terça-feira, fevereiro 23, 2010

Esta semana vou...

... CORRER, SALTAR, DANÇAR, RIR E PARTIR A LOIÇA...

(ao som desta malha)


SOMOS JOVENS !

@ Valência & Barcelona

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

(Relembrar) Serafim Saudade - Herman José




Serafim, Serafim Saudade
Aqui estou e, na verdade, sei que sou o que sonhei
Serafim, Serafim, sou eu
Trago comigo o que é meu
Este nome que criei

Serafim, Serafim aos molhos
A saudade nos meus olhos
Em mil lágrimas de prata
Serafim, Serafim artista da rádio, tv disco e da cassete pirata

Serafim é o meu nome
Já passei fome, já passei fome
Suportei torpes ofensas
Tive doenças, tive doenças

Dava um livro a minha história
Mais inglória, mais inglória
Numa estrada de amargura
A minha vida é uma aventura
Muito honesta e meritória

O meu pai fugiu de casa
Com um grão na asa, com um grão na asa
Minha mãe ficou demente
Foi da aguardente, foi da aguardente

Fui viver com uma tia
Que me batia, que me batia
E ainda novo andei nas obras entre lagartos e cobras
Trabalhando como um cão

E nos momentos de cansaço
Afinava no bagaço
E cantava esta canção

Serafim, Serafim Saudade
Aqui estou e, na verdade, sei que sou o que sonhei
Serafim, Serafim, sou eu
Trago comigo o que é meu
Este nome que criei

Serafim, Serafim aos molhos
A saudade nos meus olhos
Em mil lágrimas de prata
Serafim, Serafim artista da rádio, tv disco e da cassete pirata

Vivi num país distante
Fui emigrante, fui emigrante
E lá longe no estrangeiro
Ganhei dinheiro, ganhei dinheiro

Trouxe mais de 2 mil contos
Fora os descontos, fora os descontos
E abri um restaurante
Jeitosinho e cativante
Onde canto para vocês

E a Teresa de Bragança, companheira de confiança
Fez de mim mais português

Serafim, Serafim Saudade
Aqui estou e, na verdade, sei que sou o que sonhei
Serafim, Serafim, sou eu
Trago comigo o que é meu
Este nome que criei

Serafim, Serafim aos molhos
A saudade nos meus olhos
Em mil lágrimas de prata
Serafim, Serafim artista da rádio, tv disco e da cassete pirata

Tempos dificeis (Madeira "on my mind") ...


Já vos falei certamente da minha "pancada" quando ouço música... tenho esta enorme tendência de fazer videoclips/montagens na minha cabeça de imagens/momentos/frases and so on... é frequente eu "viajar", coisa que tem maior fluência mediante a fase ou situação que vivo presentemente.
Numa altura onde infelizmente predomina a tristeza e caos devido a causas naturais que abalam o mundo de tempo em tempo, é inevitável não sermos confrontados com imagens do que se passa lá fora, nomeadamente Haiti e agora recentemente, na Madeira [1] [2].
Penso neste tipo de coisas muitas vezes... talvez porque me seja "forçado" pelos media (é provável que sim), mas independentemente da injecção do tema no nosso quotidiano, é nos meus tempos livres, refugiado nos meus filmes e as minhas músicas que penso nas pessoas que por todo o lado sofrem. Agora foi um desses momentos. E como? Ao ouvir uma música dos islandeses Sigur Rós, chamada Hoppípolla comecei instantaneamente a buscar ao meu "arquivo" (leia-se cabeça) fragmentos que tenho observado nos noticiários. Felizmente, sou um miúdo optimista e como tal, a minha so-called compilação é recheada de esperança, pessoas solidárias que abdicam do seu conforto para contribuir no "campo"... enfim, um "clichézinho" daqueles à filme onde tudo acaba bem devido ao esforço comum feito pelos típicos bons samaritanos que habitualmente se revelam em tempos de adversidade.

