domingo, fevereiro 07, 2010

"Fica Connosco" - Missões País 2010

 

Para os que notaram a ausência de escrita no blog ao longo desta semana, estive fora no Fundão a fazer voluntariado no projecto Missão País a.k.a Missões Universitárias. Este projecto consiste basicamente numa acção de voluntariado, com uma enorme ligação à igreja, efectuado por um grupo de estudantes universitários (bem como outros interessados) numa cidade a definir todos os anos, durante uma semana. O voluntariado assume várias formas em diversos locais... seja nos hospitais, lares, escolas, centros para deficientes, na rua ou em casa da população que nos quiser acolher, ouvir e acompanhar. Como é óbvio há mais para ser dito relativamente à real definição do que são as "Missões", porém, fica aqui esta breve (muito breve mesmo) introdução. Na ressaca dessas mesmas missões, no qual cheguei ontem de madrugada, estou aqui de frente para o monitor ainda a tentar recuperar energias desta semana super exigente. Este ano o nosso destino foi a cidade do Fundão, algo que surgiu como uma surpresa visto que andava ai o rumor de que voltaríamos novamente a Elvas pela terceira vez consecutiva. Tal não aconteceu, o que de certa forma acabou por me dividir. Por um lado gostaria de regressar e rever aquelas caras com quem criei laços naquela que foi uma debanda espiritual e benevolente, mas por outro lado, encarei a mudança como uma troca de cenário bem como uma oportunidade de contribuir para uma cidade que aparentemente se vê carenciada de ajuda nas mais diversas formas e feitios. Além disso, tínhamos entre nós um missionário de segundo ano que vive no Fundão, sendo assim um acréscimo de propósito no coração deste nosso amigo que nos recebeu com muito orgulho e incutiu uma chama maior em nós para contribuirmos com tudo aquilo que tínhamos. Fazer "Missões", principalmente nesta época, é um verdadeiro desafio. Ocorre durante as nossas férias, e sendo assim, "obriga-nos" a abdicar do nosso espaço, conforto e rotina para irmos para um local diferente, onde serão implementados outros costumes, hábitos e normas das quais não estamos habituados. Eu por exemplo, renunciei à minha última semana de férias, perdi o aniversário do meu Pai, deixei os meus amigos e família em Cascais, filmes/séries e Benfica era para esquecer, estive desligado do que se passava no mundo e quando cheguei a casa e abri o computador comecei a ver pequenas coisas que fui perdendo... tive que me restringir a horários duros e para cumprir, ao frio de uma cidade onde as temperaturas eram baixíssimas... enfim, the list goes on. Portanto perguntam vocês: a que propósito tu (ou outros como tu) fazem as missões? Fácil! Porque mais importante do que "perdi" foi o que ganhei, e de facto, ganhei em peso. As situações pelo qual passei, as pessoas que conheci, fossem os meus queridos missionários ou a população do Fundão, o que cresci e me tornei... foram sem dúvida alguma marcos na minha vida que se revelam como determinantes na minha formação, mas também nas pessoas a quem tocamos na esperança de contagiar com alegria e bons valores. Queremos liderar por exemplo, de forma a que os meios por onde passamos venham a ser espelho daquilo que tentamos ser com a nossa dedicação diária na prática do bem, através da religião católica é certo, mas não só. Eu sendo um confesso agnóstico não deixo que a minha crença (ou falta dela) se imponha como influência na minha participação nas missões. Admito em tempos ter tido algum receio aquando da minha primeira experiência, no entanto, cedo denotei que a minha "condição" não criava qualquer tipo de diferenciação entre os meus companheiros, antes pelo contrário! Fui alvo de um grande nível de atenção por parte da malta que aprovou a minha vinda. Desde então, os anos passaram e como já disse, estou no meu terceiro ano com muito pessoal diferente mas igual em princípios e em intenções. Embora tenha pena que muitos amigos não tenham vindo este ano, a verdade é que a entrada de pessoas diferentes veio a acrescentar outros atributos às missões e a mim, que encontrei grandes benefícios em muitos dos que conheci. Como seria de esperar é fomentado um grupo que se interliga de forma bastante intensa pelo facto de existir uma partilha de momentos de grande intimidade, o que nos torna imediatamente mais coesos (Um dia passou e já sinto falta deles). 

