sábado, julho 10, 2010

Dee Dee - Um tributo a Billie Holiday, no Casino Estoril


Este ano, infelizmente, as datas do Festival Estoril Jazz e Optimus Alive coincidiram, não me sendo possível marcar presença nos dois. Fiquei-me apenas pelo dia 8 de Julho em Algés, tendo dia 9 e 10 pela frente o cartaz do Jazz. É uma pena, pois dada a oportunidade gostaria de conseguir ver e ouvir tudo, porque ambos os cartazes são de valor, contudo, caso tivesse de escolher (porque não tenho essa opção visto que trabalho no jazz), a minha decisão poderia pender para os lados do Optimus por ter tanta banda para ouvir durante o dia. 

A verdade é que ali fiquei, dia 9 de Julho, durante o ensaio de som até à chegada da nossa artista da noite, para realizar que não havia forma de me preparar para o que se seguia.

Num auditório cheio, composto na sua maioria por pessoas "já de certa idade" (a malta jovem andava provavelmente toda por Lisboa), Dee Dee Bridgewater, um dos nomes mais sonantes do meio musical (não fosse ela uma diva talentosa), entra em palco acompanhada por Edsel Gomez (pianista e director musical), Kenny Davis (Contrabaixo), Lewis Nash (baterista) e Craig Handy (Sax Tenor e Flauta). 

Elegante e bem disposta, abordou logo o público apresentando as suas ideias para a noite, que se cingiam basicamente a tocar o seu último álbum Eleanora Fagan to Billie with Love From Dee Dee Bridgewater

(capa do álbum que promoveu durante o concerto de sexta-feira, no Casino Estoril)

Este seu projecto consiste num tributo à grande Billie Holiday (Eleanora Fagan é o seu birth name), cantora com uma história trágica de uma imensa importância para o mundo "jazzístico" pelas suas contribuições. Melhor dito, a mulher é um ícone e uma das melhores cantoras de todos os tempos!

Portanto, a sala podia facilmente deduzir que o serão musical prometia... 
Combinar uma artista como a Dee Dee (e o seu - fantástico - quarteto) com um reportório de fino trato como é o de Billie, era assegurar uma noite inesquecível. 

De facto assim foi, como há muito eu não via... um espectáculo ao alcance de poucos, não só pelo que se passou musicalmente, mas também pela boa disposição e química que se fazia sentir em palco e que por sua vez, passava "cá para fora" (algo que em muitos momentos da noite fez-me lembrar a minha Mãe, por todo o seu star quality e bom astral em palco). Era caso para dizer que estavam absolutamente onfire!

Dee Dee evidencia um carisma e um comportamento em palco sobrenatural, no sentido em que é logo salientado o seu à vontade no palco, remetendo para a ideia que por ali "nada como peixe na água" (como diz o outro). Falou, falou falou... brincou... fez inúmeras referencias ao público e a outras coisas que lhe passavam pela cabeça sempre contextualizadas e mantendo elegância e classe. Com um sentido de humor apuradíssimo, caiu imediatamente nas "graças" da audiência que ora se esperneava de riso ou pelo calor da sua voz. 

E os músicos... OS MÚSICOS! Todos tiveram direito à sua "quota". 
Completamente mergulhados num intenso espírito de equipa, puxaram uns pelos os outros e encadearam a sala com o seu talento, que se evidenciava sempre de forma mais intensa à medida que o tempo passava.

- Lewis Nash just wiped us all out! dizia Dee Dee depois de um solo de bateria brutal!

Muitos foram os elogios lançados pela Miss Bridgewater em palco, a todos os que ali tocaram.. fossem através de palavras proferidas (para quem lá esteve, os piropos tiveram muita piada!) ou de reacções compulsivas e estonteantes...

Durante mais de hora e meia (com direito ao habitual encore), foi o momento da despedida a altura mais penosa de toda a noite. Depois desta sessão recheada de pérolas, foi sob uma chuva de aplausos e berros/gemidos (entre elogios murmurados) que os artistas abandonaram o palco. 
Eu, que tenho como uma das benesses deste trabalho, ter liberdade para deambular backstage não perdi a minha oportunidade de me juntar aos músicos para os congratular pela noite espectacular providenciada. 
Mesmo entre eles pareciam não acreditar no que se tinha passado, tendo sido unânime que hoje deveria ter sido gravado, dado o grau de excelência e espontaneidade ali praticado.

Felizes aqueles que presenciaram este grande espectáculo, em todas as suas habituais dimensões, que será certamente um que muito recordarão para o resto das suas vidas!

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