sexta-feira, julho 30, 2010

Escola do Rock


Dei por mim ontem ou anteontem a fazer zapping quando chego ao canal Hollywood. Nessa altura estaria a dar o filme School of Rock (2003) realizado por Richard Linklater com Jack Black, actor este por quem nutro simpatia e respeito enquanto actor cómico...



Aviso desde já que não tenho como intenção fazer a minha apreciação do filme... não querendo isto ser sinal de que se trata de algo de fraca qualidade... muito pelo contrário... trata-se de uma comédia musical bem elaborada de facil degostação por todas as idades!

Apenas quero focar em um dos seus pontos mais fortes, que a meu ver, é algo de extrema importancia, principalmente para as gerações mais jovens a quem o filme se destina!

Esse ponto forte de que falo é a passagem de conhecimento e informação musical ligada ao mundo do Rock.

Nota-se que falta nestas novas gerações a passagem de testemunho no que toca às bandas lendárias como Led Zeppelin - a quem a personagem de J.B faz logo referencia aquando da sua apresentação à turma, perguntando se conhecem Jimmy Page (lead guitar) ou Robert Plant (vocalista)...

E não é por falta de acesso visto que a internet exerce uma super influência na propagação de cultura nos seus mais diversos ambitos...

Como tal, o filme acaba por apresentar de forma abundante, alguns dos mais emblemáticos grupos da cena musical como Jimi Hendrix, Deep Purple, AC/DC, The Who, Ramones, The Clash, The Doors, Kiss, Black Sabath, Cream, The Stooges, entre outros...

E mais do que oferecer nomes do Rock, disponibilizam bastante matéria teórica... fazendo assim jus ao nome desta longa-metragem, que de facto é (nas suas diversas dimensões) uma "Escola do Rock"!

Desta forma, deixo aqui os meus agradecimentos à equipa por detrás da "fabricação" de School of Rock pela sua relevância na educação de todos nós... 

O grau de enriquecimento que providenciam não tem preço, ficando apenas ao cargo da sua audiência instigar sobre o assunto e dar inicio (ou continuação) às sessões culturais que posso afirmar... assumem proporções épicas!

terça-feira, julho 27, 2010

Lições: Scrubs


Não há muito tempo, escrevi um post sobre Scrubs... uma das séries que ando a acompanhar! Ao longo do texto fiz algumas comparações e referências a Greys Anatomy, pelo seu conteudo por vezes mais sério e apelativo à reflexão. 

Embora Scrubs seja um programa que se destaca pelo seu teor cómico, é de louvar as abordagens pouco convencionais que às vezes fazem para passar uma determinada mensagem.

Hoje deixo-vos aqui uma...
 ...em jeito de musical... 

(naturalmente fará mais sentido e terá maior impacto caso estejam contextualizados com o episódio e com toda a cena relacionada com a paciente de encarnado... talvez escusado pôr aqui este vídeo, mas foi dos momentos que mais me deixou sensibilizado)

sexta-feira, julho 23, 2010

Inception (2010)


Há mais de um ano que aguardava ansiosamente o lançamento deste filme! 

Desde que vi pela primeira vez o trailer no site da Apple, sabia que estava perante um dos trabalhos mais significativos do realizador Christopher Nolan, que conta nas suas fileiras com filmes como Memento (2000), The Prestige (2006) ou The Dark Knight (2008). No entanto, foi depois de ter visto o trailer no cinema que fiquei completamente "obcecado" (não levem à letra... é uma palavra muito forte) com Inception! Para aqueles que o viram nas mesmas condições que eu, certamente saberão do que estou a falar. 
O impacto é avassalador... pela imagem, pelo som que estremece com a sala... pelo conjunto de cenas seleccionadas para provocar os sentidos do espectador...



Escrito e realizado por Christopher Nolan, esta obra de arte conta com um elenco de luxo, que mistura diferentes gerações e talentos. A começar por Leo DiCaprio e Joseph Gordon-Levitt (dois dos meus actores favoritos... aqui o nosso Gordon-Levitt então... é alguém que sistematicamente faço boas referências [1] [2]), passando por Ellen Page (actriz formidável com um grande futuro à sua frente), Marion Cottilard (lindissima, elegante e super actriz), Ken Watanabe (quem o viu por exemplo em Letters from Iwo Jima (2006), sabe do que este homem é capaz), Cillian Murphy (tremendo actor que merece mais oportunidades nos EUA do que as lhe são concedidas), Michael Caine (a dar por breves momentos "ares da sua graça"), Tom Hardy, ainda Tom Berenger (actor veterano com uma carreira que "colapsou", mas a quem não lhe nego talento) e por fim (com uma pequena participação) Lucas Haas (a quem parecia estar destinado uma boa carreira, mas que até ao momento parece não ter singrado... oscilando entre alguns filmes bons/razoáveis e muitos simplesmente terríveis).

Um dos melhores elogios que posso fazer a Inception, e claro está, ao seu realizador, por ter sido o master mind, é afirmar que o filme se evidencia com particular destaque pelo seu grau de inovação numa altura onde os remakes, reboots e adaptações de livros e bandas-desenhadas são frequentes! 

Aqui temos um sonho dentro de um sonho e todas as suas diversas camadas, ao alcance de poucos... Nolan revela mais uma vez aptidões que lhe conferem estatuto de visionário... sendo natural que ostente um lugar entre os melhores realizadores (se não o melhor) da sua geração...


Enfim...

Porque não há mais nada que eu possa queira dizer...
fico-me por isto:

se Inception (2010) é um sonho, então por favor...

... não me acordem!






quinta-feira, julho 22, 2010

A-Team (2010)



A-Team (2010) ou Esquadrão Classe A como é conhecido entre nós portugueses, é uma adaptação da famosa série televisiva dos anos 80 para a grande tela.

Depois de muitos anos a tentar levar este projecto para a frente, tendo sido associado a diversos realizadores e argumentistas ao longo dos anos, finalmente deram corpo a uma ideia que deambulava de estúdio em estúdio e de produtor em produtor.
Ainda o ano passado estavam a considerar John Singleton para tomar rédeas do projecto, com rumores da inclusão de nomes como Bruce Willis, Ice Cube ou Woody Harrelson.