Ficam aqui portanto dois versões da tal malha de que falei... sendo a primeira original e a segunda uma cover (a meu ver ligeiramente melhor que a original, embora esta tenha maior carisma de "épica" - não me peçam para explicar porquê) do grupo indie We Are Scientists. Os vídeos curiosamente transbordam de significados polivalentes que se fundem às mais diversas situações (mas isto já está subjacente à leitura de cada um).






domingo, fevereiro 21, 2010

Jeff Buckley lives on...


(Jeff Buckley)


Um artista de que gosto bastante é o Sr. Jeff Buckley. Perdão... retiro o Sr. , não por ser auspicioso ao seu ser, mas porque partiu deste mundo muito jovem, e eu quero manter esse espírito "juvenil" ao seu nome e legado.

Mundialmente conhecido pela sua cover do tema Hallelujah, original de Leonard Cohen, é no seu único álbum de estúdio intitulado Grace (1994) que me apaixonei pela arte ali gravada em áudio. Infelizmente, enquanto ele e a sua banda se preparavam para um eventual segundo álbum no meio de outras quantas gravações, digressões e concertos, acontece que em 1997, Jeff Buckley teve um infeliz acidente que lhe custou a vida. Desde então, como acontece com vários artistas em diversos campos, Buckley ganhou um seguimento de culto (inteiramente justificado diga-se) tornando-se um ícone musical não só pela carreira que levara até então, mas pelas suas aspirações e potencial artístico que infelizmente nos vimos privados. Porém, ao longo dos anos foram lançados variadíssimos trabalhos seus mesmo depois da sua morte, continuando de certa forma a carregar o seu espírito.

Mas não é esta abordagem que inicialmente gostaria de ter feito, embora agora que escrevo tenho plena consciência de que seria um crime falar do que se segue sem primeiro contextualizar Jeff Buckley e as suas obras.

(Patrick Watson)

Quando intitulei este post de Jeff Buckley lives on... foi a pensar em outros artistas que mantém um estilo muito próximo do que Buckley nos habituou. Há um que me salta de imediato à cabeça que é o canadiano Patrick Watson, um músico que infelizmente só vim a conhecer à pouco tempo, mesmo sabendo que vinha a Portugal e que vários amigos me aconselhavam a ouvir. Não sei como, nem porquê, mas facto é que só há dias comecei a ouvir. Desnecessário será dizer que fiquei surpreendido (mesmo tendo em conta a expectativa devido aos tais avisos). Obstante das semelhanças da voz, sendo a de Buckley mesmo assim ainda mais memorável e aguda (é de facto das vozes com o pitch mais agudo de que me recordo) é mesmo no estilo fresco e irreverente, longe da camada comercial dominante dos tempos que correm, que encontro em Patrick muito de Jeff. 

Ouçam e tirem as vossas conclusões...

sábado, fevereiro 20, 2010

"Contra"

(em jeito de telegrama)

Não restam dúvidas quanto à qualidade dos Vampire Weekend. 

Este ano saiu o seu segundo álbum chamado Contra que certamente figurará nos melhores de 2010!

Fica aqui o (mega) videoclip para o segundo single extraído desse mesmo álbum intitulado:
Giving Up The Gun.

No clip, bastante original e artístico, contamos com presenças de personalidades famosas tais como:
Joe Jonas (dos Jonas Brothers), RZA (dos Wu Tang Clan), Jake Gyllenhaal e Lil John.

Enjoy!

Em francês "a música é outra"...


Adoro a língua. Acho de um charme e requinte como pouco se vê por ai. Apresenta de tal forma uma componente melódica que uma simples conversa podia ser interpretada como uma sonata. Tenho mesmo que reavivar aquilo que aprendi no secundário porque é de facto uma mais valia. 
Ao ouvir alguns temas musicais cantados em francês fico preso num leito de palavras singulares que compõem uma história de que pouco percebo dado a barreira linguística, no entanto, fico com a sensação de que estou envolvido. É uma coisa tremenda...

