Tuesday, August 17, 2010

Tenho que retomar esta série...


The Expendables (2010)


Escrito, realizado e protagonizado por Sylvester Stallone, The Expendables (2010) ou Os Mercenários se assim preferirem, é um filme aguardado por mim (e certamente por muitos outros) há bastante tempo... 

Não é por ter um argumento/premissa interessante, nem por ter um preview trailer que arrase... também não é por ser "orquestrado" pelo Sly Stallone, actor que aprecio imenso e a quem atribuo qualidades além de um (icónico) actor de acção...
O que me interpela como sendo o elemento chave que me apelou de forma vigorosa foi o conceito por detrás desta longa-metragem...
"Que conceito é?" Perguntam vocês! A resposta torna-se evidente quando o nosso olhar "cola" no cartaz do filme...



O elenco! No elenco está a resposta... no elenco está a surpresa... no elenco está a razão pelo qual este filme vai atingir um grau de sucesso avassalador!
Basicamente, o meu bem-amado Stallone decidiu reunir alguns dos nomes mais sonantes do panorama cinematográfico ligados ao mundo de acção. Pertencentes a várias gerações, onde se evidenciam principalmente as estrelas que figuraram a época dourada dos anos 80, temos nomes como Jason Statham (belíssimo actor lançado por Guy Ritchie), Jet Li, Dolph Lundgreen, Eric Roberts (em tempos considerado um bom actor - com uma nomeação para Oscar em 85 - que infelizmente entrou num espiral descendente para filmes categoria B), Randy Couture, "Stone Cold" Steve Austin (estes últimos dois, aspirantes no género, tendo construído os seus nomes no UFC e Wrestling respectivamente), Terry Crews (pouca envolvência nos action flicks, mas com potencial), Mickey Rourke e por fim... dois cameos de alto calibre... Bruce Willis (que despontou nos filmes de acção graças à personagem John Mcclane na saga Die Hard) e Arnold Schwarzenegger.

De tal forma é consenso comum que estas últimas duas figuras aliadas ao nome de Stallone seriam tremendas, grande parte da campanha de marketing andou em torno desta reunião. Embora haja quem diga que foi ignorada a "pouca" relevância de Willis e Schwarzenegger dado o seu pequeno contributo, a verdade é que por muito ínfimo que seja o "tempo de antena", não há participação no filme que carregue maior simbologia e (a verdadeira) essência do género acção nas últimas décadas do cinema. Este momento é de longe o mais significativo, tendo provocado em toda a sala (que por sinal se encontrava completamente apinhada) uma ansiedade tremenda aquando da entrada do Governador, que provavelmente só não resultou numa explosão de aplausos por timidez, mas que cedo se quebrou durante o mesmo diálogo com uma saída "brilhante" de Stallone... dando lugar assim aos risos, "berros" e (claro está) os tais aplausos...

Sem ser um bom filme (longe disso), ninguém lhe nega a sua importância enquanto um projecto que procura reavivar um estilo semelhante ao que tornou popular alguns dos nomes mais populares de Expendables.
Violência desmedida (em abundância) e diálogos pouco elaborados (nem há espaço para o "dispara primeiro, pergunta depois"... o que vêm a seguir não é de todo significativo) são alguns dos elementos base que compõem este trabalho. Mas há mais...
Cenas humorísticas, referências da actualidade, clichés e mais clichés... ilustram bem o clássico filme "pancada de meia-noite", assegurando aos espectadores aquilo que certamente estariam à espera de ver... um filme "pipoca" de consumo imediato, sem pretensões a grandeza mas passível de ser considerado uma obra de culto dado a concretização da junção de tanto nome emblemático. Isto garante quase à partida uma boa recepção por parte dos fãs, sendo muito dificil ficarem desiludidos...

Entretanto já se fala de uma sequela... levando muitos a especular que outros nomes se juntarão...
Casos de: Van Damme, Steven Seagal, Chuck Norris, Jackie Chan ou Vin Diesel e Dwayne "The Rock" Johnson, nomes contemporâneos (e já com estatuto de estrelas)

Posto isto, não deixem de ver The Expendables pelo marco que este representa... (isto é, if that's your thing...)


Thursday, August 12, 2010

Sexy MF

Depois do SBSR, um amigo meu andou durante a semana seguinte a ouvir uma compilação dos seus temas favoritos do Prince. Entre eles constava Sexy Motherfucker, um dos seus grandes êxitos. Recordo-me perfeitamente a altura da sua saída e o impacto que teve, principalmente entre a minha geração que ouvia esta música entre risos e murmurinhos. Isto porque o refrão era do mais gráfico que tinha ouvido na época, sendo natural para uma criança ter na ponta da língua aquilo que era interpretado como a música da moda  com uma pitada de "rebeldia" à mistura (sim, porque proferir "asneiras" em inglês já era muito à frente).
Hoje em dia, já com outra maturidade, dou por mim a ouvir Sexy MF e a conseguir ler nas entrelinhas o verdadeiro significado da letra. Aliás, toda a sua base já é bastante self-explanatory, tendo apenas me passado ao lado, porque não conseguia ir além de captar "sexy motherfucker... shakin that ass"...

Quem diria que aquilo que foi em tempos (na minha óptica) uma mera música "ordinária" (dizia eu quando era miúdo), responsável por provocar o aparecimento de novas tendências como foi com o "Pedro Abrunhosa e os Bandemónio" (um claro plágio do verdadeiro Artist), é de facto uma música com o seu "quê" de romantismo, num discurso "agressivo" e directo para com "a mulher dos seus olhos"...


Yo man
What?
She came
Where?
There!
Oh!
In a word or 2 - it's u I wanna do
No not cha body, yo mind u fool

Come here baby, yeah
U sexy motherfucker

Were all alone in a villa on the rivera
That's in france on the south side
In case u cared
Out of all yo friends I wanna be the closest
That's why I tell u things
So ull be the mostest
When it comes 2 life, 2 be this mans wife
U got 2 be well educated on the subject of fights
I mean prevention of
In other words - it's r.e.a.l meaning of this thing called love
Are u up on this?
If so, then u can get up off hug and a kiss

Come here baby, yeah
U sexy motherfucker

Come here baby, yeah
U sexy motherfucker

We need 2 talk about things
Tell me what cha do, tell me what cha eat
I might cook 4 u
See it really don't matter cuz it's all about me and u
Aint no one else around
Im even with the blindfold, gagged and bound
I don't mind
See this aint about sex
Its all about love being in charge of this life
And the next...
Why all the cosmic talk?
I just want u smarter than I'll ever be
When we take that walk

Come here baby, yeah
U sexy motherfucker
Come here baby, yeah
U sexy motherfucker

Horns stand please...

