausência de movimento (quando só a música basta para fazer a diferença), não parecem de todo forçadas ou demasiado trabalhadas. Nada pior do que por vezes denotar-mos a prática de frases retiradas de um livro. Soa mal quando dito em voz alta, pois são sentenças que não usamos no nosso discurso verbal. Mas aqui não é o caso. Todo o léxico empregue é suave e delicado que se enquadram a quem as recita. É absolutamente maravilhoso. Quase me considero um ser infeliz por não ter lido a obra de forma a também eu poder dar uso às minhas palavras em vez de recorrer a opiniões de terceiros na constatação do quão fabulosa é esta adaptação (perdoem-me esta hipérbole, it's just to state a point). A evolução da história e todos os seus intervenientes é de grande primor, chegando depois a um desfecho de grande simbologia enriquecedora.
Tom Ford certifica-se de proporcionar ao espectador uma experiência visual absolutamente extraordinária, onde os planos e jogo cromático não são deixados ao mero acaso. Cada ângulo, cada plano, mudanças de cores, sombras e textura são de vital importância na narrativa, na intensificação de sensações por parte da audiência e na percepção de ideias. Todo o vestuário, adereços, maquilhagem, penteados, etc são de um requinte nunca antes visto. Tom Ford terá porventura aplicado o seu conhecimento e bom gosto enquanto "homem do mundo da moda" ao tratamento sublime que este filme sofreu em todos os seus campos. A fotografia, os flashback e todos outros momentos e detalhes técnicos que são demasiados para serem enunciados na sua totalidade são de um requinte e classe de cortar a respiração. E digo isto de uma forma literal, pois foram vários os momentos em que ficava vidrado no ecrã tal era a beleza estética evidenciada "esquecendo-me" de respirar.
O casting é maravilhoso! Colin Firth é aqui sinónimo de classe, cavalheirismo, elegância, bom gosto e intelecto trabalhado, tudo sem calor nem vida depois da morte de Jim. É nos permitido através da realização de Ford e do desempenho de Firth constatar as diferenças no estado psicológico de George, mesmo tendo por base o uso de cores que reflectem muitas vezes o estado de espírito da personagem central.
Julianne Moore, que representa Charlotte, a melhor amiga de George é a representação de uma fachada. Uma mulher que mergulha no álcool para evitar a realização da sua vida triste, que apenas encontra algum conforto nos seus rendez vous com George (mais não direi de forma a evitar spoilers).
Mathew Goode e Nicholas Hoult, representam Jim e Kenny Potter respectivamente. Dois homens de tempos e fases diferentes que transportam alguma esperança para o coração de George Falconer.
Por entre os actores mencionados, fora outros que dão o seu contributo ao filme, sejam eles relevantes ou não, concluímos que são todos pertencentes de um mundo de "gente bonita". Adónis e Vénus espalhados por todos os cantos, como se de uma passerelle se trata-se! E ao contrário do que às vezes vemos numa série onde até o padeiro e a senhora da caixa são modelos e dizemos "Que ridículo", aqui é tudo credível. Não dava para ser de outra forma!
Quero concluir com a banda-sonora! Composta por Abel Korzeniowski, em colaboração com Shigeru Umebayashi, a sua música acrescenta uma dimensão emocional à longa-metragem, intensificada ainda mais pelo desempenho de Firth e pela visão única de Tom Ford. São muitas as vezes que faço reparos a bandas-sonoras, no entanto, são poucas as vezes que as procuro obter nos casos onde dominam composições orquestradas em prol das habituais playlists de cantores/grupos. Esta é distinguida como uma das mais bonitas que ouvi, contribuindo sistematicamente para o sucesso de cada cena em que se faz ouvir.
CONSENSO
A preguiça por momentos falou mais alto! Deslocar-me a Lisboa de propósito parecia um sacrifício, mas constato que esse sacrifício a triplicar seria perfeitamente ajustado dado a "recompensa final".
Pudera eu voltar atrás na selecção dos melhores filmes de 2009, pois este estaria presente com louvores. Um trabalho perfeito pelo estreante Tom Ford, que considero ter sido injustiçado pela sua não inclusão nos nomeados para Melhor Realizador e Melhor Filme, pois para mim seriam sérios candidatos a levar o prémio para casa, tendo em conta todos os pontos mencionados onde esteticismo ímpar aplicado na longa-metragem se apresenta como o seu ponto mais forte, apenas ultrapassada pela performance inesquecível de Colin Firth, aliado à sempre magnifica Julianne Moore, que dão corpo e alma a personagens de uma complexidade que duvido muito que sejam criadas e desempenhadas com a mesma qualidade in times to come.
Segue-se então o trailer, disponibilizado num formato maior do que normalmente costume por, na tentativa que tenha um impacto grande. Recomendo que tenham o volume consideravelmente alto para se deixarem mergulhar na elegante sonoridade.
Um filme fantástico que vive da essência que faz dos irmãos Coen masters in their craft. De diálogos riquíssimos e personagens caricatas como é tão costume observar no mundo Cohenesco, temos nesta longa-metragem um trabalho que pode não agradar toda gente, mas deveria. Digo isto por reflexo do que se passou durante a visualização do filme com mais três amigos, onde dois deles passaram grande parte entre suspiros longos e enfadados, passando por comentários que denegriam A Serious Man de uma forma que ia para além da minha compreensão. É desagradável estar concentrado no ecrã e ter alguém sistematicamente nos nossos ouvidos sempre com comentários. Sentir que temos pessoas ao nosso lado que quase fazem questão de mostrar desagrado relativamente a uma obra que por acaso eu estava a apreciar bastante. É chato, mas enfim! Os gostos são sempre subjectivos (como tantas vezes refiro em alguns dos meus post's) e talvez nem seja de espantar, porque uma das pessoas nem gostou do No Country For Old Men (2007), um dos melhores filmes dos irmãos Coen, e até acusou (em jeito de comparação com A Serious Man) o filme de David Fincher, The Game (1997), de ser "monocórdico"! Different Strokes for different folks, como diz o outro...