Depois de muita conversa, finalmente é aprovada a realização do filme  e eis que ele chega às nossas salas de cinema.

Realizado por Joe Carnahan (popular por filmes como Narc e Smokin' Aces) e produzido pelos irmãos Ridley e Tony Scott (entre outros produtores), este blockbuster de Verão optou por tomar uma abordagem diferente relativamente ao que a série nos habituou, nunca abdicando da verdadeira essência que  fez do Esquadrão Classe A um sucesso na televisão.

Contextualizado nos dias de hoje, com a realidade do exército Americano muito assente nos conflitos desenrolados no Iraque, o filme começa em jeito de prequela, ou seja, a revelar cenas passadas que levam à origem da formação do quarteto protagonista, algo que a série nunca mostrou (apresentando-os já como equipa em pleno julgamento "por um crime que não cometeram"), bem como outros detalhes, como por exemplo a explicação para o medo de B.A (um Ranger pára-quedista!) em andar de avião!

Rico em acção e com momentos repletos de humor, estamos perante uma obra que combina estes elementos primorosamente à procura de providenciar perto de duas horas bem passadas. Certo que existem muitas cenas exageradas... impossíveis até... mas que de certa forma acabam por ser aceites em nome do entretenimento.  Além do mais, penso que estejamos todos habituados às hipérboles cinematográficas destes êxitos de verão (ainda para mais enquadrados no género de acção). Facto é que também sentimos por parte do realizador e na forma como este "lidera a execução do seu trabalho" uma determinada postura que assume todo o exacerbamento impregnado um pouco por todo o filme. No entanto, é com prazer que vemos uma longa-montagem desinibida e despida de preconceitos, que asseveram certamente um olhar critico pelos pseudo-intelectuais, cuja maioria das vezes ignoram o facto que nem todos os filmes são feitos sob o condão da vertente artística, mas também da fantasia incrementada naquilo que aparenta ser uma representação do real.

No que toca ao elenco, este assenta bem nos respectivos papeis!

Destaco:

Liam Neeson as Coronel John "Hannibal" Smith, por carregar a chama de líder que tão bem assentava em George Peppard back in the day...

Bradley Cooper como Tenente Templeton "Face" Peck, pelo seu sentido de humor e charme apurado (é de facto um galã)

Sharlto Copley como Murdock, que evidencia-se pelas semelhanças "loucas" com que Dwight Schultz se destacou.

Quinton "Rampage" Jackson enquanto Capitão Bosco "B.A" Baracus pelo facto de  apesar da onda de dúvidas (e alguma contestação) relativamente ao seu casting para a personagem representada em tempos pelo "lendário" Mr. T, ter conseguido acertar bem com a sua representação.

Jessica Biel e Patrick Wilson correspondem... principalmente o último que lhe dá um "toque diferente"... (mas "ver para perceber")

Mesmo com a mudança de rumo aplicada ao filme, podemos constatar vários elementos que evocam referências à série, ficando a sensação que continuam fieis ao produto original. Seja no visual, na carrinha,  nas armas (a primeira vez que vejo o Coronel "Hannibal" Smith munido de uma arma, é a clássica da metralhadora que usavam na série) ou no comportamento das personagens - onde o maior desafio seria o Murdock pois, como diz (e bem) Joe Carnahan, a definição de louco antigamente e hoje são totalmente distintas, sendo que nos dias que correm pouco nos choca.

Enfim...Podem encarar este filme como um produto descartável... better yet... comida fast food... mas é aquela que vos recomendo a levar o vosso tempo a apreciar, porque de facto...

...sabe mesmo bem!!

I love it when a movie comes together... tenho dito!




terça-feira, julho 20, 2010

SBSR 2010


Cansado, mas contente! É assim que regresso a Cascais depois de dias intensos vividos no Meco, onde estive para marcar presença no Festival Superbock Super Rock, pela primeira vez na minha vida.

Dado os recentes acontecimentos que me levaram a adiar uma hipotética viagem a Buenos Aires, decidi investir algum do dinheiro que tinha colocado de parte para ver uma série de bandas que compunham um dos cartazes mais recheados de talento este ano. 

Sabendo que dois amigos próximos da faculdade, iam inseridos num grupo "absurdamente gigante", não me logrei de fazer convidado para a festa.
Grande maioria já se conhecia, algo que se evidenciava desde o inicio pela intimidade com que se metiam uns com os outros, tornando-se ainda mais evidente com conversas que foram decorrendo. Certo e sabido, o espírito "festivaleiro" já se encontrava instalado no acampamento, bem antes de as pessoas começarem a aparecer com as tendas.

Embora não conhecesse grande parte da malta, algo que confesso ter condicionado em parte o meu comportamento (é natural que não me sinta tão à vontade comparativamente a um meio rodeado de amigos próximos), desde cedo fui-me entrosando na certeza que estava "bem acompanhado" - no sentido em que sendo eles grandes amigos de pessoas com quem tenho uma excelente relação, poderia facilmente deduzir que se tratava de boa companhia, contribuindo para aquela ocasião algo muito forte que tínhamos em comum: o amor pela música.

Naturalmente, poderia haver pessoas que iam mais pelo ambiente proporcionado pelo evento ou  pelos amigos presentes... outros poderiam ir à descoberta de novos sons e tendências...
Enfim... Pouco importa os motivos... o certo é que estavam lá com atitude "festivaleira".

De quinta a segunda-feira saímos de lá com poucas horas dormidas, subnutridos e com todo um cansaço acumulado pelas horas expostas ao sol ou pelo tempo levado de pé a assistir a múltiplos concertos pelo dia fora... mas nem por isso se fazia sentir qualquer tipo de desanimo. Isto porque éramos sistematicamente "alimentados" por bons concertos (alguns dos quais electrizantes) que felizmente fizeram deste festival um sucesso (não ignorando o vacilo que foi toda a problemática do pó que fez a "vida negra" ao pessoal, entre outros), aliado também obviamente aos momentos "não musicais" na praia, no carro ou no acampamento.