I like it, I like it

U seem perplexed I haven't taken u yet
Cant u see Im harder than a man can get
I got wet dreams comin out of my ears
I get hard if the wind blows your cologne near me
But I can take it, cuz I want the whole nine
This aint about the body, it's about the mind

Come here baby, yeah
U sexy motherfucker
Come here baby, yeah
U sexy motherfucker

Tommy barbarella in the house
Scrub the dishes

Come here tommy, yeah

Sexy, sexy, sexy, sexy

Levi, levi, fly

[ooh man, lets give em some more good shit]

I like it, I like it

Sexy motherfucker shakin that ass, shakin that ass, shakin that ass
Sexy motherfucker shakin that ass, shakin that ass, shakin that ass

Guard your folks and get your daughter
(sexy motherfucker shakin that ass, shakin that ass, shakin that ass)
The sexy motherfuckers so fine I could drink her bathwater
A long, leggy 58
(sexy motherfucker shakin that ass, shakin that ass, shakin that ass)
Packing an ass as tight as a grape
I want to spit some game but I said to myself
Hmmm...just conversate (yeah!)
(sexy motherfucker shakin that ass, shakin that ass, shakin that ass)
Cuz Im usually quite the calm one (come on!)
You never found me out prowling boy
Im just havin fun
(sexy motherfucker shakin that ass, shakin that ass, shakin that ass)
But Im happy 2 change my state of mind for this behind
I bet that if you threw that ass into the air it would turn into sunshine

Sexy motherfucker
That would make shakin that ass
4 one sexy motherfucker shakin this place shakin that ass
Shakin that ass
Sexy motherfucker shakin that ass, shakin that ass, shakin that ass
Sexy motherfucker shakin that ass, shakin that ass, shakin that ass
Sexy motherfucker shakin that ass, shakin that ass, shakin that ass

U sexy motherfucker
Sexy motherfucker
Sexy motherfucker
Sexy motherfucker
Sexy motherfucker
Sexy motherfucker
Sexy motherfucker
Sexy motherfucker
Sexy motherfucker

U sexy motherfucker
Sexy motherfucker
Sexy motherfucker
Sexy motherfucker

Wednesday, August 11, 2010

Tou-me nas tintas para o produto...

... adoro é a mensagem!
(ohh e btw... é montagem o audio, ou seja, não é mesmo o Lennon que está a proferir aquelas palavras... mas fica a intenção)


Tuesday, August 10, 2010

I'll Try Anything Once (demo version)


 
Ten decisions shape your life,


You'll be aware of 5 about,

7 ways to go through school,

Either you're noticed or left out,

7 ways to get ahead,

7 reasons to drop round,



When i said ' I can see me in your eyes',

You said 'I can see you in my bed',

That's not just friendship that's romance too,

You like music we can dance to,



Sit me down,

Shut me up,

I'll calm down,

And I'll get along with you,



There is a time when we all fail,

Some people take it pretty well,

Some take it all out on themselves,

Some they just take it out on friends,

Oh everybody plays the game,

And if you don't you're called insane,



Don't don't don't don't it's not safe no more,

I've got to see you one more time,

Soon you were born,

In 1984,



Sit me down,

Shut me up,

I'll calm down,

and I'll get along with you,



Everybody was well dressed,

And everybody was a mess,

6 things without fail you must do,

So that your woman loves just you,

Oh all the girls played mental games,

And all the guys were dressed the same,



Why not try it all,

If you only remember it once,

Oooh ooooooh,



Sit me down,

Shut me up,

I'll calm down,

and I'll get along with you,



(Okay one more time)

Ever Fallen in Love (With Someone You Shouldn't've)





Um clássico do brit-punk, numa altura onde reinavam bandas como os Sex Pistols e The Clash, e onde surgiam outros grandes como os Joy Division.

Sunday, August 08, 2010

Louie Louie



(uma das coisas boas do filme Knight and Day)

Knight and Day (2010)


O genérico inicial do filme deixa boas indicações... a começar pelo seu realizador...

James Mangold, realizador de poucas, mas boas longas-metragens, tem no seu currículo filmes como Copland (1997), Girl Interrupted (1999), Walk The Line (2005) ou 3:10 to Yuma (2007).

O elenco, não lhe fica atrás...

Tom Cruise e Cameron Diaz nos papeis protagonistas... secundados por Peter Sarsgaard, actor este que tem estado em "altas" nos últimos anos... Viola Davis, mais requisitada depois da sua nomeação em The Curious Case of Benjamin Button (2008)... e por fim Paul Dano, pertencente a uma geração mais nova de grandes actores - pelo menos assim será considerado se manter o nível demonstrado em filmes como There Will Be Blood (2007).

Mas não se iludam como eu, por aquilo que vos acabei de enunciar... O filme em si deixa muito a desejar!
Não obstante das suas características e qualidades inseridas num contexto de típico Summer Blockbuster, Knight and Day (2010) não deixa de vacilar em pontos fulcrais.

Vilão (ou vilões) sem expressão/carisma/interesse, enredo com pouco corpo para agarrar o filme todo, diálogos previsíveis (alguns caem em desuso), cenas surreais - no sentido pejorativo - algumas até mal engendradas dado o uso (e abuso) de efeitos especiais... enfim...

Vale principalmente a química entre Cruise e Diaz, dupla esta que assume "as despesas da casa"! Foram bons os momentos cómicos que ambos proporcionaram. Tom Cruise, que para mim está na lista pessoal dos meus top actors, é um talento que não sabe representar mal... destacando-se sempre em qualquer filme que participa (seja como protagonista, secundário ou até mesmo num cameo... como o caso de Tropic Thunder em 2008).

Cameron Diaz, embora longe de ser uma grande actriz... vale sobretudo pela imagem e carisma! Considero uma escolha acertada para este papel!