Bem... mas continuando...
Narrativa (mega) interessante recheada de tópicos e questões pertinentes nas entrelinhas, que dão inicio logo com a abertura do filme. Iniciamos com um prólogo passado nos princípios do século XX em uma casa que aparenta estar inserida na comunidade judaica. Posto esta entrada, temos o título do filme que de seguida apresenta-nos a época onde a história se passa, mais precisamente 1967. Pouco a pouco são nos apresentadas as personagens que compõem a família que habita nos subúrbios, tendo por referencia a personagem principal, o Pai, Larry Gopnik. Desempenhado por Michael Stuhlbarg de uma forma que justifica todo o mérito credenciado pela audiência e critica, temos aqui o núcleo duro da narrativa pois toda a acção passa por este homem que tenta liderar por exemplo a sua família enquanto mostra à sua comunidade ser alguém que leva a sua vida segundo os princípios judaicos. Aqui temos instantaneamente algo pouco vulgar pois vemos (com algum desespero até) um homem "afundar-se" pela sua determinação em praticar o que é eticamente e moralmente correcto. Constantemente atarantado, frágil e "enfiado" em situações que criam dilemas e dúvidas tanto na religião como no seu "sistema", torna-se dificil tomar posição para que seja tomado em conta como "um homem sério". Não creio que em certo ponto tudo lhe corra mal, apenas o vejo como alguém que constantemente cede à pressão e vontade dos que lhe rodeiam complicando assim a sua vida em prol de satisfazer os outros. É muito engraçado ver como este complica o seu próprio quotidiano muito pelo seu excesso de fé (a meu ver... como quem diz: o que tiver de acontecer, acontece independentemente do curso das nossas acções).
Entre as várias personagens que compõem a história, onde desde já digo que o casting efectuado foi fantástico, recorrendo a muitos actores desconhecidos, há um que nos proporciona momentos hilariantes nesta "comédia social". Fred Melamed no papel de Sy Ableman é simplesmente hilariante sempre que entra em cena para contracenar com Stuhlbarg, no entanto, existem outras quantas personagens que merecem ser tomadas em conta pois acrescentam momentos de um humor subtil capaz de proporcionar grandes gargalhadas aos mais atentos.
Alguns dizem que este é o melhor trabalho dos irmãos Coen. Discordo! É muito dificil bater Barton Fink (1991), Fargo (1997), Big Lebowski (1998) e No Country for Old Men (2007), que são credenciados por mim como as suas melhores obras... mas é provavelmente o consenso a que a critica chegou:
Blending dark humor with profoundly personal themes, the Coen brothers deliver what might be their most mature -- if not their best -- film to date.
Fazer zapping por vezes dá nisto! Deparar-nos com coisas, que de surpresa nos agarram e puxam pela nossa capacidade de rebuscar os cantos da nossa memória à procura de fragmentos que parecem pertencer a um passado longínquo. Pelo menos parece longínquo... porque à muito que não ouço o nome desta artista. Sem seguir a sua carreira assiduamente, guardo-a no coração pelos seus contributos musicais em torno de causas nobres e mensagens carregadas de valores que nos dias que correm tendem desaparecer. Ontem, dia 10 de Março de 2010 tentei cantar a letra enquanto acompanhava o videoclip com uma imensa nostalgia. Fast Car retirado do álbum homónimo em 1988, é dos temas mais eloquentemente tristes e "bem tratados" que alguma vez ouvi. Em jeito de história, Tracy enquanto canta põem-se na pele da narradora que relata acontecimentos tristes da sua vida de forma cronológica, apenas para realizar que aparenta estar num ciclo vicioso e de forma a escapar a esse "fado" tão triste, terá de tomar uma decisão.
Este single despontou a sua carreira musical e ganhou maior destaque chegando aos ouvidos do mundo na celebração do 70º aniversário de Nelson Mandela. Creio que ter Tracy Chapman numa cerimónia destas para cantar este tema não poderia ser mais apropriado.
Como consequência deste seu "ressurgimento" é certo que vou imediatamente ouvir os seus últimos registos, que de facto até são relativamente recentes mas muito pouco falados por estas bandas.
Fica aqui essa grande malha...