O ritmo manteve-se alto durante o festival, com uns a zelar pelos outros, de forma a manter todos em perfeita sintonia no que toca à "presença e atitude".
Pelo grupo que lá estava no nosso espaço - inicialmente de luxo - passando pelos excelentes dias de praia, pelos cânticos que se fizeram ouvir um pouco por todo o Meco (e de forma especialmente acentuada no acampamento - "ôôôô ôôô ôôôô ôôô"), acabando com algumas bocas rebuscadas repletas de "bazófia" (termo este que acabou de entrar no meu  vernáculo em construção), posso através da minha experiência pessoal condecorar o ambiente com "medalha de mérito", tendo particular destaque os "putos de Lisboa" que sabem animar as coisas em grande estilo.

Mas falando da música...

(o que eu vi, com comentários aos destaques...) 

Dia 16:

Mayer Hawthorne 
Beach House
Grizzly Bear 
The Temper Trap
Pet Shop Boys (pouco mais de 20m e com pouca atenção) 

Perdi: St. Vicent, Keane


Mayer Hawthorne, cantor que conheço pouco mas que marcou pontos! Maybe So, Maybe No, com todo o seu funk e soul de fácil entrada no ouvido, é claramente o seu cartão de visita... um gajo para eu tomar em conta no futuro!


Beach House, deram inicio ao meu programa musical do Meco!
Impregnados pela voz de Victoria, que se fazia sentir em cada melodia, apresentaram-se  em bom plano com muitos temas do seu último álbum Teen Dream. Norway é para mim destaque, visto que é um som que me acompanhou durante imenso tempo, aquando da época onde os Beach House começaram a comparecer com assiduidade nas minhas escolhas musicais diárias! Não são banda para saltos, porque assim a música deles não lhes permite, não querendo dizer que as pessoas estivessem em vias de "adormecer". É um grupo que agarra o público, por muito minimalista que seja o seu estilo musical (à semelhança também de Grizzly Bear, que tocariam mais tarde).


Grizzly Bear entram no top 5 concertos de todo o festival... que prazer foi ouvir o tema Two Weeks ao vivo, ainda para mais com a colaboração de Victoria (dos Beach House) que fez a amabilidade de subir ao palco para contribuir com a sua voz! Veckatimest foi, sem surpresas,  o trabalho que mais se fez sentir em palco. Eleito por muitos críticos como um dos melhores álbuns de 2009, é com naturalidade que os temas desse seu ultimo projecto fossem aqueles que mais vincados ficaram na memória da plateia.



Temper Trap, os mais mexidos numa noite composta pelo registo soft e discreto mais apto para a apreciação do que os saltos, contudo, aqui os australianos agitaram as coisas com um pouco mais de energia e principalmente com aquele grande hino musical que é Sweet Disposition, tema MONUMENTAL, que certamente deverá ter evocado em todos nós uma alegria imensa de estar ali. Infelizmente (conhecendo o resto do seu álbum como eu conheço) penso que os restantes temas, embora não sendo maus, ficam muito aquém do seu maior "peso pesado".



Dia 17:

Julian Casablancas
Hot Chip  
Vampire Weekend 
perdi: Holly Miranda e Patrick Watson


Julian Casablancas, vocalista dos épicos The Strokes, veio a Portugal promover o seu reportório a solo. Sinceramente, não sou grande fã desta sua iniciativa, principalmente quando comparado com os outros projectos paralelos de membros dos Strokes. Casos de Albert Hammond Jr., também ele a solo e Fabrizio Moretti, na banda Little Joy ... 
Contudo não era concerto para deixar passar ao lado. Perdi as duas primeiras músicas, tendo as ouvido um pouco à distância enquanto me apressava para entrar no recinto. Entre as músicas que perdi (não fosse isto o karma a trabalhar para castigar o meu atraso) estava Hard To Explain, evocando Is This It (2001), dos Strokes... 

Uma bela premissa para o resto do seu reportório. Ainda cantei sozinho, como quem canta em pleno chuveiro (e assim foi)...  "fantasiando" ao mesmo tempo aquilo que poderia vir a ser Casablancas em palco! Corri ao mesmo tempo que comia um pouco de pó e juntei-me ao pessoal. Curti um concerto que pecou pela curta duração... Pareceu pouco mais de meia-hora, o que sinceramente é quase um ultraje, principalmente para um gajo que (na minha opinião) procura afirmação a solo, na tentativa de se dissociar enquanto líder dos Strokes. Entretanto já li que Julian Casablancas acabara por se sentir mal disposto por causa de algo que comeu, sentindo a necessidade de "fugir" do palco... Fica para a próxima Julian!







Hot Chip, foi interessante embora tenha a dizer que não faz de todo o meu género. Não me pareceu na altura quando ouvi o álbum One Life Stand (2010), sendo depois confirmado com a sua performance ao vivo. Confesso que com o decorrer do concerto, dei por mim um pouco a perder interesse e a entrar em conversas paralelas com as pessoas que se encontravam ao meu lado. Falha da minha parte, visto que com um pouco mais de atenção talvez viesse a apreciar mais os ingleses.


Vampire Weekend, assegurou nessa mesma noite um lugar no pódio, muito provavelmente no primeiro lugar! Divertido, intenso e bem mexido, o quarteto de Brooklyn deu o mote para um concerto com muitos saltos, cânticos e crowd surfing (algo que involuntariamente também participei tendo sido levantado no ar...) Digo-vos meus amigos... senti-me mais leve que nunca enquanto pairava (mesmo que num curto espaço de tempo) em plena atmosfera a contemplar o palco e audiência ao rubro! Dancei e dancei ao som de malhas retiradas do seu primeiro álbum homónimo (2008) e de Contra (2010). 