Bom  filme para um "Domingo à tarde" (na minha modesta opinião)


Friday, August 06, 2010

Thursday, August 05, 2010

High Fidelity: A Banda-Sonora

Quando disse que a banda-sonora era brutal... não estava a brincar!


1. Everybody s Gonna Be Happy (THE KINKS)
2. I M Wrong Abbout Everything (JOHN WESLEY HARDING)
3. Oh Sweet Nuthin (THE VELVET UNDERGROUND)
4. Always See Your Face (LOVE)
5. Most Of The Time (BOB DYLAN)
6. Fallen For You (SHEILA NICHOLLS)
7. Dry The Rain (THE BETA BAND)
8. Shipbuitding (ELVIS COSTELLO&THE ATTRACTIONS)
9. Cold Blooded Old Times (SMOG)
10. Let s Get It On (JACK BLACK)
11. Lo Boob Oscillator (STEREOLAB)
12. Inside Game (ROYAL TRUX)
13. Who Loves The Sun (THE VELVET UNDERGROUND)
14. I Believe (STEVIE WONDER)


e há mais...
Song Performed by
"I Want Candy" Bow Wow Wow
"Crocodile Rock" Elton John
"Crimson and Clover" Joan Jett & The Blackhearts
"Seymour Stein" Belle & Sebastian
"Jacob's Ladder" written by Rush, performed by Jack Black
"Walking on Sunshine" Katrina & The Waves
"Baby Got Going" Liz Phair
"Little Did I Know" Brother JT3
"I Can't Stand the Rain" Ann Peebles
"The River" Bruce Springsteen
"Baby, I Love Your Way" Written by Peter Frampton, performed by Lisa Bonet
"Jesus Wants Me for a Sunbeam" The Vaselines
"On Hold" Edith Frost
"Hyena 1" Goldie
"I'm Gonna Love You Just a Little More, Babe" Barry White
"Soaring & Boring" Liam Hayes (a.k.a. Plush)
"Leave Home" The Chemical Brothers
"Four to the Floor" John Etkin-Bell
"Loopfest" Tony Bricheno & Jan Cryka
"Robbin's Nest" Illinois Jacquet
"Rock Steady" Aretha Franklin
"Suspect Device" Stiff Little Fingers
"We Are the Champions" Queen
"I'm Glad You're Mine" Al Green
"Your Friend & Mine" Love
"Tonight I'll Be Staying Here With You" Bob Dylan
"Get It Together" Grand Funk Railroad
"This India" Harbhajhn Singh & Navinder Pal Singh
"Tread Water" De La Soul
"The Moonbeam Song" Harry Nilsson
"Juice (Know the Ledge)" Eric B. & Rakim
"Doing It Anyway" Apartment 26
"What's On Your Mind" Eric B. & Rakim
"Good & Strong" Sy Smith
"Mendocino" Sir Douglas Quintet
"Chapel of Rest" Dick Walter
"I Get the Sweetest Feeling' Jackie Wilson
"The Anti-Circle" The Roots
"Homespin Rerun" High Llamas
"Hit the Street" Rupert Gregson-Williams
"My Little Red Book" Love
Músicas mencionadas durante o filme:
Song Performed by
"Little Latin Lupe Lu" Mitch Ryder and the Detroit Wheels/The Righteous Brothers
"I Just Called To Say I Love You" Stevie Wonder
"Leader of the Pack" The Shangri-Las
"Dead Man's Curve" Jan & Dean
"Tell Laura I Love Her" Ray Peterson
"One Step Beyond" Madness
"You Can't Always Get What You Want" The Rolling Stones
"Not Dark Yet" Bob Dylan
"The Wreck of the Edmund Fitzgerald" Gordon Lightfoot
"Many Rivers to Cross" Jimmy Cliff
"Angel" Aretha Franklin
"You're the Best Thing That Ever Happened To Me" Gladys Knight
"Janie Jones" The Clash
"Let's Get It On" Marvin Gaye
"Smells Like Teen Spirit" Nirvana
"White Light/White Heat" The Velvet Underground
"Symphony No. 5" Ludwig van Beethoven
"Radiation Ruling the Nation (Protection)" Massive Attack vs. The Mad Professor
"Landslide" Fleetwood Mac
"Behind Closed Doors" Charlie Rich
"Dry the Rain" The Beta Band
"The Night Chicago Died" Paper Lace
"Point of Know Return" Kansas

(fonte: wikipédia)

High Fidelity...

a propósito do post anterior...



Wednesday, August 04, 2010

High Fidelity (2000)



Não há forma de eu conseguir fazer jus a este filme... 
Admito que em parte seja por falta de capacidade! Talvez por estar demasiado deslumbrado com ele, sinto-me incapaz de corresponder à grandeza evidenciada ao longo dos 113 minutos. Portanto, assumam desde já que há mais para esta longa-metragem do que aqui vou enunciar...

Comecemos...

High Fidelity é uma obra literária escrita em 1995 pelo novelista britânico Nick Hornby, autor de obras como Fever Pitch, About a Boy e An Education... todos estes adaptados para o cinema com sucesso!

Aquando da sua saída em 95, os direitos do livro foram adquiridos pela Touchstone Pictures, tendo esta desenvolvido o projecto durante os três anos que se seguiram. A companhia, através do seu pontífice máximo, encarregou o actor John Cusack e a sua equipa de adaptar o material escrito para a grande tela, tendo mais tarde adicionado o realizador inglês Stephen Frears ao projecto (para os que não estão familiarizados com as suas obras, Stephen Frears ganhou maior notoriedade com The Queen, filme parcialmente biográfico sobre a Rainha Elizabeth II). 

O lançamento de High Fidelity tomou lugar em Março de 2000, tendo desde aí cativado a audiência e critica como um dos melhores filmes do ano, ganhando um grande nível de exposição pelas muitas referencias feitas um pouco por todo mundo, assegurando-lhe um lugar entre os crowd favorites
Hoje ostenta estatuto de filme de culto! É referenciado não só entre os amantes de cinema, mas também os de música pelas suas abundantes marcas musicais, e pelos literários, pela forma como conseguiram transpor com extrema eficácia e qualidade o source material do livro.