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Fotografia

(auto-retrato de Rita Espírito Santo)

Gosto de fotografia, mas não sou um fã incondicional. Não tenho aquele interesse tão vincado como vejo em alguns amigos meus de ter a câmara topo de gama, de despender horas do meu dia para me deslocar aos mais ínfimos locais à procura de um objecto digno de ser fotografado. Contudo, não deixo de ser minimamente interessado no que toca à sua observação e exploração. Mas não é propriamente uma escolha, isto é, não sou eu que conscientemente tomo uma decisão em observar fotografias e a apreciar (ou não) o seu conteúdo. Sou sempre "arrastado" pelo poder visual que desperta de imediato um lado emocional. Na face de grande expressão e beleza sou incapaz de ser indiferente. Eu e qualquer pessoa. As fotografias podem não ter o mesmo significado e impacto para todos, mas há sempre uma, mesmo que escondida algures, que nos toca de alguma maneira. Como tal, deixo aqui como sugestão o link para um site que contém parte do portefólio de uma amiga minha que se dedica à fotografia como seu hobby, potencialmente carreira se tudo lhe correr com feição.

O seu nome é Rita Espírito Santo e podem encontrar aqui parte seu trabalho.
Confiem em mim... vale mesmo apena!

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Uma pequena amostra...


...de um concerto memorável !


 



                                                           

           Mel Tormé                                                                                             George Shearing                                                                          Gerry Mulligan

Gravado em 1982, mas apenas editado em 2005, temos neste concerto a reunião de três nomes sonantes do cenário musical, nomeadamente no jazz. 
Mel Tormé, cantor excepcional que além do seu vozeirão melódico e encantador, apresenta uma aptidão fortíssima para executar scat como ninguém. Talvez o melhor que tenha ouvido até hoje. De seguida temos  o inglês naturalizado americano, George Shearing. Este pianista chegou aos meus ouvidos por intermédio do meu Pai, que é confesso admirador do seu talento e da sua própria pessoa. Por último temos Gerry Mulligan, um instrumentalista multi-facetado que se destacou primariamente no saxofone com excelência.
Juntos fizeram um super concerto que anda sempre comigo no carro. Como forma de o propagar vou deixar dois temas desse mesmo concerto. O primeiro é intitulado de Wave (Onda) e é um tema original do grande mestre António Carlos Jobim (Tom Jobim para os amigos) muito ligado ao movimento de Jazz e BossaNova no Brasil. Neste mesmo tema é interessante ver a alternância de temas (da Onda passamos para Garota de Ipanema e Summertime) bem como os arranjos adicionais e o maravilhoso scat executado pelo o Sr. Tormé. O segundo tema aqui colocado chama-se Lady Be Good que encerra de forma "pura e dura" esta magnifica noite musical. 
Espero que gostem...



terça-feira, fevereiro 16, 2010

"Tirado de um filme do Woody Allen..."



Desde muito novo que ouço esta música do Chet Baker, um dos meus trompetistas favoritos de todos os tempos e um dos grandes do jazz. Sempre que ouvi o tema Tenderly - um jazz standard composto por Walter Gross e com letra escrita por Jack Lawrence - era dificil para mim não ficar com as emoções à flor da pele por achar que a música carrega em si uma história triste. No entanto, para combater essa mesma tristeza, imagino sempre os jardins do Casino Estoril como cenário onde se desenrola uma conversa entre um homem e mulher, ainda no processo de se conhecerem. Com um clima de Verão, os repuxos de água,  as luzes brilhantes do casino marcam o ambiente onde surge uma troca de comentários pertinentes que levam a variadíssimas discussões interessantes e pessoais. No meio dessa mesma discussão é possível sentir de imediato a química entre ambos. É este o pequeno episódio recorrente que "sonho" quase sempre que ouço Tenderly. Como se fosse tirado de um filme do Woody Allen onde ele e a Diane Keaton conversam durante horas enquanto passeiam. Tocada por muitos dos grandes músicos de jazz, é a versão de Chet Baker que chega a mim com a sua força no máximo e é inquestionavelmente uma das malhas que mais prazer me dá ouvir e sentir com corpo e alma, porque de facto é um tema lindíssimo como poucos se fazem.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Fraude