FAST CAR
You got a fast car
I want a ticket to anywhere
Maybe we make a deal
Maybe together we can get somewhere
Anyplace is better
Starting from zero got nothing to lose
Maybe we'll make something
But me myself I got nothing to prove
You got a fast car
And I got a plan to get us out of here
I been working at the convenience store
Managed to save just a little bit of money
We won't have to drive too far
Just 'cross the border and into the city
You and I can both get jobs
And finally see what it means to be living
You see my old man's got a problem
He live with the bottle that's the way it is
He says his body's too old for working
I say his body's too young to look like his
My mama went off and left him
She wanted more from life than he could give
I said somebody's got to take care of him
So I quit school and that's what I did
You got a fast car
But is it fast enough so we can fly away
We gotta make a decision
We leave tonight or live and die this way
I remember we were driving driving in your car
The speed so fast I felt like I was drunk
City lights lay out before us
And your arm felt nice wrapped 'round my shoulder
And I had a feeling that I belonged
And I had a feeling I could be someone, be someone, be someone
You got a fast car
And we go cruising to entertain ourselves
You still ain't got a job
And I work in a market as a checkout girl
I know things will get better
You'll find work and I'll get promoted
We'll move out of the shelter
Buy a big house and live in the suburbs
You got a fast car
And I got a job that pays all our bills
You stay out drinking late at the bar
See more of your friends than you do of your kids
I'd always hoped for better
Thought maybe together you and me would find it
I got no plans I ain't going nowhere
So take your fast car and keep on driving
You got a fast car
But is it fast enough so you can fly away
You gotta make a decision
You leave tonight or live and die this way
Que momento perdi eu na cerimónia dos Oscars! É o que dá não assistir ao evento na integra e conformar-me com o compacto! Felizmente para mim, a Time Magazine disponibilizou um artigo no qual foram eleitos os Top Ten Moments da entrega este ano. O tributo ao falecido realizador/argumentista, John Hughes (faleceu em Agosto de 2009), foi destaque, sendo que não poderia deixar de concordar com esta sentida homenagem por parte da Academia and it's peers ao que foi uma das pessoas mais influentes na exploração da mentalidade e quotidiano adolescente integrado no âmbito cinematográfico. Possuidor de um conjunto de qualidades que o fizeram um dos realizadores mais respeitados na indústria (sem nunca ter ganho um Oscar) e com um leque de filmes que ao longo dos anos ascenderam a um estatuto de culto entre várias gerações, é com muita pena que concretizo na minha cabeça o facto de que falta nos dias de hoje alguém com a sua visão e talento para exercer o mesmo tipo de influência nas nossas vidas que Hughes fizera no seu tempo. Apesar de tal, sou testemunha do poder que as suas obras ainda exercem, apesar de estar "fora do seu tempo", pois mesmo com o passar dos anos, a mestria de Hughes é revelada através da intemporalidade que este deposita naquilo que faz. Filmes como Sixteen Candles (1984) , The Breakfast Club (1985), Ferris Buller's Day Off (1986), Planes Trains and Automobiles (1987), Home Alone (1990), entre muitos outros na altura aclamados pela audiência, são hoje considerados clássicos.
Deu vida a um dos grupos de actores mais populares da história conhecidos pelo nome de Brat Pack, tendo sido responsável em grande parte pela carreira de muitos que por força da sua linha de trabalho e acima de tudo, pelo tipo de mentor que John Hughes foi, foram reconhecidos por mérito próprio passando a barreira da faixa etária criando uma onda de amadurecimento entre eles.
Tenho a felicidade de ter em minha posse muitos dos seus filmes, alguns versão de coleccionador que me proporcionam memórias e momentos inéditos nos bastidores do realizador e aqueles que privaram com ele.
Fica aqui o tributo feito na cerimónia, com introdução de Molly Ringwald e Mathew Broderick, seguido depois da aparição em palco de alguns dos membros do Brat Pack: Andrew McCarthy, Judd Nelson, Ally Sheedy e por fim o menino dourado Macauly Culkin.
J.L.: O regresso às 10 nomeações para melhor filme (não acontecia desde 1943, quando ganhou Casablanca) decorre menos dos filmes e mais da... televisão. Ou melhor: face ao descréscimo regular das audiências da cerimónia dos Oscars, em Hollywood prevaleceu a noção segundo a qual era preciso "encaixar" alguns grandes sucessos de bilheteira nos nomeados para garantir mais telespectadores. É uma visão porventura pertinente, mas limitada: genericamente, as "novas" audiências têm muito pouco (ou nenhum) espírito cinéfilo e são estranhas ao imaginário clássico que sustenta os Oscars e as suas componentes artísticas, industriais e até afectivas. Neste contexto, o vencedor "obrigatório" é Avatar, quanto mais não seja porque, em tempos de crise, Hollywood não se pode dar ao luxo de ignorar um filme que, de facto, conseguiu um relançamento comercial do cinema como fenómeno de massas. Premiar Estado de Guerra seria consagrar a dimensão humanista de Hollywood, de John Ford a Sam Peckinpah. Mas quem se lembra de Ford? E quem viu Peckinpah para além de um ou outro fragmento no YouTube? Seja como for, aconteça o que acontecer, é um grande teste simbólico e os Oscars de 2010 podem ficar como um marco na história digital do cinema.