A história anda em torno de Rob Gordon (John Cusack), um junkie musical e também conhecedor de outras áreas (nomeadamente o cinema) que procura obter as razões por detrás das suas "top 5" relações fracassadas. ("Top 5" é um sistema hierárquico que a personagem principal e os outros dois empregados recorrem sistematicamente - com maior ênfase para músicas - como forma não só de entretenimento mas também de demonstrar o seu conhecimento)

Rob passa maior parte do dia na loja Championship Vinyl, da qual é proprietário, com os seus dois empregados, Dick (Todd Louiso) e Barry (Jack Black). Discutem música assiduamente e assumem (de "nariz empinado") que são algo superiores aos clientes que por ali passeiam, sendo estes muitas vezes alvos de comentários depreciativos por parte dos três representantes da loja (onde a personagem de Jack Black é claramente aquela que mais abusa).

Num formato intimista, a acção do filme é relatada na primeira pessoa, com a personagem principal a falar para a câmara (como quem consegue ver para além desta, dirigindo-se assim à audiência) muito ao estilo de como um narrador o faz no estilo literário! Desta forma, Rob conta alguns episódios marcantes da sua vida e a forma como estes o afectaram o seu estado actual.
Pela demonstração do seu comportamento e reacções (tanto no passado, como no presente) podemos denotar que Rob é neurótico, que passa algumas crises de segurança, apenas exacerbadas pela sua condição emocional transtornada pelos dissabores da sua vida amorosa. 
Conflituoso, muito pelo seu sentido (apurado diga-se) critico, é visceralmente um romântico ingénuo com pouco controlo das suas emoções, que se apoderam dele (de forma agressiva), passível de o fazer passar por alguém desequilibrado, mas que no entanto não é! Apenas alguém que se deixa envolver em demasia nas suas relações, não tendo real consciência que de facto é muito self-envolved.

É evidente que o filme desenvolve... mas não querendo eu retirar mais surpresas/detalhes/factos, fico-me por aqui... (talvez nem devesse oferecer nenhuma premissa... a minha total ignorância neste caso teve resultados maravilhosos).

Portanto, ficam aqui os meus top 5 (muito ao jeito do filme/obra - mas desta sem ordem hierárquica) argumentos que validam este filme como um trabalho monumental:

- Adaptação de uma obra fantástica (de um autor consagrado) com grande influência da realização primorosa de Frears.

- Interpretações muito boas (destaque para John Cusack e um - energético e irreverente - Jack Black) com Cameos e participações fortíssimas!

- Banda-Sonora de LUXO!

- Referências culturais (musicais e cinematográficas são as mais enfatizadas)

- Demonstração de cenas/reacções com as quais nos podemos identificar, que conjugam um excelente sentido de humor com temáticas sérias e pessoais


Por fim, quero deixar o meu comentário mais pessoal...
(com alguns pontos já mencionados em cima)

Um dos motivos pelo qual o filme me agarrou com bastante força, foi o facto de me rever na personagem principal... tanto nas suas virtudes como defeitos! Esta análise está inserida num âmbito pessoal, visto que foram vários os momentos em que me senti um pouco como se estivesse a olhar ao espelho!

O facto de ser um acérrimo apreciador de música e cinema, de se assumir como um critico e também um analista da sua própria vida (e em algumas ocasiões, dos outros) de forma minuciosa...
(Ahhh... e também ele foi/é DJ, algo que eu próprio experienciei recentemente e que gostaria de voltar a fazer sendo necessário aprofundar "a arte" por detrás de passar música...- mas este argumento acaba por ser o menos relevante)

Estes são alguns dos pontos (mais ou menos) positivos que encontrei... contudo, foi também nos defeitos que me senti ligado a Rob Gordon. Este apresenta from time to time comportamentos neuróticos, por vezes inseguro, com facilidade em "explodir" dado o seu mau feitio... proveniente do facto de ser um tanto pouco snob, por dominar certos campos de conversa. A verdade é que ele próprio conhece as suas limitações e assume-as... mas acredito que isso acaba apenas por lhe conferir maior estatuto na "doutrina" que defende. Isto porque tendo ele essa capacidade de análise e introspecção... acaba por estar um passo à frente dos outros, que levam uma vida inteira à procura das suas próprias virtudes e defeitos.

Acredito que aqui existe um paradoxo, porque no que toca as relações amorosas, Rob evidencia bastantes dificuldades em apontar as razões pelo qual elas não funcionaram (lá está! por ser neurótico e inseguro...). Seja como for, nos "filmes" que decorrem na sua cabeça... acredito que muitos de nós homens (e também mulheres) já desencadeamos uma onda de raciocínio semelhante, aquando da altura em que separam da(o) namorada(o).

Eu que estive muito observador o filme todo, fui de certa forma "obrigado" a fazer uma reflexão pessoal sobre os meus comportamentos (tanto no passado como presente) chegando à conclusão que, embora ainda tenha muito que crescer, já percorri um longo caminho com episódios mesclados de situações decorridas no filme, que contribuíram para o homem que sou hoje e que procuro ser.

Acreditem que por vezes foi penoso observar a personagem de John Cusack em ecrã, pelo simples facto que fui confrontado com muitas das minhas atitudes e maneirismos. Confesso que até senti alguma vergonha, não obstante do facto que tenho em conta que sou um "produto inacabado" numa fase de "retoques e afinação". Convenhamos... o problema de muita gente é não ter acesso a um olhar despido e imparcial sobre a sua própria pessoa... caso tivessem seriam confrontados com vários contra-sensos por se aperceberem que nem tudo era como pensavam, e que afinal a sua actual postura na vida difere em grande nível da postura que assumiam ter.

Independentemente disso, houve alturas (onde saliento a recta final desta longa-metragem) em que senti algum alivio pela esperança que me foi incutida... mas isso já é algo que prefiro não comentar, deixando assim nas vossas mãos perceberem do que falo.

Sei que teria feito melhor figura caso tivesse um bloco de notas comigo durante a visualização de High Fidelity, ou se o visse uma segunda vez... é algo que tenciono fazer num futuro breve... preferencialmente acompanhado! Assim certamente conseguiria  fazer-me entender mais facilmente...


Monday, August 02, 2010

Book of Stories

by: The Drums

uma das minhas malhas favoritas do álbum homónimo...