Como "Deus", tentamos estar em todo o lado, a todo o momento, mas dado as nossas limitações tão próprias do mero ser mortal, tivemos que nos conformar com o que podíamos fazer tendo em conta as nossas capacidades. Digo conformar num sentido contrariado... pela vontade que temos sempre em fazer mais. Acredito que fosse nos dado o poder/oportunidade/tempo esta semana seria convertida numa infinidade pelo mundo fora. Sentir que trazemos algo à vida das pessoas, e que mesmo sendo por breves momentos temos consciência que fazemos a diferença. Pela meio da miséria, tristeza... histórias insólitas e melodramáticas encontramos algum conforto no sorriso que proporcionamos, mesmo tendo noção que nada soluciona, mas que tem impacto! A frustração advém daí... de sentir que quando partimos, volta tudo ao mesmo. Isto só por si é uma ideia muito dificil de se lidar. Fora tudo o resto. 
Eu sendo já um membro recorrente desta iniciativa já saberia com o que contar, no entanto, não consigo ser indiferente. Não me consigo preparar de forma a não sofrer e envolver de forma tão emocional como faço. Não há como nos prepararmos para isto... pelo menos segundo a minha óptica. De tão "brutal" que é aquilo que sentimos, depois desta experiência sei que a minha vida nunca mais será a mesma, da mesma maneira que acredito piamente neste mesmo impacto nos outros missionários. É um caminho sem retorno que aprendemos a abraçar e a registar na nossa memória, alma e coração para o futuro que vem, com o sonho de que um dia cada pessoa com que nos cruzámos e todas as suas gerações que se seguem encontrem paz através do trabalho que tivemos enquanto unidade espiritual, crente e impulsionadora de um mundo melhor.

8 comentários:

Lara disse...

Gostei muito da vossa visita e das actividades!! Gostei particularmente do teatro, onde me chamaram para cima o palco, que foi o maximo! E tamem da companhia!

Lara disse...

E era muito fixe que viessem ca para o ano!:)

Lara disse...

E era muito fixe que viessem ca para o ano!:)

Mariana disse...

Duarte, adorei o Post. Foi mesmo com muita pena que não pude ir este ano! Muitas vezes durante a semana pensava "como é que estará a ser pelo Fundão?". Espero que para o ano possa voltar a repetir a experiência que nos faz dar tanto, mas também crescer imenso. E espero que também possas voltar a ir!

Um grande beijinho,
Mariana Cadete

D.M disse...

Lara ainda bem que conseguimos deixar marcas com a nossa passagem pelo Fundão. Em principio estaremos ai para o ano para vos visitar. Espero encontrar-te por esses lados como te encontrei este ano... cheia de carisma, alegria e simpatia mais pura. Minha querida Mariana, como podes calcular fizeste falta! Não digo isto para ser politicamente correcto, mas pelo simples facto de que, como partilhei com estes novos missionários muito daquilo que sou, partilhei também contigo em tempos. Fazes parte deste grande grupo embora não tenhas marcado presença este ano. Porém, acho muito bem que tenhas a iniciativa de vir next year... já sabes o que te espera caso venhas!

Um grande beijinho *

João "o discipulo amado" Silveira disse...

Gostei da parte em que falaste de mim, sem dizeres o meu nome! Abraços dudu

Margarida Benedita M. M. (antiga Morcela) disse...

Obrigada Duarte pelo texto, postei no meu blog ;) realmente foi uma experiência fantastica... para a vida toda vou guardar esses momentos!!!
Obrigada
Beijinhos tambem para ti Lara :)

D.M disse...

Margarida, qual dos teus blogues é que te referes? diz-me para eu dar uma vista de olhos! Silveira, como é óbvio também pensei em ti enquanto escrevi... e não só! Nas missões a tua energia e boa disposição fez falta! Faz sempre ... abraço