Ontem na cerimónia dos Oscars, depois de muita especulação, fez-se justiça. Prevaleceu a arte do cinema e todos os seus componentes mais relevantes em prol dos mecanismos proporcionados pela a tecnologia avançada, área esta dominada sem contestação pelo filme Avatar (2009) de James Cameron. Houve de facto muita discussão relativamente a quem deveria ganhar a estatueta, sendo que a grande maioria - ou melhor a "massa popular" - apontava Avatar como o grande favorito. From the get go nunca percebi o porquê disto. Achei que era demasiado evidente que a obra que levou 13 anos a fazer apresenta-se bastantes lacunas, que eventualmente fariam que o filme não tivesse argumentos suficientes para ganhar o respeito e estatuto que uma obra merecedora de Oscar deveria ter. No entanto, após a entrega dos Globos de Ouro fiquei com a sensação que havia esse risco de um filme como o Hurt Locker (2009) ficar por terra por causa de uma longa-metragem onde claramente os seus trunfos residem na parte técnica. Don't get me wrong! Gostei bastante do Avatar, mas pela experiência cinematográfica que foi. Estou totalmente de acordo que é um trabalho que certamente será um marco for the ages pelo o investimento e trabalho depositado, bem como pelos recordes que bateu, porém, pouco mais valerá além disso. Nunca... MAS NUNCA (!) um filme com uma história fraquissíma e batida, com diálogos de meter dó, sem qualquer tipo de representação acima da média (por parte de um elenco que até é bom) pode ser considerado FAVORITO a um Oscar. Predominam os "efeitos especiais/imagens3D/Bonecos Virtuais" abdicando por completo de uma linha narrativa que ofereça algum estimulo ao espectador, que facilmente se deixa encantar pelo mundo fabuloso que James Cameron criou na sua mente. Dou-lhe o devido mérito nesse campo, pois creio que existem poucas pessoas com essa capacidade criativa. Mas será suficiente para lhe conferir um lugar nos melhores filmes de sempre?
Um exemplo que me vem à memória (que poderá ser parvo e até mal fundamentado, but that's what i got right now) por causa desta questão, bem como os componentes tecnológicos e o nível de criatividade é a saga Star Wars de George Lucas. Têm noção que o primeiro filme desta saga foi feito em 1977? Onde os recursos tecnológicos e financeiros escasseavam comparativamente aos dias de hoje ? E já tomaram em conta o elenco? A história ? O mundo proveniente da cabecinha genial do Sr. Lucas? Mas foi o Star Wars vencedor de algum Oscar além do campo técnico? Não! Claro que o trabalho foi reconhecido com nomeações e a concorrência era temível na época, mas o que quero provar com este ponto é que a fusão de todos os elementos que fazem um filme, é que lhe conferem o estatuto de culto e o selo de qualidade que o tornam intemporal e um potencial candidato a um prémio desta dimensão, e hoje em dia, temos um filme como o Avatar, a anos de luz de Star Wars, que basicamente vive à pala de "computadores" para ser considerado como um favorito. Não faz sentido na minha cabeça e pelos vistos também não deve ter feito no painel de júris da Academia, que acabam com a noite de ontem de restaurar a minha fé no sistema e no bom discernimento desta cerimónia.
Peço desculpa aos que depositavam esperanças nos "bonequinhos azuis", mas tenho-vos a dizer que precisam de trabalhar para eventualmente ganhar some perspective relativamente ao que é o cinema e desenvolverem uma maior capacidade de bom senso, porque no que toca a este assunto, esteve-vos em falta. Sei que estarei porventura a ser um pouco bruto e arrogante nas minhas insinuações, mas defendo vincadamente esta opinião em particular por-me estar entalada à séculos. Precisava apenas da confirmação da Academia para obter uma lufada de ar fresco e não pensar que tinha tudo perdido a cabeça. Vocês certamente conhecem essa sensação... de ouvir conversas ou lerem opiniões de pessoas que aparentemente só mandam "bitates" acerca de tópicos que na verdade nada sabem. É complicado abster-em-se por vezes, certo? Difícil evitar fazer correcções ou de "atirar" pontos-chave para cima da mesa de forma a talvez proporcionar uma outra linha de raciocínio...
Pois bem, é exactamente o que aqui estou a fazer para todos os que na eminência de assistirem à entrega dos Oscars terem achado um ultraje o Hurt Locker e a sua realizadora terem levado o prémio para casa.
Não foi por acaso que no meu post, onde revelei as minhas escolhas cinematográficas e musicais de 2009, coloquei o Hurt Locker como melhor filme do ano, sem sequer imaginar para que categorias seria nomeado em eventos como os Oscars, BAFTAS, Golden Globes, etc. É de facto uma obra de arte manuseada com excelência por parte de uma realizadora que até então apresentara um "currículo" interessante mas longe do patamar estabelecido com este seu último filme. Desde a história e a sua abordagem, à realização, diálogos, direcção de actores e a suas respectivas (impressionantes) representações o filme roçou a perfeição! Jeremy Renner, então desconhecido para mim, cativou-me desde o seu primeiro minuto no ecrã e Anthony Mackie apenas comprovou a opinião que já tivera formulado sobre ele. É sem sombra para dúvidas um excelentissimo actor que apenas peca pelas participações em alguns filmes de fraca qualidade. Se é má gestão de carreira ou falta de oportunidades, não sei... mas que neste filme demonstra o seu valor... ai isso demonstra! Mesmo na parte técnica (Efeitos especiais, som, etc) apresentou-se em muito boa forma, tendo inclusive ganho em algumas destas categorias. Fico feliz por este filme ter obtido o seu devido reconhecimento, que mesmo lutando contra "a frequência com que o tema Iraque é discutido e representado em filmes", consegue demonstrar uma forma fresca e original de efectuar uma abordagem sem precedentes.
Relativamente às outras categorias de maior destaque, posso dizer que na minha óptica não houve surpresas além do Oscar para Melhor Filme Estrangeiro. Sem ter visto nenhum dos candidatos, não posso opinar de forma precisa, porém, tinha a ideia de que o vencedor da noite seria Das weisse Band - Eine deutsche Kindergeschichte (2009) - O Laço Brancoem português- de Michael Haneke. Tal não aconteceu, tendo a estatueta ido para a Argentina, pelo filme El Secreto de Sus Ojos (2009) de Juan José Campanella.