Friday, July 30, 2010

Escola do Rock


Dei por mim ontem ou anteontem a fazer zapping quando chego ao canal Hollywood. Nessa altura estaria a dar o filme School of Rock (2003) realizado por Richard Linklater com Jack Black, actor este por quem nutro simpatia e respeito enquanto actor cómico...



Aviso desde já que não tenho como intenção fazer a minha apreciação do filme... não querendo isto ser sinal de que se trata de algo de fraca qualidade... muito pelo contrário... trata-se de uma comédia musical bem elaborada de facil degostação por todas as idades!

Apenas quero focar em um dos seus pontos mais fortes, que a meu ver, é algo de extrema importancia, principalmente para as gerações mais jovens a quem o filme se destina!

Esse ponto forte de que falo é a passagem de conhecimento e informação musical ligada ao mundo do Rock.

Nota-se que falta nestas novas gerações a passagem de testemunho no que toca às bandas lendárias como Led Zeppelin - a quem a personagem de J.B faz logo referencia aquando da sua apresentação à turma, perguntando se conhecem Jimmy Page (lead guitar) ou Robert Plant (vocalista)...

E não é por falta de acesso visto que a internet exerce uma super influência na propagação de cultura nos seus mais diversos ambitos...

Como tal, o filme acaba por apresentar de forma abundante, alguns dos mais emblemáticos grupos da cena musical como Jimi Hendrix, Deep Purple, AC/DC, The Who, Ramones, The Clash, The Doors, Kiss, Black Sabath, Cream, The Stooges, entre outros...

E mais do que oferecer nomes do Rock, disponibilizam bastante matéria teórica... fazendo assim jus ao nome desta longa-metragem, que de facto é (nas suas diversas dimensões) uma "Escola do Rock"!

Desta forma, deixo aqui os meus agradecimentos à equipa por detrás da "fabricação" de School of Rock pela sua relevância na educação de todos nós... 

O grau de enriquecimento que providenciam não tem preço, ficando apenas ao cargo da sua audiência instigar sobre o assunto e dar inicio (ou continuação) às sessões culturais que posso afirmar... assumem proporções épicas!

Tuesday, July 27, 2010

Lições: Scrubs


Não há muito tempo, escrevi um post sobre Scrubs... uma das séries que ando a acompanhar! Ao longo do texto fiz algumas comparações e referências a Greys Anatomy, pelo seu conteudo por vezes mais sério e apelativo à reflexão. 

Embora Scrubs seja um programa que se destaca pelo seu teor cómico, é de louvar as abordagens pouco convencionais que às vezes fazem para passar uma determinada mensagem.

Hoje deixo-vos aqui uma...
 ...em jeito de musical... 

(naturalmente fará mais sentido e terá maior impacto caso estejam contextualizados com o episódio e com toda a cena relacionada com a paciente de encarnado... talvez escusado pôr aqui este vídeo, mas foi dos momentos que mais me deixou sensibilizado)

Friday, July 23, 2010

Inception (2010)


Há mais de um ano que aguardava ansiosamente o lançamento deste filme! 

Desde que vi pela primeira vez o trailer no site da Apple, sabia que estava perante um dos trabalhos mais significativos do realizador Christopher Nolan, que conta nas suas fileiras com filmes como Memento (2000), The Prestige (2006) ou The Dark Knight (2008). No entanto, foi depois de ter visto o trailer no cinema que fiquei completamente "obcecado" (não levem à letra... é uma palavra muito forte) com Inception! Para aqueles que o viram nas mesmas condições que eu, certamente saberão do que estou a falar. 
O impacto é avassalador... pela imagem, pelo som que estremece com a sala... pelo conjunto de cenas seleccionadas para provocar os sentidos do espectador...



Escrito e realizado por Christopher Nolan, esta obra de arte conta com um elenco de luxo, que mistura diferentes gerações e talentos. A começar por Leo DiCaprio e Joseph Gordon-Levitt (dois dos meus actores favoritos... aqui o nosso Gordon-Levitt então... é alguém que sistematicamente faço boas referências [1] [2]), passando por Ellen Page (actriz formidável com um grande futuro à sua frente), Marion Cottilard (lindissima, elegante e super actriz), Ken Watanabe (quem o viu por exemplo em Letters from Iwo Jima (2006), sabe do que este homem é capaz), Cillian Murphy (tremendo actor que merece mais oportunidades nos EUA do que as lhe são concedidas), Michael Caine (a dar por breves momentos "ares da sua graça"), Tom Hardy, ainda Tom Berenger (actor veterano com uma carreira que "colapsou", mas a quem não lhe nego talento) e por fim (com uma pequena participação) Lucas Haas (a quem parecia estar destinado uma boa carreira, mas que até ao momento parece não ter singrado... oscilando entre alguns filmes bons/razoáveis e muitos simplesmente terríveis).

Um dos melhores elogios que posso fazer a Inception, e claro está, ao seu realizador, por ter sido o master mind, é afirmar que o filme se evidencia com particular destaque pelo seu grau de inovação numa altura onde os remakes, reboots e adaptações de livros e bandas-desenhadas são frequentes! 

Aqui temos um sonho dentro de um sonho e todas as suas diversas camadas, ao alcance de poucos... Nolan revela mais uma vez aptidões que lhe conferem estatuto de visionário... sendo natural que ostente um lugar entre os melhores realizadores (se não o melhor) da sua geração...


Enfim...

Porque não há mais nada que eu possa queira dizer...
fico-me por isto:

se Inception (2010) é um sonho, então por favor...

... não me acordem!






Thursday, July 22, 2010

A-Team (2010)



A-Team (2010) ou Esquadrão Classe A como é conhecido entre nós portugueses, é uma adaptação da famosa série televisiva dos anos 80 para a grande tela.

Depois de muitos anos a tentar levar este projecto para a frente, tendo sido associado a diversos realizadores e argumentistas ao longo dos anos, finalmente deram corpo a uma ideia que deambulava de estúdio em estúdio e de produtor em produtor.
Ainda o ano passado estavam a considerar John Singleton para tomar rédeas do projecto, com rumores da inclusão de nomes como Bruce Willis, Ice Cube ou Woody Harrelson.

Depois de muita conversa, finalmente é aprovada a realização do filme  e eis que ele chega às nossas salas de cinema.