A abrir com Holiday (que apropriado!), passando por outros temas como Horchata, Oxford Comma, Giving Up The Gun (um dos temas mais discretos do grupo, na minha opinião) e (o muito bem recebido) Cousins, o pessoal encontrava-se em pleno extase, mas certo e sabido, as pessoas foram à loucura com A-Punk, onde inconscientemente lancei-me na frente, sendo arrastado num "moche" violento colado às grades junto ao palco. No final tivemos direito ao tema Walcott (uma das minhas músicas favoritas dos VW) ainda mais valorizada por mim, por ter sido a eleita para encerrar um concerto inacreditável, onde me senti mais "em casa" do que nunca!
 





Dia 18:
  
The National
John Butler Trio 
Prince
Empire of the Sun 
perdi: Spoon, Stereophonics, Wild Beasts, Sharon Jones & The Dap Kings - dizem que foi fantástico - e Morning Benders.
Este dia ficou marcado pela negativa e positiva... 

Negativa - porque de tantas bandas que queria ver, perdi uma "porrada" delas (como acima mencionado)! Em parte alguma negligência da nossa parte, mas também fruto da má organização do SBSR que inventou uns caminhos "mal paridos" de acesso ao recinto, provocando um trânsito insustentável. 

Positiva - porque dos quatro concertos a que assisti, três entraram para o meu top 5 de todo o festival (John Butler Trio, The National e Prince)


The National, grupo que só despontou para o êxito comercial no seu terceiro álbum Alligator em 2005, tornou-se uma das grandes referências do indie-rock com o lançamento de mais dois projectos aclamados pela critica e público: Boxer (2007) e High Violet em 2010 (ver o meu comentário aqui). Sempre num registo melancólico, com letras (aparentemente) muito pessoais... é sempre intenso ver (e ouvir) a forma como Matt Berninger se entrega ao vivo! Moderadamente foi incrementando força em cada música que canta, chegando sempre ao culminar desconcertante, passível de ser tudo menos lúcido e sóbrio! Com um punho cerrado e a outra mão firme no microfone entoa temas como Afraid of Everyone, Available ou About Today (incrível). Músicas em todos os sentidos, poderosas... que apelam à sensibilidade do público que ali corresponde com uma recepção muito boa!
Fake Empire foi - na minha modesta opinião - o ponto alto do concerto (ao ponto de me deixar completamente arrepiado)! Pena não terem tocado a minha malha favorita, Sorrow, com que tenho uma ligação pessoal!




John Butler Trio, a par de Vampire Weekend, os melhores de todo o Festival! 
Enquanto Prince não entrava em cena, telefonei a um amigo para saber por onde andava. Este disse estar no Palco EDP à espera de ouvir um grupo que não conhecia... quando perguntei quem eram e ele responde John Butler Trio, desliguei o telefone e caminhei para lá... caminhei salve seja... a caminhada depois transformou-se num sprint! Isto porque JB Trio era um dos nomes que ansiosamente aguardava para ver! 

Detentor de toda a sua discografia, estava convicto de que seria um dos maiores shows!  
Se havia dúvidas em relação a esta minha afirmação, foram logo dissipadas pelo começo do concerto, com Used to Get High, que não deixou margem para qualquer tipo de contestação... em tons de praia, mesclados com blues e rock, a malta vibrou ao som de uma panóplia de instrumentos que convergiam em palco, dispondo de uma harmonia tremenda. Fosse na guitarra/baixo/bateria (base estrutural) com acréscimos do banjo, slide guitar e instrumentos de percussão! Terá sido porventura ingrato os horários coincidirem com o cabeça de cartaz de todo o festival (Prince), no entanto, o palco EDP permaneceu quase cheio com muito "boa onda" no ar... 
Felizes aqueles que assistiram (como eu) ao concerto na integra, saindo dali radiantes depois da exposição à musica contagiante de JB. Solos de alto calibre (riff's de guitarra foram um "mimo", bem como a bateria e o baixo), coreografias de cânticos com o público, momento a solo de JB com guitarra acústica (Ocean! Inacreditável) e outros quantos momentos e detalhes que perderia um dia a enunciar! Seria de louvar alguém que fosse extremamente minucioso na review a este concerto, (presumo eu) subvalorizado por muitos...
Lamento o facto de não terem tocado Hello nem Company Sin... mas... de que me queixo eu? Foi um concerto brutal!




Prince, o "actor principal" (da perspectiva de organizador do evento)!
Não sendo um ávido seguidor da sua carreira, tendo eu um conhecimento limitado do seu portefólio, reconheço-lhe o estatuto de estrela, concedido pelos seus inúmeros álbuns bem como pelos concertos lendários (cada vez mais raros em termos de "quantidade/oferta"). 
Eu perdi os primeiros cinco temas por estar no palco EDP, completamente mergulhado na sonoridade de John Butler Trio, mas pouco importa... pois o melhor da noite ainda estava para vir (embora já tivesse perdido um ponto alto... a cover do tema Nothing Compares To You da irlandesa Sinead O'Connor)!


Aquando da minha entrada no concerto, depois de romper uma imensa multidão... começa Cream, seguido de um chamamento funk, ao qual o público responde à letra com aquela predisposição totalmente hip...
 Pouco depois faz-se acompanhar pela nossa Ana Moura, presença já anunciada com antecedência, pela vontade de Prince em assegurar o dueto com a fadista. Cantou-se A Sós com a Noite e A Casa da Mariquinhas, lideradas pela guitarra de Prince e (claro está) pela a voz de Ana Moura! O público, orgulhoso pela cena que ali se proporcionava, sentia a fasquia cada vez a ficar mais elevada!
Kiss e (principalmente - para mim) Purple Rain dão aso aos dois momentos mais musicais de toda a noite por parte da audiência, cantando as letras (que sabem de côr e salteado). Chega o segundo encore (algo que não deixa de ser curioso, visto que foi a primeira vez que presenciei um encore em todo o festival) com o tema Dance (Disco Heat), cover de um original de Sylvester. Ficaram por tocar Party Man (um dos meus temas favoritos) retirado da banda sonora do Batman (1989) de Tim Burton, When Doves Cry e The Most Beautiful Girl in The World.