Para uma apreciação mais geral de alguns dos vencedores da madrugada de Segunda-Feira, podem ver o meu post sobre os Golden Globes que basicamente consistem nos mesmos nomeados e vencedores.
Conhecida a vencedora da 43º edição do Festival RTP da Canção, aproveito a "frescura" do tema para deixar algo que não há muito tempo veio ao meu conhecimento. Uma bela tarde tinha eu ido visitar o meu Pai e quando me sentei na sala reparei que a minha madrasta estava a ver um apanhado de vários anos do Festival. Imagens quase arcaicas de que eu naturalmente não me recordo, até porque muito se passou e eu nem era nascido. Sem ter um real interesse no festival, não consegui evitar por vezes de me concentrar na televisão para ouvir alguns dos seus concorrentes. E eis que vejo um fulano, para mim anónimo mas conhecido na época, subir ao palco para cantar um tema chamado Cidade Alheia. Cantado em 1972 por Duarte Mendes, este tema ficou-me instantaneamente na retina e tomei logo nota no meu telemóvel para mais tarde procurar em casa. E assim aconteceu...
Apresento-vos o vídeo (arquivo da RTP) com uma interpretação aliada a uma mega orquestra com arranjos de grande primor, uma letra tão "intensamente Portuguesa" e uma voz que embora não seja fabulosa, cai bem no ouvido.
Radiohead é inquestionavelmente um dos meus grupos de eleição desde que me lembro. Este quinteto britânico é de facto uma força avassaladora quando "trabalha" em conjunto, visto que têm nos seus cinco músicos qualidades, atributos e maneirismos que se complementam e criam um impacto artístico fluido, genuíno e acima de tudo, de grande riqueza. A voz de Thom Yorke, que varia de quente para fria, de tons curtos a prolongados é incrivelmente acertada para quase todo o tipo de música que os Radiohead queiram tocar. É também um dotado compositor e um líder que se apresenta como a imagem do grupo. Os irmãos Greenwood tocam de olhos fechado. Jonny, o mais novo dos "maninhos" é um mestre na guitarra e um excelente compositor, while on the other hand Colin, primariamente conhecido por tocar o baixo, é um músico enquadrado na perfeição à realidade do grupo. Por fim temos Phil Selway, baterista por excelência e Ed O'brien, outro super-guitarrista, também ele com uma mente virada para a composição lírica. É curioso denotar que muitos dos membros deste grupo colaboram no processo criativo que é compor canções, oferecendo ideias/conceitos/histórias singulares e apreciadas no "mundo Radiohead".
Mas enquanto aqui escrevo sobre o fantástico que o grupo é, muito pelo facto da fusão perfeita de componentes individuais, gostaria de incidir sob a magia que é inerente ao vocalista Thom Yorke, que no tema que aqui vou colocar, demonstra a sua aptidão para colocar "fogo e gelo" numa das baladas mais bonitas que ouvi.
True Love Waits transporta às suas costas, amantes de todo o mundo que se cruzam num ponto onde a crença na vitória do "amor verdadeiro" sobre qualquer inimigo é uma verdade única, absoluta e universal. Não virar as costas a um dom como o amor é um pedido feito de corpo e alma. Embora possa parecer o óbvio a fazer, muitas vezes as pessoas vêem-se forçadas a tomar tal atitude por falta de esperança ou esgotamento físico, psicológico e até espiritual imposto por uma relação que parece mais carregar "veneno" (sendo este veneno diferente, mediante as situações e as suas respectivas variáveis). However, identifico uma simbologia que só se deve à minha leitura optimista e romântica (sim, porque quando tratamos de uma música destas e do que ela evoca, é impossível contornar o tema romantismo, por mais que as pessoas queiram evitar revelar um lado mais sensível), e sinto estar a transbordar por todos os meus poros um suor de nervosismo, uma inquietação que se instala por todo o meu corpo e recordo-me...
Surgem as mais ínfimas memórias do que já tive e do que ambiciono ter. Uma luz ao fim do túnel , que quase consigo tocar. Já esteve mais perto, mas que mesmo assim não deixo de desejar cravar com "unhas e dentes". Porque a travessia para o meu "Santo Graal", embora recheada de adversidades, sem certezas, sem garantias, num tempo incerto onde ao dia que passa, parece querer afastar-me dos meus desejos, não deixa de ser aquilo que mais quero e como tal, não sendo eu alguém que baixa os braços, luto com aquilo que tenho. Música é uma das minhas ferramentas e esta serve bem esse propósito. Motiva e lembra que o verdadeiro amor, espera!
Queria deixar este post no minuto em que vi a homenagem em directo feita na cerimónia dos Golden Globes deste ano. Presentearam ao realizador um prémio de carreira complementada com uma montagem de alguns do trabalhos mais emblemáticos da sua carreira. Essa compilação demorou a ser colocada online e infelizmente não dava para incorporar em páginas web, porém, agora que vi o seu último trabalho (Shutter Island), decidi dar novamente uma "vista de olhos" na esperança de me deparar com esse tributo feito pelos responsáveis dos Globes, onde reuniram os seus dois meninos prodígio, De Niro e DiCaprio. Após uma breve but flattering introduction, seguiu-se o tal vídeo, que hoje consigo aqui partilhar para que possam reviver parte do portefólio cinematográfico deste ícone histórico da 7º Arte. Com uma selecção de músicas bastante apropriada, é na recta final da montagem com o tema Layla dos Derek & The Dominos (Banda em tempos do Eric Clapton) que fico completamente arrepiado pela fantástica junção de imagens e música. Terminamos depois com uma ovação por parte da audiência durante a subida ao palco do realizador, sob uma chuva enorme de aplausos. O discurso? Sentido, verdadeiro e memorável... see for yourselves...