Realizado por Joe Carnahan (popular por filmes como Narc e Smokin' Aces) e produzido pelos irmãos Ridley e Tony Scott (entre outros produtores), este blockbuster de Verão optou por tomar uma abordagem diferente relativamente ao que a série nos habituou, nunca abdicando da verdadeira essência que  fez do Esquadrão Classe A um sucesso na televisão.

Contextualizado nos dias de hoje, com a realidade do exército Americano muito assente nos conflitos desenrolados no Iraque, o filme começa em jeito de prequela, ou seja, a revelar cenas passadas que levam à origem da formação do quarteto protagonista, algo que a série nunca mostrou (apresentando-os já como equipa em pleno julgamento "por um crime que não cometeram"), bem como outros detalhes, como por exemplo a explicação para o medo de B.A (um Ranger pára-quedista!) em andar de avião!

Rico em acção e com momentos repletos de humor, estamos perante uma obra que combina estes elementos primorosamente à procura de providenciar perto de duas horas bem passadas. Certo que existem muitas cenas exageradas... impossíveis até... mas que de certa forma acabam por ser aceites em nome do entretenimento.  Além do mais, penso que estejamos todos habituados às hipérboles cinematográficas destes êxitos de verão (ainda para mais enquadrados no género de acção). Facto é que também sentimos por parte do realizador e na forma como este "lidera a execução do seu trabalho" uma determinada postura que assume todo o exacerbamento impregnado um pouco por todo o filme. No entanto, é com prazer que vemos uma longa-montagem desinibida e despida de preconceitos, que asseveram certamente um olhar critico pelos pseudo-intelectuais, cuja maioria das vezes ignoram o facto que nem todos os filmes são feitos sob o condão da vertente artística, mas também da fantasia incrementada naquilo que aparenta ser uma representação do real.

No que toca ao elenco, este assenta bem nos respectivos papeis!

Destaco:

Liam Neeson as Coronel John "Hannibal" Smith, por carregar a chama de líder que tão bem assentava em George Peppard back in the day...

Bradley Cooper como Tenente Templeton "Face" Peck, pelo seu sentido de humor e charme apurado (é de facto um galã)

Sharlto Copley como Murdock, que evidencia-se pelas semelhanças "loucas" com que Dwight Schultz se destacou.

Quinton "Rampage" Jackson enquanto Capitão Bosco "B.A" Baracus pelo facto de  apesar da onda de dúvidas (e alguma contestação) relativamente ao seu casting para a personagem representada em tempos pelo "lendário" Mr. T, ter conseguido acertar bem com a sua representação.

Jessica Biel e Patrick Wilson correspondem... principalmente o último que lhe dá um "toque diferente"... (mas "ver para perceber")

Mesmo com a mudança de rumo aplicada ao filme, podemos constatar vários elementos que evocam referências à série, ficando a sensação que continuam fieis ao produto original. Seja no visual, na carrinha,  nas armas (a primeira vez que vejo o Coronel "Hannibal" Smith munido de uma arma, é a clássica da metralhadora que usavam na série) ou no comportamento das personagens - onde o maior desafio seria o Murdock pois, como diz (e bem) Joe Carnahan, a definição de louco antigamente e hoje são totalmente distintas, sendo que nos dias que correm pouco nos choca.

Enfim...Podem encarar este filme como um produto descartável... better yet... comida fast food... mas é aquela que vos recomendo a levar o vosso tempo a apreciar, porque de facto...

...sabe mesmo bem!!

I love it when a movie comes together... tenho dito!




Tuesday, July 20, 2010

SBSR 2010


Cansado, mas contente! É assim que regresso a Cascais depois de dias intensos vividos no Meco, onde estive para marcar presença no Festival Superbock Super Rock, pela primeira vez na minha vida.

Dado os recentes acontecimentos que me levaram a adiar uma hipotética viagem a Buenos Aires, decidi investir algum do dinheiro que tinha colocado de parte para ver uma série de bandas que compunham um dos cartazes mais recheados de talento este ano. 

Sabendo que dois amigos próximos da faculdade, iam inseridos num grupo "absurdamente gigante", não me logrei de fazer convidado para a festa.
Grande maioria já se conhecia, algo que se evidenciava desde o inicio pela intimidade com que se metiam uns com os outros, tornando-se ainda mais evidente com conversas que foram decorrendo. Certo e sabido, o espírito "festivaleiro" já se encontrava instalado no acampamento, bem antes de as pessoas começarem a aparecer com as tendas.

Embora não conhecesse grande parte da malta, algo que confesso ter condicionado em parte o meu comportamento (é natural que não me sinta tão à vontade comparativamente a um meio rodeado de amigos próximos), desde cedo fui-me entrosando na certeza que estava "bem acompanhado" - no sentido em que sendo eles grandes amigos de pessoas com quem tenho uma excelente relação, poderia facilmente deduzir que se tratava de boa companhia, contribuindo para aquela ocasião algo muito forte que tínhamos em comum: o amor pela música.

Naturalmente, poderia haver pessoas que iam mais pelo ambiente proporcionado pelo evento ou  pelos amigos presentes... outros poderiam ir à descoberta de novos sons e tendências...
Enfim... Pouco importa os motivos... o certo é que estavam lá com atitude "festivaleira".

De quinta a segunda-feira saímos de lá com poucas horas dormidas, subnutridos e com todo um cansaço acumulado pelas horas expostas ao sol ou pelo tempo levado de pé a assistir a múltiplos concertos pelo dia fora... mas nem por isso se fazia sentir qualquer tipo de desanimo. Isto porque éramos sistematicamente "alimentados" por bons concertos (alguns dos quais electrizantes) que felizmente fizeram deste festival um sucesso (não ignorando o vacilo que foi toda a problemática do pó que fez a "vida negra" ao pessoal, entre outros), aliado também obviamente aos momentos "não musicais" na praia, no carro ou no acampamento.

O ritmo manteve-se alto durante o festival, com uns a zelar pelos outros, de forma a manter todos em perfeita sintonia no que toca à "presença e atitude".
Pelo grupo que lá estava no nosso espaço - inicialmente de luxo - passando pelos excelentes dias de praia, pelos cânticos que se fizeram ouvir um pouco por todo o Meco (e de forma especialmente acentuada no acampamento - "ôôôô ôôô ôôôô ôôô"), acabando com algumas bocas rebuscadas repletas de "bazófia" (termo este que acabou de entrar no meu  vernáculo em construção), posso através da minha experiência pessoal condecorar o ambiente com "medalha de mérito", tendo particular destaque os "putos de Lisboa" que sabem animar as coisas em grande estilo.