 

Antes do meu comentário quero começar por dizer que não tenho nada contra o "nosso" novo ídolo português, Filipe Pinto. Parece ser um miúdo porreiro e espero que aproveite para gozar estes tempos que se seguem recheados de mediatismo e actividades que eventualmente vão alterar a sua vida, pelo menos nos próximos anos. No entanto, se bem se lembram, aquando da sua primeira audição este disse estar indeciso com a sua participação porque tinha outras prioridades na vida, e que queria só uma opinião, etc. Enfim. Passou-se ali naquela sala um grande drama que gerou uma reacção do júri um pouco quanto bruta mas "supostamente" motivadora. "Tu sabes cantar" "Não venhas paqui perder o nosso tempo..." Tu não fechas a tampa toda" "Tu és provavelmente um dos melhores cantores que passaram aqui" dizem eles. Bem... logo aqui temos um momento televisivo onde a meu ver tornou-se óbvio duas coisas:

Este Filipe vai certamente ganhar os ídolos. Curioso o facto de ter afirmado isto meses antes da final, sem acompanhar o programa, sem ter noção da qualidade (ou falta dela) dos outros concorrentes e apenas com a visualização da audição do Filipe uma única vez no YouTube. Topei logo pelo comentário daquele júri, que embora com algumas qualificações, continuam a ser uns atrasados mentais. Depois da interpretação da música Betterman dos Pearl Jam, o comentário que se seguiu do líder do júri "Cantas melhor que os Pearl Jam" além de ser a prova (comprovada) da sua estupidez revela o pouco preciosismo que o homem têm no que toca a música. Pearl Jam é a porra da banda!!! O miúdo ali ficou a cantar acappella sem acompanhamento instrumental e não foi mais do que uma imitação do EDDIE VEDDER (não Pearl Jam como disse um dos júris).


Ficou transparente como a água que todo aquele momento, bem como o resto do programa é uma gigante encenação. Além da audição do Filipe ser completamente forçada e batida (digam-me se o que viram, fosse num filme, não seria um tremendo cliché) temos um júri que basicamente está a tentar representar! Duvido que sejam iguais no seu quotidiano como o são à frente da câmara. O estereotipo do júri está definido desde o primeiro American Idol com o bruto (Simon Cowell), a doce, simpática e única pessoa do sexo feminino (Paula Abdul) e o intermédio de ambas as personagens mencionadas mas bastante conhecedor (Randy Jackson). Em todos os países o modelo adoptado é este. Mas mesmo assim as pessoas querem acreditar que eles são assim na vida real e nem sequer tomam consciência do formato do programa, porque é simplesmente mais fácil serem alimentados com ilusões e conceitos falsos porque entretém e cria uma aura à volta daqueles que ali passam para cantar. Todos são underdogs por quem temos que torcer para que consigam provar as suas capacidades e atingir patamares mais altos fugindo das "garras" do júri, principalmente do seu líder, que no nosso caso é o verdadeiro exemplo do típico "tuga"... uma boa forma de passar a imagem do nosso País. Depois temos o King of Love, a prova mais flagrante de que estamos a levar com merda este tempo todo, desde que o programa começou. Acham mesmo que ele está ali por acaso? Pensem bem !! Então um gajo obviamente sem talento nenhum, aparentemente desequilibrado (nem venham que aquela personagem é normal) cai ali de "pára-quedas" e é lhe oferecido quase instantaneamente um lugar como entrevistador backstage? É este o gajo que querem como uma das caras do programa? Uma pessoa que "supostamente" mal conhecem, que revela uma séria pancada naquela cabeça? Querem mesmo arriscar depositar confiança com uma tarefa de peso considerável a uma "bomba ambulante" que pode explodir a qualquer momento?! POUPEM-ME ! Obviamente aquilo estava tudo mais que feito... provavelmente até devem ter havido castings para esta merda!! E se esta ideia que aqui passei não denuncia por completo, então basta saberem como é o comportamento do grande King of Love, longe das câmaras. Tive a felicidade oportunidade de o ver nos bastidores de um programa durante uns bons vinte minutos e é o tipo mais normal à face da terra, porém, no momento em que foi chamado a intervir no programa (em directo) onde estávamos na plateia, montou ali um super espectáculo que serviu para "abrir um pouco mais a pestana"!