Um filme diferente do que o Sr. Martin Scorsese nos tem habituado, mas com a qualidade do costume. Baseado numa obra com o mesmo nome do autor Dennis Lehane, Shutter Island marca a quarta colaboração entre Scorcese e DiCaprio, parceria esta que tem sido sujeita a inúmeras comparações com o trabalho conjunto feito em tempos entre o realizador e o grande Robert DeNiro. Podemos quase dizer que houve uma passagem de testemunho entre duas gerações distintas que chegaram a "Marty" não só pelo seu talento, mas também pela personalidade e carisma. São de facto dois excelentes actores, ambos com carreiras invejáveis que espero ver contracenar um dia numa longa-metragem de um dos maiores mestres do cinema.
Nesta obra temos uma gripping story (quero evitar fazer sequer uma sinopse... trailer serve perfeitamente para o propósito), "socorrida" por um vasto elenco de prestigio com actores/actrizes como: Mark Rufallo, Sir Ben Kingsley, Michelle Williams, Max von Sydow, Patricia Clarkson, Emily Mortimer, Elias Koteas e Jackie Earle Haley, aliado a uma poderosa banda-sonora (!), temos uma obra que certamente irá puxar pela cabeça do espectador e mantê-lo agarrado à cadeira durante 138 (intensos) minutos. É de grande entretenimento, muitas vezes sem grande clareza para causar alguma desorientação.
Garanto-vos que Scorsese vai brincar com a vossa cabeça, jogar com os vossos sentidos e deixar-vos completamente perdidos. (D.M)
(a minha citação, caso fosse referenciada para classificar o filme)
Não há muito tempo, estava eu a ver a minha querida Blogotheque e eis que na página com os artistas que contribuíram para o site, encontro o Jason Mraz. Normalmente, não hesitaria em continuar o meu caminho sem sequer olhar para trás, mas naquele dia senti que algo tinha mudado. Uma enorme curiosidade tinha sido despertada e fruto disso... fui ver o vídeo do Jason. Quando digo que normalmente não teria interesse neste artista é porque nunca fui muito com a música dele. Sentia que era um gajo porreiro, daqueles que até vou com a cara dele, mas a música era demasiado pop e made for girls para o meu gosto, tendo por base um ou dois singles que passavam sistematicamente na rádio (um deles é um tema que ele canta com a Colbie chamado Lucky que simplesmente embirro e não consigo ouvir).
Pelas minhas travessias musicais deparei-me umas quantas vezes com a música de Mraz mas evitei sempre ouvir, no entanto, esta última vez em que cedi, houve uma influência de um episódio semelhante que eu tivera com John Mayer. Em tempos cataloguei-o de sensacionalista pop com letras da treta tipo Your Body is a Wonderland (música que ainda hoje odeio) e acabei por me sentir um belo de um atrasado mental ao reconhecer que de facto ele era um super músico com um leque de albuns e concertos ao vivo de grande calibre. Ou seja, se cometi o erro com o Mayer, poderia estar a cometer o mesmo erro com o Jason Mraz.
"Vi e Ouvi" uma bela de uma improvisação com uma senhora búlgara que tocava na ruas de Beaubourg (França) por dinheiro e fiquei absolutamente encantado. De tal forma estava em choque (in a positive way that is) que de imediato pus alguns dos seus álbuns a sacar. Acabei de ouvir o seu terceiro álbum, We Sing We Dance We Steal Things (2008) que deixou indicações muito positivas do que esperar de Mraz. Além de se tornar assente quem tem na sua voz um trunfo, é a sua combinação de melodias e géneros, passando pelo som da guitarra acústica combinada com soul, funk, uns scatzinhos e aquele mellow sound tão típico do ambiente laid back de praia/Verão que encontramos a verdadeira essência do artista.
Fica aqui o vídeo que me cativou, cortesia da Blogotheque...
Há uns anos atrás - não sei dizer quantos ao certo - ouvi no carro de um amigo meu uma música espanhola que me chamou logo à atenção. Perguntei o que estávamos a ouvir, ao que o meu amigo disse não saber, visto que o cd não era dele, mas sim de outro amigo nosso que recentemente chegara a Portugal de Barcelona para umas mini-férias. Não descansei até saber que música tinha sido "importada" de Espanha por este nosso amigo comum, que por sinal até apresenta um gosto bastante razoável no que toca a música. Tentei decifrar o que percebia da letra na altura e apliquei o velho truque do "por partes da letra no google e esperar que alguma coisa aconteça". E... assim aconteceu. Descobrira que se tratava de um grupo espanhol chamado Jarabe de Palo, liderado por Pau Donés. Instiguei sobre a música que tanto mexera comigo para apenas descobrir que esta versão acústica encontrava-se escondida algures, estando apenas disponível a versão de estúdio, que embora interessante, não conseguia compensar pela ausência de magia e principalmente aquele clímax final de uma versão carregada de grande simplicidade, mas de maior beleza.
Tendo eu recentemente chegado de Espanha, é natural que a música esteja de alguma forma mais acentuada na minha memória, e como tal, decidi por online no YouTube essa versão acústica para poder partilhar aqui no blog. Espero que gostem!