Empire of The Sun, concerto que se transformou num one man show há largos meses, dado as desavenças entre o duo australiano. Marcou-me pelo espectáculo em palco, mas pouco mais. Não se tinha gerado o clima a que aspirava para um final de festival... talvez porque o cansaço começasse a tomar efeito ou porque a minha passagem pela tenda electrónica tivesse esmorecido. 


Seja como for, estava satisfeito... tivera sido um dia em grande, por todos os factores que dizem respeito a este festival...
...a música, praia, o sol, a companhia... os encontros e reencontros... 


Creio que dificilmente consigo fazer justiça ao que estes dias foram, através de um post. Por muito que escreva e por muito que tente, há determinadas coisas que as palavras não conseguem passar, sendo escusado da minha parte tentar elucidar as pessoas para o que foi a minha experiência através deste testemunho. No entanto, fica a marca escrita do que foi o 16º SuperBock Super Rock, com dedicatória especial aos que comigo partilharam este evento (e tudo o que vem com ele), mas também aos que lá marcaram presença e que, de alguma forma, se identificam com o que aqui relatei!

Agora próxima paragem (hopefully): Paredes de Coura

terça-feira, julho 13, 2010

Scrubs


Hoje queria fazer uma pausa do blog e não ir além do post de um vídeo, mas foi mais forte que eu! Já tinha este tópico para escrever há muito pendente, e ainda para mais, era necessário falar disto, quase como introdução a outros posts que quero fazer num futuro breve...



Já o disse antes... sou também um apreciador de séries! 

Houve aqui uma altura onde tinha acabado a 5º Season do The Office (US), série esta que eventualmente quero dedicar algum tempo neste espaço para falar, e como tal, precisava de algo que tivesse episódios de 20 minutos num registo cómico para me entreter. 

Na altura via Family Fuy e Entourage (além do já referido Office), mas ambas estavam em processo de desenvolvimento, ou seja, as suas respectivas temporadas ainda se encontravam a decorrer, e eu só as vejo quando estas chegam ao fim porque gosto de ver tudo seguido e não ter de esperar uma semana por cada episódio. Decidi então apostar em algo que já me tivera sido recomendado por algumas pessoas, mas sob insistência de um amigo em particular.

Falo obviamente (não fosse pelo titulo e imagem que denunciam o tema) de Scrubs!
Criada por Bill Lawrence (que também é produtor e um dos principais argumentistas) a série começa por retratar um grupo de internos no seu primeiro ano, acompanhando o seu crescimento enquanto médicos e pessoas. 
Quase toda a linha narrativa é demonstrada através da personagem principal, desempenhada por Zach Braff. É explicado nos extras de Scrubs que o desenlace da acção é visto de uma perspectiva como se fossem relatos escritos no diário do J.D (Braff)

Muito da minha curiosidade/vontade para ver esta série (além da insistência desse amigo) provém do facto de contar com Zach Braff no papel protagonista. Eu sou fã do gajo! Primeiro porque dois filmes dele estão no meu catálogo de favoritos (Garden State (2004) e Last Kiss (2006)), depois porque parece ser um "porreiraço" de primeira (thus, contribuindo para o seu carisma), e terceiro, porque tem um gosto musical aprimorado (vejam aqui a minha referencia à música).

Do conteúdo da série pouco sabia além de que era sobre médicos e num registo cómico.

Desde o primeiro episódio, fui "seduzido" pelo conceito e por maioria das personagens... algo que comigo é invulgar porque aparentemente são raras as vezes que tenho o mesmo nivel (alto) de apreciação por várias personagens, sejam elas principais ou secundárias.

Diria que a série, no seu estilo muitas vezes nonsense com flashbacks, sonhos e pensamentos a roçar o ridículo (numa forma muito engraçada), consegue sempre despertar o riso de uma maneira que evita o óbvio.

Os diálogos são bem escritos, com ritmo e alguma frescura...
... por exemplo, nunca me cansa ouvir o Dr. Cox  (um dos meus predilectos) "desancar" o nosso protagonista J.D.
Temos os habituais "convidados" ocasionais (e por convidados, falo evidentemente das celebridades) com participações hilariantes!

A banda-sonora como seria de esperar é boa, com a escolha de temas muitas vezes a enquadrar "à letra" nas situações que ocorrem. Ainda existem os momentos "musicais" (literalmente ao estilo de um "musical") que ajudam a passar uma determinada mensagem ou estado de espírito (num tom alegre ou não).

Uma das coisas que mais me surpreende em Scrubs é a sua capacidade de criar um equilíbrio entre o cómico e a abordagem de temáticas sérias. Seja num teor mais pessoal ou profissional, o drama está presente (mesmo que em pequenas doses), alertando a audiência para situações reais que se passam no quotidiano, provocando assim uma reflexão sóbria. Muito ao estilo de Greys (comparação esta que, embora desmedida, é inevitável visto serem ambas as séries sobre médicos) proporcionam em várias ocasiões lições de vida... não evocando SEMPRE (à semelhança de Greys) momentos lacrimejantes... mas from time to time, lá conseguem puxar para esse efeito.

É, contudo, uma série assumidamente cómica, que certamente irá divertir aqueles que se dedicarem a ela (pelo menos assim parece ao fim das três épocas que já vi)

Deixo aqui dois genéricos de Scrubs, sendo o primeiro "original" e o segundo feito mais tarde com o propósito de incluir também a personagem do Janitor (continuo), uma das mais amadas do programa.

Curiosidade: O genérico popularizou o tema Superman de Lazlo Bane, sendo este muito apropriado para todo o plot e personagens inseridas na série, nomeadamente no contexto ligado ao peso/importância do Dr. John Dorian.


segunda-feira, julho 12, 2010

Harvey Pekar | 1939 - 2010

R.I.P
8.10.1939 - 12.07.2010



Muitos de vocês podem não conhecer Harvey Pekar, autor e criador de American Splendor, uma banda-desenhada convertida em 2003 para uma longa-metragem. Uma coisa que torna desde logo esta banda-desenhada atractiva é o facto de ser auto-biográfica, oferecendo assim uma dimensão longe de enquadrar o panorama convencional das habituais comics.