Posto estes factos, continuemos...

Acompanhei em algumas ocasiões os Ídolos via YouTube, por curiosidade e também a pedido de muitas pessoas que queriam que eu desse uma segunda oportunidade, não só ao Filipe mas também a outros participantes. Recordo-me de ver a Solange, o Carlos, Salvador e outra miúda que agora não me recordo do nome, no entanto, a minha maior atenção recaia sob o Filipe por ter afirmado em tempos que o vencedor já estava escolhido bem antes de conhecermos os finalistas e também por haver uma enorme hype à volta dele.
O Filipe de facto tem um bom gosto musical. Escolheu sempre um bom reportório, muitas vezes ligado ao grunge e rock e por isso, tiro-lhe o chapéu. Saber escolher a música também é muito importante pois à que tomar em consideração as nossas limitações vocais e mesmo os movimento efectuados em palco ao som das nossas malhas. Músicas atractivas mas difíceis podem ser a sentença de qualquer um que por ali passe, portanto, mais um ponto a teu favor Filipe. Tiveste atenção a esse pormenor tão importante. Mas mesmo tendo em conta tudo isto, e haver mérito próprio do miúdo (pelo menos gosto de pensar assim... recuso-me a acreditar que até na escolha das canções os estúdios exercem influência), existe a componente mais forte na qual reside a verdadeira essência do concurso, o núcleo duro digamos... estou a falar da voz! Aqui lamento informar, mas de facto, tanto o Filipe como a grande maioria dos que por ali passaram não valem grande coisa! Cantam melhor que eu, isso é certo! Gostaria muito de cantar um terço dos finalistas (e não estou a ser sarcástico). Não obstante do facto de que não sei cantar, não deixo de ter ouvido, que porventura está relativamente bem treinado. Não quero dizer com isto que tenho um conhecimento profundo na matéria, mesmo tendo as minhas raízes numa família artista muito ligada ao meio musical. Nada disso. Não sou detentor da verdade universal e absoluta, muito menos numa coisa tão sujeita aos gostos pessoais de cada um, porém, qualquer pessoa com dois dedos de testa e alguma sensibilidade musical denota logo a falta de qualidade e a conjugação de vários momentos chave. Foram muitas as vezes que os ouvi (TODOS) a desafinar bastante. Nas suas interpretações curiosamente saltaram as partes mais difíceis de cantar (as notas mais altas, mais prolongadas, etc) tendo o Filipe sido mestre nesta área. Por cada vez que esperei ouvir o climax das músicas interpretadas por ele, lamentavelmente ficava-se pela parte que antecedia esse momento tão aguardado por mim. Enfim...

Potencialmente havia ali uma candidata forte (pelo menos daqueles que eu cheguei a ver). A Solange tinha vozeirão com aqueles dezasseis aninhos e arriscou sempre com músicas de estatuto elevado no cenário musical. Muito Soul, RnB... nada fácil diga-se. Mas ficou provado que no que toca a esticar algumas notas, ficava sempre "curta"... precisava de mais treino talvez... se calhar até seria dos nervos. Calculo que seja difícil para uma miúda tão nova e sem experiência em palco de aguentar uma pressão daquelas num programa com "tanta" audiência em Portugal.
Mesmo atribuindo aqui uns pontos à menina Solange, mantenho-me fiel à ideia de que temos um nível fraco de concorrentes. Já viram por acaso o American Idol? Ou o X-Factor? Acredito piamente que o mais "medíocre" da segunda fase deles fosse o suficiente para varrer o nosso "mundo de Ídolos". E não me venham com a conversa de dados geográficos. Para não comparar realidades e dimensões de Portugal com um Reino Unido ou Estados Unidos. Seria apenas mais um argumento para nos desculparmos dos nossos "short comings". É preciso manter algum nível de exigência e fugir à mentalidade que urge no subconsciente de cada um de nós quando nos lembramos que somos uns "coitadinhos" por isto ou aquilo.