Segue na integra um texto produzido para promoção de um evento.
Este mesmo evento irá reverter a favor de uma instituição que tem lutado para combater as adversidades que a MADEIRA tem sofrido nos últimos tempos.
Espero que como eu, façam o que podem para divulgar esta acção, que com a nossa ajuda, irá sem dúvida corresponder aos objectivos tão nobres e solidários impostos pelos Portugueses que fizeram para proporcionar esta noite em torno de uma causa de grande importância.
(Texto)
Meus amigos
É nas ocasiões de catástrofe que se põe à prova a generosidade do nosso povo e todos sabemos o quanto solidário é o Povo Português.
Confiamos por isso, que vamos conseguir vender 600 lugares para um Espectáculo no Casino do Estoril, a favor das vítimas da catástrofe que assolou a nossa “Princesa do Atlântico” a nossa bonita Ilha da Madeira que rapidamente queremos ver recomposta e com a dignidade que lhe é própria.
Mª Olímpia Simões, Paula Carvalho, Maria Helena Torrado, Francisco Taborda, Ricardo Carriço, e um grupo de conceituados artistas que neste espectáculo participam, uniram esforços para que o fruto dessa iniciativa, aqueça um pouco a alma de quem tanto necessita de ajuda e simultaneamente encha o coração de quem a ele possa assistir participando com o valor de um bilhete que reverterá na sua totalidade para a Associação Portuguesa dos pobres “SOPA DO CARDOSO” instituição madeirense que foi a primeira a estar no terreno na ajuda imediata às vítimas.
Porque quando se fala de solidariedade, falamos de Amor, este espectáculo terá como base o espectáculo “Amor Intemporal” Poesia encenada que fala de Amor, uma produção de “Confluência Associação Cultural” da autoria de Mª Helena Torrado, com encenação de Ricardo Carriço e representado pelo Grupo de Teatro Confluência.
Nesta noite de Solidariedade participam vários artistas que a esta iniciativa se quiseram juntar:
Luis Represa, Rão Kyao, Ana Lains, Eugénia Melo e Castro, Rui de Luna, Deolinda Bernardo, Mª José Valério e António Calvário, entre outros que ainda se venham a juntar.
Esta iniciativa é apadrinhada pelaSrª Duquesa de Bragança, Exma Srª Dona Isabel de Herédia e pelo nosso querido Actor Ruy de Carvalho
Por aqueles que, são sangue do nosso sangue, juntem-se a nós nesta vontade imensa de ajudar e incentivar a recomeçar uma vida nova.
Este espectáculo, realiza-se no dia 10 de Março às 21h, no Casino do Estoril
Para adquirir os seus bilhetes, faça uma transferência para o Nib: 0038 00011 986711 677 151, BANIF – Associação Protectora dos Pobres “SOPA DO CARDOSO” guarde o talão e apresente-o na entrada, no dia do Espectáculo, para que lhe seja entregue a pulseira de acesso ao Salão Preto e Prata, onde se realiza este Espectáculo
Não dá para descrever o que foram estes 6 dias passados em Valência e Barcelona...
Mentira! Até dá... mas seria preciso despender muito do meu tempo e palavras para tal...
Posso dizer que felizmente obtive praticamente tudo do que queria de ambas as cidades. Conjuguei a vida cultural com a nocturna, embora não o tivesse feito simultaneamente. Acabei por viver mais o ambiente de festa e Erasmus em Valência e fazer a vida de turista intelectual em Barcelona. Isto deveu-se a uma série de motivos que não irei mencionar, no entanto, posso fazer uma retrospectiva do tempo que passou e dizer que estou absolutamente satisfeito com o outcome.
Dos museus, ruas, monumentos... passando pelas típicas "jantaradas", saídas à noite, ida ao estádio (Sim! consegui ir ver Valência vs. Brugge para a Liga Europa)... passei dias inesquecíveis a que também associo às pessoas que connosco se cruzaram. Para começar, os respectivos anfitriões Portugueses a quem deixo uma nota de agradecimento pois sem eles nada disto seria possível. Amigos com que me voltei a cruzar, proporcionando-me um prazer quase nostálgico e sigo depois para a malta que lá conheci. Um pouco de todo o mundo, senti haver uma larga escala de diferentes etnicidades, países e culturas... principalmente em Valência onde, como referi, vivi de forma mais intensa o so-called "Erasmus way of life".
As fotografias que seleccionei foram quase ao acaso, dado a quantidade que tenho em meu poder, todas interessantes com uma perspectiva diferente a oferecer. Quem tiver "a sorte" de ter o meu facebook e tiver alguma curiosidade, brevemente farei um post de algumas para que possam vir a conhecer do vosso computador aquilo que vi com os meus olhos.
Já vos falei certamente da minha "pancada" quando ouço música... tenho esta enorme tendência de fazer videoclips/montagens na minha cabeça de imagens/momentos/frases and so on... é frequente eu "viajar", coisa que tem maior fluência mediante a fase ou situação que vivo presentemente.
Numa altura onde infelizmente predomina a tristeza e caos devido a causas naturais que abalam o mundo de tempo em tempo, é inevitável não sermos confrontados com imagens do que se passa lá fora, nomeadamente Haiti e agora recentemente, na Madeira [1][2].