É com muita pena que anuncio a sua morte, e que ainda por cima, faço proveito dela para divulgar este artista! Não seria de todo as circunstancias a que aspirava um dia escrever sobre ele pela primeira vez no blog...

Além dos link's já providenciados em cima, cliquem aqui para mais informações relativamente aos recentes acontecimentos ligados à sua morte, bem como um resumo em jeito de retrospectiva da sua vida..

Ahh... e façam o favor de procurar informações relativamente à BD, bem como o filme (nomeado para Oscar na categoria de Best Screenplay - Adapted) que conta com Paul Giamatti no (magnifico) papel de Pekar.

Machete (2010) - brevemente...


Meu caros...

Lembram-se de Grindhouse (2007)? Tributo prestado por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez às salas de cinemas exclusivas para visualização dos B-Movies/Exploitation movies (algo que já não existe nos dias de hoje)?
Este tributo, feito por uma das parcerias mais talentosas de Hollywood, consiste em dois filmes integrados no "pacote Grindhouse", sendo eles: Deathproof (Tarantino) e Planet Terror (Rodriguez).

Com todas as características (visíveis até nos pequenos detalhes) foi preparada uma homenagem ao cinema de "segunda categoria", que começa logo com os previews. Antes de o filme começar podemos ver fake previews (ou trailers se quiserem) feitos especialmente para integrar este conceito. Com ilustres convidados  por detrás da câmara ou enquanto actores, acredito que as pessoas tenham ficado impressionadas com o bom humor praticado e com a aquela sensação quase nostálgica evocada entre alguns de nós que podemos sentir um certo reconhecimento da matéria. (vejam os outros trailers aqui [1] [2] [3])



Entre esses trailers destaca-se claramente (na minha opinião e não só... acho que se tornou um consenso quase comum) o filme Machete. Com Danny Trejo enquanto protagonista e Jeff Fahey num papel antagónico, posso afirmar que depois de visualizado o curto excerto de apresentação, ficamos imediatamente convencidos que de facto existe ali potencial para a execução do argumento base na construção de um filme.
Robert Rodriguez, a mente por detrás de Machete, disse em entrevista que embora fosse algo para ser tomado de animo leve (pois foi por piada/diversão que o fez), a verdade é que já tinha considerado há alguns anos levar para a frente este projecto, tendo deixado a promessa que um dia seria dada a "luz verde" para a longa-metragem.

Rodriguez wrote Machete in 1993 as a full feature for Danny Trejo. "I had cast him in Desperado and I remember thinking, 'Wow, this guy should have his own series of Mexican exploitation movies like Charles Bronson or like Jean-Claude Van Damme.' So I wrote him this idea of a federale from Mexico who gets hired to do hatchet jobs in the U.S. I had heard sometimes FBI  or DEA have a really tough job that they don't want to get their own agents killed on, they'll hire an agent from Mexico to come do the job for $25,000. I thought, 'That's Machete. He would come and do a really dangerous job for a lot of money to him but for everyone else over here it's peanuts.' But I never got around to making it." It was later announced that the trailer will be made as a feature film.

Pois bem! Pode-se dizer que o prometido é devido... e eis que depois de algum tempo foi anunciado que o projecto (Machete) iria para a frente! Mais tarde o cast eleito foi sendo revelado aos poucos... e agora... temos o trailer oficial para o filme que vai sair ainda este ano !

Fiquem com o preview feito especialmente para o projecto Grindhouse, seguido do actual trailer para o filme a sair em Setembro de 2010...





(reparem que o trailer tem todos os elementos... os clichés, a violência, até mesmo no jogo cromático e na voz do preview guy - entre outros - de um filme da época)

O meu Verão começa oficialmente HOJE!!


sábado, julho 10, 2010

Dee Dee - Um tributo a Billie Holiday, no Casino Estoril


Este ano, infelizmente, as datas do Festival Estoril Jazz e Optimus Alive coincidiram, não me sendo possível marcar presença nos dois. Fiquei-me apenas pelo dia 8 de Julho em Algés, tendo dia 9 e 10 pela frente o cartaz do Jazz. É uma pena, pois dada a oportunidade gostaria de conseguir ver e ouvir tudo, porque ambos os cartazes são de valor, contudo, caso tivesse de escolher (porque não tenho essa opção visto que trabalho no jazz), a minha decisão poderia pender para os lados do Optimus por ter tanta banda para ouvir durante o dia. 

A verdade é que ali fiquei, dia 9 de Julho, durante o ensaio de som até à chegada da nossa artista da noite, para realizar que não havia forma de me preparar para o que se seguia.

Num auditório cheio, composto na sua maioria por pessoas "já de certa idade" (a malta jovem andava provavelmente toda por Lisboa), Dee Dee Bridgewater, um dos nomes mais sonantes do meio musical (não fosse ela uma diva talentosa), entra em palco acompanhada por Edsel Gomez (pianista e director musical), Kenny Davis (Contrabaixo), Lewis Nash (baterista) e Craig Handy (Sax Tenor e Flauta). 

Elegante e bem disposta, abordou logo o público apresentando as suas ideias para a noite, que se cingiam basicamente a tocar o seu último álbum Eleanora Fagan to Billie with Love From Dee Dee Bridgewater

(capa do álbum que promoveu durante o concerto de sexta-feira, no Casino Estoril)

Este seu projecto consiste num tributo à grande Billie Holiday (Eleanora Fagan é o seu birth name), cantora com uma história trágica de uma imensa importância para o mundo "jazzístico" pelas suas contribuições. Melhor dito, a mulher é um ícone e uma das melhores cantoras de todos os tempos!

Portanto, a sala podia facilmente deduzir que o serão musical prometia... 
Combinar uma artista como a Dee Dee (e o seu - fantástico - quarteto) com um reportório de fino trato como é o de Billie, era assegurar uma noite inesquecível. 

De facto assim foi, como há muito eu não via... um espectáculo ao alcance de poucos, não só pelo que se passou musicalmente, mas também pela boa disposição e química que se fazia sentir em palco e que por sua vez, passava "cá para fora" (algo que em muitos momentos da noite fez-me lembrar a minha Mãe, por todo o seu star quality e bom astral em palco). Era caso para dizer que estavam absolutamente onfire!