Mas falando da música...

(o que eu vi, com comentários aos destaques...) 

Dia 16:

Mayer Hawthorne 
Beach House
Grizzly Bear 
The Temper Trap
Pet Shop Boys (pouco mais de 20m e com pouca atenção) 

Perdi: St. Vicent, Keane


Mayer Hawthorne, cantor que conheço pouco mas que marcou pontos! Maybe So, Maybe No, com todo o seu funk e soul de fácil entrada no ouvido, é claramente o seu cartão de visita... um gajo para eu tomar em conta no futuro!


Beach House, deram inicio ao meu programa musical do Meco!
Impregnados pela voz de Victoria, que se fazia sentir em cada melodia, apresentaram-se  em bom plano com muitos temas do seu último álbum Teen Dream. Norway é para mim destaque, visto que é um som que me acompanhou durante imenso tempo, aquando da época onde os Beach House começaram a comparecer com assiduidade nas minhas escolhas musicais diárias! Não são banda para saltos, porque assim a música deles não lhes permite, não querendo dizer que as pessoas estivessem em vias de "adormecer". É um grupo que agarra o público, por muito minimalista que seja o seu estilo musical (à semelhança também de Grizzly Bear, que tocariam mais tarde).


Grizzly Bear entram no top 5 concertos de todo o festival... que prazer foi ouvir o tema Two Weeks ao vivo, ainda para mais com a colaboração de Victoria (dos Beach House) que fez a amabilidade de subir ao palco para contribuir com a sua voz! Veckatimest foi, sem surpresas,  o trabalho que mais se fez sentir em palco. Eleito por muitos críticos como um dos melhores álbuns de 2009, é com naturalidade que os temas desse seu ultimo projecto fossem aqueles que mais vincados ficaram na memória da plateia.



Temper Trap, os mais mexidos numa noite composta pelo registo soft e discreto mais apto para a apreciação do que os saltos, contudo, aqui os australianos agitaram as coisas com um pouco mais de energia e principalmente com aquele grande hino musical que é Sweet Disposition, tema MONUMENTAL, que certamente deverá ter evocado em todos nós uma alegria imensa de estar ali. Infelizmente (conhecendo o resto do seu álbum como eu conheço) penso que os restantes temas, embora não sendo maus, ficam muito aquém do seu maior "peso pesado".



Dia 17:

Julian Casablancas
Hot Chip  
Vampire Weekend 
perdi: Holly Miranda e Patrick Watson


Julian Casablancas, vocalista dos épicos The Strokes, veio a Portugal promover o seu reportório a solo. Sinceramente, não sou grande fã desta sua iniciativa, principalmente quando comparado com os outros projectos paralelos de membros dos Strokes. Casos de Albert Hammond Jr., também ele a solo e Fabrizio Moretti, na banda Little Joy ... 
Contudo não era concerto para deixar passar ao lado. Perdi as duas primeiras músicas, tendo as ouvido um pouco à distância enquanto me apressava para entrar no recinto. Entre as músicas que perdi (não fosse isto o karma a trabalhar para castigar o meu atraso) estava Hard To Explain, evocando Is This It (2001), dos Strokes... 

Uma bela premissa para o resto do seu reportório. Ainda cantei sozinho, como quem canta em pleno chuveiro (e assim foi)...  "fantasiando" ao mesmo tempo aquilo que poderia vir a ser Casablancas em palco! Corri ao mesmo tempo que comia um pouco de pó e juntei-me ao pessoal. Curti um concerto que pecou pela curta duração... Pareceu pouco mais de meia-hora, o que sinceramente é quase um ultraje, principalmente para um gajo que (na minha opinião) procura afirmação a solo, na tentativa de se dissociar enquanto líder dos Strokes. Entretanto já li que Julian Casablancas acabara por se sentir mal disposto por causa de algo que comeu, sentindo a necessidade de "fugir" do palco... Fica para a próxima Julian!







Hot Chip, foi interessante embora tenha a dizer que não faz de todo o meu género. Não me pareceu na altura quando ouvi o álbum One Life Stand (2010), sendo depois confirmado com a sua performance ao vivo. Confesso que com o decorrer do concerto, dei por mim um pouco a perder interesse e a entrar em conversas paralelas com as pessoas que se encontravam ao meu lado. Falha da minha parte, visto que com um pouco mais de atenção talvez viesse a apreciar mais os ingleses.


Vampire Weekend, assegurou nessa mesma noite um lugar no pódio, muito provavelmente no primeiro lugar! Divertido, intenso e bem mexido, o quarteto de Brooklyn deu o mote para um concerto com muitos saltos, cânticos e crowd surfing (algo que involuntariamente também participei tendo sido levantado no ar...) Digo-vos meus amigos... senti-me mais leve que nunca enquanto pairava (mesmo que num curto espaço de tempo) em plena atmosfera a contemplar o palco e audiência ao rubro! Dancei e dancei ao som de malhas retiradas do seu primeiro álbum homónimo (2008) e de Contra (2010). 

A abrir com Holiday (que apropriado!), passando por outros temas como Horchata, Oxford Comma, Giving Up The Gun (um dos temas mais discretos do grupo, na minha opinião) e (o muito bem recebido) Cousins, o pessoal encontrava-se em pleno extase, mas certo e sabido, as pessoas foram à loucura com A-Punk, onde inconscientemente lancei-me na frente, sendo arrastado num "moche" violento colado às grades junto ao palco. No final tivemos direito ao tema Walcott (uma das minhas músicas favoritas dos VW) ainda mais valorizada por mim, por ter sido a eleita para encerrar um concerto inacreditável, onde me senti mais "em casa" do que nunca!
 





Dia 18:
  
The National
John Butler Trio 
Prince
Empire of the Sun 
perdi: Spoon, Stereophonics, Wild Beasts, Sharon Jones & The Dap Kings - dizem que foi fantástico - e Morning Benders.
Este dia ficou marcado pela negativa e positiva... 

