sexta-feira, dezembro 31, 2010

The Ghost Writer (2010) | Fair Game (2010)




















São dois dos filmes que vi recentemente mas que por um motivo ou outro acabei por adiar o seu respectivo comentário. Tendo sido ambos  bastante do meu agrado, não podia deixar de fazer referência no blog, ainda para mais num ano onde escasseiam filmes merecedores de um top 2010, que estará certamente para breve.

(nota: não quero dizer com isto que não houve este ano filmes bons... apenas acho que a qualidade técnica da realização em conjunto com efeitos especiais e afins é que tomaram de assalto as salas de cinema, em oposição aos argumentos fortes e representações de luxo. Além do mais, faltam-me ainda ver alguns filmes considerados potenciais candidatos a essa lista.)

The Ghost Writer (2010), é um filme realizado por Roman Polanski, um dos grandes génios da velha guarda ainda no activo. Polanski que além de realizar, adaptou a obra e escreveu os diálogos com Robert Harris (o autor da obra The Ghost, no qual o filme se baseia). O filme contou com um elenco forte liderado  por Pierce Brosnan e Ewan McGregor (como só eles sabem), enquanto trabalhando no fundo (mas com a devida visibilidade e importância) temos Olivia Williams, Kim Catrall, Tom Wilkinson ou James Belushi (apenas para citar os nomes mais ilustres). 

Um filme com contornos bastante políticos, vemos o seu estilo bastante assente naquilo em que Polanski é mestre, e isso é o Thriller. Mantendo a audiência sempre na expectativa à espera de novos desenvolvimentos, é necessário chegarmos ao fim do filme para sentirmos algum nível de closure, que na verdade nunca chega na sua dimensão completa.

Apesar de ter feito furor na 23º Festival de Cinema Europeu, não digo que vos vai deixar boquiabertos, mas não deixa de ser um óptimo filme com Polanski a mostrar que o seu estilo de realização não se encontra desactualizado (nem nunca estará) e que ainda se consegue adaptar aos tempos modernos.



Fair Game (2010) à semelhança do primeiro filme, também carrega uma história muito politica e neste caso verídica!

Realizado por Doug Liman e com Naomi Watts e Sean Penn (a contracenar juntos pela terceira vez nas suas carreiras) nos papeis de Valerie Plame e Joseph Wilson respectivamente, o filme recai sobre um escândalo ocorrido em 2003 conhecido por The Plaime Affair. Na base deste escândalo está a denúncia da verdadeira identidade de Valerie, que trabalhava secretamente para a C.I.A. Isto levou a que não só a sua vida pessoal fosse comprometida, mas também a vida de pessoas a quem ela estaria a assistir no decorrer das suas missões. Esta denúncia surgiu por influência de forças do governo americano com o intuito de calar o seu marido (embaixador Wilson) bem como desviar as atenções de toda a polémica em torno das decisões do governo relativamente às acções no Iraque.

Ao ver o filme na companhia de alguém que está por dentro de como funciona o sistema noticiário bem como a mentalidade americana "pós 9/11", foi mais fácil para mim estabelecer pontos de ligação na compreensão do filme. Não que haja grande ciência, mas de facto reparei que a minha reflexão era mais rigorosa, com uma análise talvez "mais factual". Incidi sobre temas como a influência da comunicação social, a fraca capacidade de interpretação, e pior ainda, a falta de vontade em procurar fontes alternativas... levando as pessoas a acreditar na informação que lhes é dada... 

É também natural pensar no abuso de poder por parte de entidades como o governo americano, não excluindo outros pelo mundo fora. Aliás, podemos deduzir que onde está o poder, é passível também encontrarmos corrupção...

Recomendo que pesquisem o material de origem do filme, porque de facto é bastante interessante.

2 comentários:

Gonçalo disse...

Olaa tudo bem? Um BOM ANO :)

olha estou a participar num concurso e preciso que comentes ou votes na minha fotografia..o nome dela é The Waiting, para tal tens de ir aqui -> http://paixaoimagem.blogspot.com/ ok?

Ps:gostei do teu blog e ja o estou a seguir :)

Duartinho disse...

Obrigado Gonçalo!

curiosamente a tua foi mesmo a fotografia que mais gostei!

Um abraço e Bom Ano