Dee Dee evidencia um carisma e um comportamento em palco sobrenatural, no sentido em que é logo salientado o seu à vontade no palco, remetendo para a ideia que por ali "nada como peixe na água" (como diz o outro). Falou, falou falou... brincou... fez inúmeras referencias ao público e a outras coisas que lhe passavam pela cabeça sempre contextualizadas e mantendo elegância e classe. Com um sentido de humor apuradíssimo, caiu imediatamente nas "graças" da audiência que ora se esperneava de riso ou pelo calor da sua voz. 

E os músicos... OS MÚSICOS! Todos tiveram direito à sua "quota". 
Completamente mergulhados num intenso espírito de equipa, puxaram uns pelos os outros e encadearam a sala com o seu talento, que se evidenciava sempre de forma mais intensa à medida que o tempo passava.

- Lewis Nash just wiped us all out! dizia Dee Dee depois de um solo de bateria brutal!

Muitos foram os elogios lançados pela Miss Bridgewater em palco, a todos os que ali tocaram.. fossem através de palavras proferidas (para quem lá esteve, os piropos tiveram muita piada!) ou de reacções compulsivas e estonteantes...

Durante mais de hora e meia (com direito ao habitual encore), foi o momento da despedida a altura mais penosa de toda a noite. Depois desta sessão recheada de pérolas, foi sob uma chuva de aplausos e berros/gemidos (entre elogios murmurados) que os artistas abandonaram o palco. 
Eu, que tenho como uma das benesses deste trabalho, ter liberdade para deambular backstage não perdi a minha oportunidade de me juntar aos músicos para os congratular pela noite espectacular providenciada. 
Mesmo entre eles pareciam não acreditar no que se tinha passado, tendo sido unânime que hoje deveria ter sido gravado, dado o grau de excelência e espontaneidade ali praticado.

Felizes aqueles que presenciaram este grande espectáculo, em todas as suas habituais dimensões, que será certamente um que muito recordarão para o resto das suas vidas!

Como eu gostava de os ouvir hoje...


PEARL JAM



Só de ouvir isto em casa, tou completamente arrepiado!

Meus amigos, partam a loiça por mim e tragam muitos vídeos pff!

The Heat is On


Até parece batota juntar estes três na mesma equipa!

 Eu adoro os L.A Lakers... mas ponham-se a "pau"...

Acham que alguém pára os Miami Heat próxima época?!



Optimus Alive - dia 8 (my review)



Dia 8 de Julho, foi o primeiro dia do festival Optimus Alive, festival este que tem primado pelo seu cartaz cada vez mais forte. A aposta parece óbvia! O cenário indie está em constante crescimento, o que certamente leva a promotora a fazer um maior investimento neste meio, tendo um palco próprio para que as bandas enquadradas no género possam estar o dia todo.

Desde que dei entrada no recinto às 17horas até à saída, abandonei exclusivamente a zona do palco Superbock (nome atribuído ao tal palco indie de que vos falo) para ir buscar cerveja ou jantar. É certo que no palco principal haviam boas bandas a tocar que infelizmente não consegui ver (casos de Kasabian e Faith No More). Por outro lado, a tenda electrónica e o restante, já não me interessavam tanto (ou mesmo nada).
Seja como for, o dia de ontem foi bastante produtivo... vi nada mais, nada menos que 6 concertos (todos no mesmo palco, como mencionado)!

Eis os meus eleitos:

Fazia calor (felizmente suportável) quando os Local Natives começaram a tocar. Estavam eles na primeira música e eu a entrar no recinto. A expectativa era grande pois noutro blog já tinham comentado que eram bons ao vivo, e eu ainda para mais, que tanto gosto do álbum deles (aqui referenciado [1] [2]) queria ver o que me estava reservado. Acompanhado na altura por apenas um amigo e uma jola na mão, fiquei feliz por denotar que a banda tem uma química especial em palco. Instrumentalmente e vocalmente, fizeram as delicias da malta que já se encontrava ali presente. Pena que só tivessem tocado pouco mais de meia-hora, tendo encerrado a sua visita a Portugal com os seus dois melhores temas (na minha modesta opinião), Airplanes e Sun Hands. Uma despedida em grande estilo, para o pouco público ali presente, depois de 30 minutos intensos com bom astral.

(filmei o tema Airplanes, mas tal forma que cantei aos berros - desafinando de forma ridícula - achei por bem poupar-vos a esse sofrimento)

Previa que na altura do desfecho, aqui os nossos Natives permanecessem no topo das melhores performances do dia. E assim foi...

Com o intervalo, surge a mudança do palco, surge mais cerveja, surge mais companhia, surgem momentos sociais de encontros e reencontros...

Seguiram-se os The Drums... 



Meus caros, o momento alto do dia! Não acredito que haja alguém, que tenha presenciado este concerto, que possa contrariar o que aqui escrevo. Diria que foi quase unânime entre a audiência... chegaram e partiram a loiça com temas do EP Summertime e do álbum homónimo, tendo apenas ficado de fora (com muita pena minha) I Felt Stupid, uma das minhas malhas favoritas, como já aqui [1] [2] referenciado. Instalou-se o verão naquela plateia, que como eu, aguardavam ansiosamente o quarteto proveniente de Brooklyn. Dancei, cantei, fiz palhaçadas... em suma: curti para caraças, aquilo que correspondeu completamente às minhas (elevadas) expectativas, numa altura onde muitos poderiam dizer que era um erro esperar tanto de algo tão "banal". Ora, banal para mim nunca foi e sempre vinquei a minha opinião de forma acérrima, mesmo quando achavam o meu grau de apreciação para com os "miúdos" exagerada...

Notória a presença em palco dos quatro, principalmente de Jonathan Pierce, o líder da banda, que no seu estilo invulgar, contagia as pessoas que o observam e ouvem. Acabam com o seu hit single (que expressão mais corny!) Let's Go Surfing, que imediatamente desponta um "moche", embora soft e reservado a uma pequena área onde por acaso acabei por me juntar.



