quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Black Swan (2010)





Tivesse eu visto Black Swan ainda em 2010 e seria inquestionavelmente o número 1 da minha lista!
É de facto uma obra prima e corresponde a toda a expectativa criada à volta deste filme... 

Darren Aranofsky é genial como tem sido sempre, com uma realização muito próxima do que nos ofereceu em Requiem for a Dream (2000) - para mim, a sua grande master piece. Muitos close-ups, cenas de teor gráfico, personagens obsessivas (o papel de Mãe - desempenhado por Barbara Hershey - faz-me lembrar em certo grau Ellen Burstyn), intensidade tanto visual como sonora - fruto de um excelente trabalho de Clint Mansell, colaborador habitual de Aranofsky, que tão bem soube adaptar os temas de Tchaikovsky. Aliás, é mesmo na obra deste senhor que o filme revela ter obtido inspiração. 

Para os que não sabem, uma das obras mais aclamadas de Tchaikovsky é o "Lago dos Cisnes" (Swan Lake), que insurge como tema predominante desta longa-metragem, não fosse ele focar na preparação dessa mesma obra por uma das companhias elitistas do meio do ballet.

Natalie Portman é Nina Sayers, uma das bailarinas mais dotadas da companhia a quem é destacada o papel principal de Swan Lake. Apesar da sua técnica e qualidade, Nina demonstra uma série de fraquezas associadas à sua personalidade e feitio! É frágil, tímida, com muito pouca apetência para experimentar... para não falar de que é uma rapariga completamente oprimida e insegura, consequência directa da educação que lhe foi dada pela sua mãe - também ela "artista" -, que tanta pressão lhe coloca em cima (quase como quem quer compensar pela sua falta de talento). É seguramente a candidata ideal para desempenhar o "Cisne Branco", mas terá que eventualmente se "soltar mais" de forma a encarnar o "Cisne Negro"... e é nessa caminhada até à sua transformação, que a audiência acompanha Nina, muitas vezes em completa aflição e sufoco.

Um papel que certamente lhe irá conferir (com todo o mérito) a estatueta na cerimónia dos Oscars, depois de ter ganho praticamente todas as outras galas e afins até ao momento! É de facto inacreditável a sua prestação!

Mas nem só de Portman vive este filme...
Vicent Cassel, Mila Kunis (surpresa), (a já mencionada) Barbara Hershey e Wynona Ryder (a tentar voltar  - com êxito diga-se - ao cinema) são os que mais oferecem ao filme, além da protagonista!

Recomendo veemente que corram ao cinema para ver este filme... suscitará reacções fortes, mas tudo susceptível de ser encarado como uma necessidade na fabricação do que será um clássico do cinema!

2 comentários:

Matilde Neffe disse...

Na minha opiniao, Wynona Rider surge no casting deste filme quase como um favor de um eventual amigo na produção, deixando muito a desejar tanto na representação como na pouca profundidade e relevância da sua personagem...
(spoiler)
Para alem disso, cenas como o partir das pernas da personagem principal a uma dada altura e a constante mudança que se fazia notar no lado das costas em que Nina tinha os arranhoes, tiraram alguma credibilidade ao seguimento...
Achei, no entanto, um bom filme, principalmente no que toca ao uso alegorico das cores e da musica e na filmagem de pormenores. Das melhores prestações de Natalie Portman embora so mesmo na cena final me tenha convencido realmente disso.

Matilde Neffe

Duartinho disse...

Na minha opinião a participação da Wynona Ryder serve apenas para criar um momento em que vemos uma passagem de testemunho do que foi outrora uma favorita da personagem de Cassel. No pouco tempo que esta participa, gostei do confronto acesso, depois de ter sido anunciado a entrega do Cisne a Nina. Um ou outro momento serve de exemplo também para um contributo que para mim é mais do que meramente sólido. Favor ou não, gosto de pensar que é o concedimento de uma nova oportunidade ao que foi outrora uma actriz promissora. Com este filme e o Star Trek, são dois os filmes com grande visibilidade em que ela participa em tempos muito recentes!

As cenas a que te referes são ilusões/fantasias, ao que não deveriam interferir com a tua atribuição de credibilidade. São demonstrações de uma natureza obsessiva e mutiladora, por parte de uma miúda que em nome da sua arte, sacrifica inúmeras vezes o seu corpo! É também uma clara referência à sua mutação psicológica, igualmente demonstrada pelo realizador através de uma transformação física!

Concordo contigo no que toca a cena final como sendo a mais convincente, contudo, acho que do inicio ao fim ela está incrivel... a cena é que à medida que a personagem vai "evoluindo", vai também ficando mais interessante. Começa um pouco como "pãozinho sem sal" e sinceramente, começava a haver pouca paciência para uma personagem que era constantemente uma vitima! Precisava de um abanão, e assim aconteceu! Passar de uma fase para outro, de forma tão natural e convincente. Foi a execução perfeita de "pólos apostos"