Negativa - porque de tantas bandas que queria ver, perdi uma "porrada" delas (como acima mencionado)! Em parte alguma negligência da nossa parte, mas também fruto da má organização do SBSR que inventou uns caminhos "mal paridos" de acesso ao recinto, provocando um trânsito insustentável. 

Positiva - porque dos quatro concertos a que assisti, três entraram para o meu top 5 de todo o festival (John Butler Trio, The National e Prince)


The National, grupo que só despontou para o êxito comercial no seu terceiro álbum Alligator em 2005, tornou-se uma das grandes referências do indie-rock com o lançamento de mais dois projectos aclamados pela critica e público: Boxer (2007) e High Violet em 2010 (ver o meu comentário aqui). Sempre num registo melancólico, com letras (aparentemente) muito pessoais... é sempre intenso ver (e ouvir) a forma como Matt Berninger se entrega ao vivo! Moderadamente foi incrementando força em cada música que canta, chegando sempre ao culminar desconcertante, passível de ser tudo menos lúcido e sóbrio! Com um punho cerrado e a outra mão firme no microfone entoa temas como Afraid of Everyone, Available ou About Today (incrível). Músicas em todos os sentidos, poderosas... que apelam à sensibilidade do público que ali corresponde com uma recepção muito boa!
Fake Empire foi - na minha modesta opinião - o ponto alto do concerto (ao ponto de me deixar completamente arrepiado)! Pena não terem tocado a minha malha favorita, Sorrow, com que tenho uma ligação pessoal!




John Butler Trio, a par de Vampire Weekend, os melhores de todo o Festival! 
Enquanto Prince não entrava em cena, telefonei a um amigo para saber por onde andava. Este disse estar no Palco EDP à espera de ouvir um grupo que não conhecia... quando perguntei quem eram e ele responde John Butler Trio, desliguei o telefone e caminhei para lá... caminhei salve seja... a caminhada depois transformou-se num sprint! Isto porque JB Trio era um dos nomes que ansiosamente aguardava para ver! 

Detentor de toda a sua discografia, estava convicto de que seria um dos maiores shows!  
Se havia dúvidas em relação a esta minha afirmação, foram logo dissipadas pelo começo do concerto, com Used to Get High, que não deixou margem para qualquer tipo de contestação... em tons de praia, mesclados com blues e rock, a malta vibrou ao som de uma panóplia de instrumentos que convergiam em palco, dispondo de uma harmonia tremenda. Fosse na guitarra/baixo/bateria (base estrutural) com acréscimos do banjo, slide guitar e instrumentos de percussão! Terá sido porventura ingrato os horários coincidirem com o cabeça de cartaz de todo o festival (Prince), no entanto, o palco EDP permaneceu quase cheio com muito "boa onda" no ar... 
Felizes aqueles que assistiram (como eu) ao concerto na integra, saindo dali radiantes depois da exposição à musica contagiante de JB. Solos de alto calibre (riff's de guitarra foram um "mimo", bem como a bateria e o baixo), coreografias de cânticos com o público, momento a solo de JB com guitarra acústica (Ocean! Inacreditável) e outros quantos momentos e detalhes que perderia um dia a enunciar! Seria de louvar alguém que fosse extremamente minucioso na review a este concerto, (presumo eu) subvalorizado por muitos...
Lamento o facto de não terem tocado Hello nem Company Sin... mas... de que me queixo eu? Foi um concerto brutal!




Prince, o "actor principal" (da perspectiva de organizador do evento)!
Não sendo um ávido seguidor da sua carreira, tendo eu um conhecimento limitado do seu portefólio, reconheço-lhe o estatuto de estrela, concedido pelos seus inúmeros álbuns bem como pelos concertos lendários (cada vez mais raros em termos de "quantidade/oferta"). 
Eu perdi os primeiros cinco temas por estar no palco EDP, completamente mergulhado na sonoridade de John Butler Trio, mas pouco importa... pois o melhor da noite ainda estava para vir (embora já tivesse perdido um ponto alto... a cover do tema Nothing Compares To You da irlandesa Sinead O'Connor)!


Aquando da minha entrada no concerto, depois de romper uma imensa multidão... começa Cream, seguido de um chamamento funk, ao qual o público responde à letra com aquela predisposição totalmente hip...
 Pouco depois faz-se acompanhar pela nossa Ana Moura, presença já anunciada com antecedência, pela vontade de Prince em assegurar o dueto com a fadista. Cantou-se A Sós com a Noite e A Casa da Mariquinhas, lideradas pela guitarra de Prince e (claro está) pela a voz de Ana Moura! O público, orgulhoso pela cena que ali se proporcionava, sentia a fasquia cada vez a ficar mais elevada!
Kiss e (principalmente - para mim) Purple Rain dão aso aos dois momentos mais musicais de toda a noite por parte da audiência, cantando as letras (que sabem de côr e salteado). Chega o segundo encore (algo que não deixa de ser curioso, visto que foi a primeira vez que presenciei um encore em todo o festival) com o tema Dance (Disco Heat), cover de um original de Sylvester. Ficaram por tocar Party Man (um dos meus temas favoritos) retirado da banda sonora do Batman (1989) de Tim Burton, When Doves Cry e The Most Beautiful Girl in The World.



Empire of The Sun, concerto que se transformou num one man show há largos meses, dado as desavenças entre o duo australiano. Marcou-me pelo espectáculo em palco, mas pouco mais. Não se tinha gerado o clima a que aspirava para um final de festival... talvez porque o cansaço começasse a tomar efeito ou porque a minha passagem pela tenda electrónica tivesse esmorecido. 


Seja como for, estava satisfeito... tivera sido um dia em grande, por todos os factores que dizem respeito a este festival...
...a música, praia, o sol, a companhia... os encontros e reencontros... 


Creio que dificilmente consigo fazer justiça ao que estes dias foram, através de um post. Por muito que escreva e por muito que tente, há determinadas coisas que as palavras não conseguem passar, sendo escusado da minha parte tentar elucidar as pessoas para o que foi a minha experiência através deste testemunho. No entanto, fica a marca escrita do que foi o 16º SuperBock Super Rock, com dedicatória especial aos que comigo partilharam este evento (e tudo o que vem com ele), mas também aos que lá marcaram presença e que, de alguma forma, se identificam com o que aqui relatei!

Agora próxima paragem (hopefully): Paredes de Coura