Mais um intervalo e tudo aquilo que se segue com ele... estávamos agora em estágio para Devandra Banhart!



Em palco se apresentou com uma imagem mais low key do que o habitual. Muito hippie com toques de surf, foi assim que me pareceu. A ocasião quase que pedia aquele visual que em tudo pareceu ter caído bem na evocação do ambiente de festival de verão.

A música menos mexida, mas nevertheless, boa (embora obviamente, diferente). Num curto set, ficámos elucidados relativamente à qualidade da banda que o acompanha mas não tanto em relação ao potencial do seu líder. Isto talvez porque se calhar esperava-se um pouco mais, sabendo que é homem de muitos recursos...

Agora restam apenas os três nomes mais sonantes (para a maioria, mas não para mim) do cartaz, deste palco sendo a próxima da fila, a senhora Florence Welch com a sua "máquina"(s).



Por experiência própria, sabia que estava assegurado talvez um dos melhores concertos de todo o festival, não fosse este grupo um perfeito catalisador de energia pronta para explodir e incendiar o palco e plateia. Eu que já tivera oportunidade de os ver na aula Magna, sabia o que me esperava. Talvez por isso não tenha ficado tão entusiasmado com a sua subida ao palco nem com o resto do espectáculo. Era natural que, com tão pouco tempo de intervalo (do concerto da Aula Magna) e ainda apenas com um álbum nas suas fileiras, o concerto fosse saber a um pouco a "mais do mesmo". Já quase sóbrio, entrosei-me na multidão - cada vez mais apertada - para assistir yet again à magnifica Florence, que começou e acabou o concerto sempre num ritmo acelerado. Muito intervencionista, puxou dos galões para fazer o mesmo que fez na aula Magna... atiçar fogo à zona Superbock (embora sempre num registo muito idêntico ao que já tinha visto anteriormente, tendo até "caido" no erro de quase repetir o mesmo discurso dessa noite)

Anyway, Missão cumprida! A par dos The Drums, Florence + The Machine foram o "acto" mais comentado e apreciado pelas pessoas que me rodeavam, tendo comprovado toda a hype à volta do nome do grupo já numa escala fora do circuito indie (ou seja, num âmbito comercial).


Posto o final deste concerto, dei inicio aos meus afazeres da noite: ir buscar jantar e mais cerveja! ERRO (fatal!)
Ao sair da minha zona, teria acabado de comprometer um bom lugar para ver os The XX. Se pensava que não podia ficar ainda mais insuportável estar no meio da plateia, estava redondamente enganado! Seguiu-se uma outra enchente - absurda diga-se - para ver os britânicos musicalmente mais in dos últimos dois anos.
Claro está, levei séculos até que me fosse possível reunir com a malta... isto porque além da multidão, fiz questão de estar "paradinho" com olhos postos no palco sempre que tocavam, ou seja, entre cada música tinha de forçar a minha passagem rapidamente. De tal maneira fiz um esforço, que eventualmente deixei de ter coragem para sair em direcção ao palco principal, onde tocavam os Kasabian (um dos grupos que também queria ver). A minha ideia era ver metade de cada, mas enfim... you can't win them all!



The XX, como já se afigurava, não é um espectáculo tremendo, dado a sua música e estilo minimalista! Não é para saltar e dançar loucamente, mas antes curtir a música com atenção...
Garanto-vos que é facílimo mergulhar na sua sonoridade, tendo como aliado o jogo de luzes montado em palco, porém, acredito que as horas em que tocaram foi uma má gestão do alinhamento. Claramente, o peso do nome conferiu-lhes o direito de tocar a aquelas horas, mas acho que tendo em conta o andamento que já se trazia do concerto de Florence and The Machine, a sua performance acabou por se traduzir numa quebra massiva, tendo eu sido uma das suas grandes vitimas. A música dos The XX é, como se costuma dizer, "parada/paradinha" (quando comparado por exemplo ao ritmo imposto por exemplo pelos The Drums), logo, não fez para mim sentido.  Já teria feito completamente a diferença a troca entre as bandas do U.K. Seja como for, mais uma vez, um excelente concerto com grande maioria das músicas do álbum de estreia tocadas, e apenas com uma "critica" (que não é bem isso) a apontar. Já que a Florence estava ali "por perto", era de aproveitar tocarem a sua new and improved version do tema You've Got The Love. Acredito piamente que muitos eram aqueles que esperavam um encore com esta malha.

Não interessa... chegaram aquelas que tocaram... como esta que se segue (inacreditável!).



Por fim, La Roux, a quem eu não reservo muitas palavras pois não sou grande apreciador, logo, serei sucinto.



Não compreendo a loucura toda em redor deste nome, que aparentemente tem marcado o mercado com a sua nova tendência musical. Ainda procurei encontrar argumentos que de alguma forma validassem o seu sucesso, mas não os encontrei. Não é, no entanto, algo que critique outros por ouvirem (como quem diz "como é que és capaz?") Simplesmente não me revejo neste estilo, muito ligado à electrónica (algo que eu assumidamente não sou grande apreciador). Daí esta minha precaução, em justificar o facto de estar desconectado, de alguma forma desconcertante, por serem tantos os meus amigos que a ouvem.

CONSENSO:

Saliento, com particular agrado que os meus dois MVP's do dia foram Local Natives e The Drums com concertos que deram o mote para o que prometia ser uma noite épica!

Num dia marcado pelo bom gosto musical predominante no palco secundário do recinto, apenas "aponto o dedo" ao destoar praticado com alternâncias de energia com a entrada dos The XX, sendo que eles nada responsáveis, pois entraram em palco para mandar um "ganda" concerto e assim o fizeram! Lamentável diria, só pela passagem de uma electrizante Florence para algo tão mais discreto. Mas para que não haja margem para dúvidas, repito, The XX são mesmo bons! (Agora... imagino só os estragos que fariam os Drums caso tocassem mais pela noite fora, quando o ambiente pedia mais alcool, festa e dança.)

8 de Julho... em grande!