Por fim, quero apenas deixar aqui bem explicito o quão triste me deixa conhecer tantas pessoas que se submeteram à experiência deste fenómeno televisivo. Não é por ser um fenómeno que deveria atrair atenções, muito menos conquistar pessoas. Tony Carreira ou Quim Barreiros embora fenómenos (e já à muitos anos) não constam na selecção musical de grande maioria daqueles com quem privo/conheço, logo, tomo por garantido que as pessoas sabem pensar por si e avaliar aquilo que "têm em mãos". É um  facto que um programa deste calibre, tão manipulado, recheado de hipocrisia e falta de qualidade acaba por servir como espelho do nosso País, que parece estar-se a  afundar cada vez mais. É na politica, é no desporto, é nos concursos televisivos... são escutas, pessoas compradas, regras de conduta ignoradas... estamos a ser completamente engolidos pelos Bin Ladens de Portugal (expressão usada como referência a outro grande "génio" que por cá andou, o senhor Octávio Machado). Que País é este onde vivemos? E o que é que fazemos em relação a isto? Que tipo de testemunho vamos passar a gerações futuras? O problema obviamente não passa por um programa como os Ídolos... ai de mim que lhe atribuísse tamanha importância, mas não deixa de ser um claro sinal do que se passa. Pode ser que até seja um preço a pagar, isto é, dado o nível de entretenimento que providencia, funciona como um escape dos problemas que temos e da crise que vivemos, mas para mim só serve apenas para nos lembrar onde é que estamos situados... Futuramente não pretendo ouvir um comentário de um amigo meu queixar-se por um grupo ser merdoso, ou porque o Toy é um bimbo e canta mal... recuso-me! Porque para o ouvir vou ter que lembrar tal pessoa das horas a fio que perdeu colado à televisão para ver mediocridade no palco a cantar. Perderam moral, valores e acima de tudo credibilidade. É como ouvir alguém que em tempos disse que Shindler's List era razoável, para depois dizer que o G.I Joe é absolutamente fantástico... 
Mais ficou por dizer, mas acho que está aqui material suficiente para vincar a minha opinião explicita sobre o programa, os seus intervenientes (estúdio, júri e concorrentes) e a sua audiência.

Espero não ter ferido a susceptibilidade de ninguém. Certamente vou levar umas quantas bocas depois disto... já conto com isso desde o momento em que martelei as primeiras frases desta minha "tese" sobre uma das maiores Fraudes televisivas a nível nacional dos últimos anos...

domingo, fevereiro 14, 2010

De me deixar completamente arrepiado...



Uma grande malha de um grupo que apenas recentemente conheci através da série Grey's Anatomy. Chamam-se The Cinematic Orchestra (vejam o link que vale mesmo apena descobrir um pouco mais sobre este grupo pela "novidade" que é) e contam neste tema com o auxilio do canadiano Patrick Watson (voz). Podem ouvir este tema no álbum Ma Fleur, editado em 2007.