Penso neste tipo de coisas muitas vezes... talvez porque me seja "forçado" pelos media (é provável que sim), mas independentemente da injecção do tema no nosso quotidiano, é nos meus tempos livres, refugiado nos meus filmes e as minhas músicas que penso nas pessoas que por todo o lado sofrem. Agora foi um desses momentos. E como? Ao ouvir uma música dos islandeses Sigur Rós, chamada Hoppípolla comecei instantaneamente a buscar ao meu "arquivo" (leia-se cabeça) fragmentos que tenho observado nos noticiários. Felizmente, sou um miúdo optimista e como tal, a minha so-called compilação é recheada de esperança, pessoas solidárias que abdicam do seu conforto para contribuir no "campo"... enfim, um "clichézinho" daqueles à filme onde tudo acaba bem devido ao esforço comum feito pelos típicos bons samaritanos que habitualmente se revelam em tempos de adversidade.
Ficam aqui portanto dois versões da tal malha de que falei... sendo a primeira original e a segunda uma cover (a meu ver ligeiramente melhor que a original, embora esta tenha maior carisma de "épica" - não me peçam para explicar porquê)do grupo indie We Are Scientists. Os vídeos curiosamente transbordam de significados polivalentes que se fundem às mais diversas situações (mas isto já está subjacente à leitura de cada um).
Um artista de que gosto bastante é o Sr. Jeff Buckley. Perdão... retiro o Sr. , não por ser auspicioso ao seu ser, mas porque partiu deste mundo muito jovem, e eu quero manter esse espírito "juvenil" ao seu nome e legado.
Mundialmente conhecido pela sua cover do tema Hallelujah, original de Leonard Cohen, é no seu único álbum de estúdio intitulado Grace (1994) que me apaixonei pela arte ali gravada em áudio. Infelizmente, enquanto ele e a sua banda se preparavam para um eventual segundo álbum no meio de outras quantas gravações, digressões e concertos, acontece que em 1997, Jeff Buckley teve um infeliz acidente que lhe custou a vida. Desde então, como acontece com vários artistas em diversos campos, Buckley ganhou um seguimento de culto (inteiramente justificado diga-se) tornando-se um ícone musical não só pela carreira que levara até então, mas pelas suas aspirações e potencial artístico que infelizmente nos vimos privados. Porém, ao longo dos anos foram lançados variadíssimos trabalhos seus mesmo depois da sua morte, continuando de certa forma a carregar o seu espírito.
Mas não é esta abordagem que inicialmente gostaria de ter feito, embora agora que escrevo tenho plena consciência de que seria um crime falar do que se segue sem primeiro contextualizar Jeff Buckley e as suas obras.
(Patrick Watson)
Quando intitulei este post de Jeff Buckley lives on... foi a pensar em outros artistas que mantém um estilo muito próximo do que Buckley nos habituou. Há um que me salta de imediato à cabeça que é o canadiano Patrick Watson, um músico que infelizmente só vim a conhecer à pouco tempo, mesmo sabendo que vinha a Portugal e que vários amigos me aconselhavam a ouvir. Não sei como, nem porquê, mas facto é que só há dias comecei a ouvir. Desnecessário será dizer que fiquei surpreendido (mesmo tendo em conta a expectativa devido aos tais avisos). Obstante das semelhanças da voz, sendo a de Buckley mesmo assim ainda mais memorável e aguda (é de facto das vozes com o pitch mais agudo de que me recordo) é mesmo no estilo fresco e irreverente, longe da camada comercial dominante dos tempos que correm, que encontro em Patrick muito de Jeff.
Não restam dúvidas quanto à qualidade dos Vampire Weekend.
Este ano saiu o seu segundo álbum chamado Contra que certamente figurará nos melhores de 2010!
Fica aqui o (mega) videoclip para o segundo single extraído desse mesmo álbum intitulado: Giving Up The Gun.
No clip, bastante original e artístico, contamos com presenças de personalidades famosas tais como:
Joe Jonas (dos Jonas Brothers), RZA (dos Wu Tang Clan), Jake Gyllenhaal e Lil John.
Adoro a língua. Acho de um charme e requinte como pouco se vê por ai. Apresenta de tal forma uma componente melódica que uma simples conversa podia ser interpretada como uma sonata. Tenho mesmo que reavivar aquilo que aprendi no secundário porque é de facto uma mais valia.
Ao ouvir alguns temas musicais cantados em francês fico preso num leito de palavras singulares que compõem uma história de que pouco percebo dado a barreira linguística, no entanto, fico com a sensação de que estou envolvido. É uma coisa tremenda...
Gosto de fotografia, mas não sou um fã incondicional. Não tenho aquele interesse tão vincado como vejo em alguns amigos meus de ter a câmara topo de gama, de despender horas do meu dia para me deslocar aos mais ínfimos locais à procura de um objecto digno de ser fotografado. Contudo, não deixo de ser minimamente interessado no que toca à sua observação e exploração. Mas não é propriamente uma escolha, isto é, não sou eu que conscientemente tomo uma decisão em observar fotografias e a apreciar (ou não) o seu conteúdo. Sou sempre "arrastado" pelo poder visual que desperta de imediato um lado emocional. Na face de grande expressão e beleza sou incapaz de ser indiferente. Eu e qualquer pessoa. As fotografias podem não ter o mesmo significado e impacto para todos, mas há sempre uma, mesmo que escondida algures, que nos toca de alguma maneira. Como tal, deixo aqui como sugestão o link para um site que contém parte do portefólio de uma amiga minha que se dedica à fotografia como seu hobby, potencialmente carreira se tudo lhe correr com feição.
O seu nome é Rita Espírito Santo e podem encontrar aqui parte seu trabalho.