(o vídeo é um projecto estudantil que seleccionei por ser bem concebido mas mais importante por conter a versão longa - 6 minutos - da música)

sábado, fevereiro 13, 2010

Clareece P. Jones



Ontem desloquei-me ao CascaiShopping para ver o recém estreado Precious: Based on a Novel by Saphire (2009) do realizador Lee Daniels. Acompanhado por um amigo, ao entrar na sala reparei que inicialmente existiam apenas casais. Com os minutos a passar vi a sala cada vez a encher mais com diferentes tipos e grupos de pessoas. Grupos de rapazes, de raparigas, jovens e adultos e até um "grupinho"de "crianças" que de certa forma me levou a pensar que a visualização do filme estava condenada, pelo facto de que o seu conteúdo é bastante forte e talvez dificilmente compreendido por aquela baixa faixa etária que desde logo se fez notar quando entrou na sala de cinema pelo barulho e confusão. Mas surpreendentemente, nada se passou e é fácil explicar porque. De tal forma que o filme é intenso e bem realizado, as pessoas ali presentes ficaram imediatamente hipnotizadas pela excelente representação, argumento e pela realização tão bem executada.

Depois de um primeiro filme menos conseguido por parte do realizador Lee Daniels (o filme chama-se ShadowBoxer), este acabou por criar à volta do seu nome um grande nível de expectativa relativamente aos seus futuros trabalhos, dado à evidente qualidade desta sua obra. O tratamento que este material sensível recebe é de grande primor e criatividade. Inicialmente sem distribuidora, depois do Sundance Festival 09, rapidamente caiu nas graças da critica e audiência, tendo saído do próprio festival com ofertas de pessoas a quererem produzir e distribuir a longa-metragem. Na lista de doze produtores constam os nomes de Tyler Perry e Oprah Winfrey, esta última tendo talvez alguma ligação emocional à história pelos casos surreais vividos no passado (mas isto não passa de especulação).
A história incide sob uma jovem afro-americana de dezasseis anos chamada Clareece Precious Jones (desempenhada de forma extraordinária pela estreante Gabourey Sidibe, nomeada para Oscar), que luta no seu dia-a-dia para ultrapassar os preconceitos ligados à sua obesidade, analfabetismo e cor da pele.  Como se não bastasse, a sua vida em casa é um pesadelo. O seu pai é ausente e (peço desculpa aos leitores mais sensíveis) um verdadeiro estupor que a molestou sexualmente em inúmeras ocasiões, tendo inclusive a engravidado por duas vezes. A mãe, desempenhada pela merecedora de Oscar Mo'Nique, personifica tudo o que está errado com a mentalidade e postura de pessoas provenientes do Ghetto com má formação.Cruéis, abusadoras, egocêntricas e infelizmente "psicologicamente abaladas" (para não usar um termo mais agressivo e talvez ordinário). A raiva que senti desta personagem, que de certa forma se viu expandir para uma dimensão um pouco mais humana, surgiu fruto de um poder de representação fortíssimo. Não me vou cansar de dizer isto, mas de facto Mo'Nique, conhecida pela sua ligação à comédia, têm um papel surpreendente que dificilmente deixará alguém indiferente. Não foi por acaso que é indicada como a principal favorita ao Oscar de Melhor Actriz Secundária. - entretanto peço desculpa pelo desvio de raciocínio - Apercebemos-nos que Clareece montou um sistema de defesa para fugir à realidade que vive através de sonhos. Basicamente ela esconde-se noutro mundo que se encontra mais perto dos seus desejos íntimos, no entanto, dificilmente consegue disfarçar aquilo que se passa no seu quotidiano praticamente desde que nasceu.
Todavia, apesar de todo este cenário tenebroso, existe luz ao final do túnel para Clareece, quando esta  inicia uma travessia num programa escolar especial onde encontra uma professora com um coração do tamanho do mundo, com quem cria desde logo uma grande afinidade. A professora de nome Ms. Raine é desempenhada pela a actriz Paula Patton que merece o meu reconhecimento pela genuinidade que transmitiu à grande mentora e amiga de Precious.
Já vinquei a minha opinião no que toca à qualidade do filme mas quero apenas constatar os seguintes momentos/acontecimentos... Nesta sessão de sala cheia foi interessante ver a partilha de sensações/sentimentos que ali se deu com suspiros de alivio, gargalhadas quando surgiam momentos mais leves para quebrar tensão, os Wow's de surpresa/choque e ainda o fungar dos narizes que indicavam o choro que para lá ia naquele espaço. Todo o filme foi feito com bastante inteligência com o intuito de proporcionar esta evocação de várias sensações em momentos separados para criar um balanço emocional do espectador e aguenta-lo até ao fim, revelando sempre que algo bom está ao virar da esquina. Um outro momento em concreto que adorei (Spoiler Alert)  foi a alusão ao neo-realismo italiano numa cena bem engendrada que evoca precisamente uma comparação entre a demonstração de realidades distintas em outros países e épocas. 

Recomendo que vejam este filme, embora não vos queira incitar a necessidade de o ver no cinema. Muito provavelmente tiraria outro proveito deste filme se me sentisse mais confortável na sala visto que este trabalho exige de nós um maior "conforto". É sempre um quanto pouco awkard estarmos com sentimentos à flor da pele, rodeados de estranhos por todo o lado...

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Imperdivel !


 

Poucas palavras para descrever este excelente filme.  

The Squid and The Whale (2005) é uma longa-metragem escrita e realizada por Noah Baumbach e produzida pelo magnifico Wes Anderson (torna-se patente durante o decorrer do filme bastantes traços estilísticos seus). Com interpretações soberbas de Laura Linney e Jeff Daniels (este último então, como pouco se vê... está simplesmente fantástico), com Jesse Eisenberg a saltar para a ribalta com este papel e finalmente o mais novo, Owen Kline, com um desempenho dificil de se fazer, temos aqui uma obra de grande engenho com um argumento (super) bem escrito, que valeu a Noah uma nomeação para Oscar em 2005 na categoria de Melhor Argumento Original.
Passado nos anos 80, este filme segue a história de uma família disfuncional que tenta lidar com o divórcio, os episódios que levaram a que tal acontecesse, bem como as suas consequências na relação entre o casal protagonista e os seus filhos. Podemos ainda contar com um elenco secundário composto por Anna Paquin e um dos vários irmãos Baldwin, o carismático e charmoso William.
A banda sonora é dominada por temas da época, mas em foco está o grupo Pink Floyd por causa do tema Hey You que acaba por estar ligado a um momento "pseudo-chave" do filme. Aproveito para comentar a piada que foi para mim ouvir bastantes vezes uma malha integrante da banda sonora do filme que despontou a carreira de Tom Cruise chamado Risky Business (1983). A malha pertence ao grupo Tangerine Dream e é intitulada de Love on a Real Train.

Dou a este trabalho de Noah Baumbach (à semelhança do critico Roger Ebert) Two Thumbs Up !


Que Senhor álbum...


  


A minha música de fuga...

A Muzzle of Bees é muito provavelmente a minha malha favorita dos Wilco. Sempre que a ouço imagino-me num carro em fuga para o horizonte, de chapéu de palha e óculos postos, com o mar azul e um sol forte como a paisagem predominante. Deixo aqui este tema não só como sugestão e uma forma de apresentar a aqueles que não conhecem Wilco, mas também como forma de escape para aqueles que querem "viajar" comigo.

Esta versão, embora não seja a minha favorita (acho que ainda prefiro a de estúdio) está com um altíssimo nível. Enjoy!

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

BLOGOTHÉQUE



Que grande falha a minha! Assumo desde já mea culpa pelo o que vou desde já dizer. Considero uma idiotice da minha parte ter feito o post de um vídeo retirado da Blogothéque - Un Concert a Emporter sem antes ter explicado de que se trata este site que considero ser uma das maiores realizações cibernéticas de todos os tempos. (Espero que não haja qualquer tipo de contestação ao meu nível de negligência perante este cenário que me irrita, pelo facto de que, um dos meus propósitos com o blog é fazer divulgação/partilha daquilo que mais gosto ou que acho pertinente, logo, deveria ter uma maior atenção relativamente à Blogothéque.)

 Passemos então à curta explicação do que é este site...

A Blogothéque é um blog francês com grande ligação à música (principalmente indie) criado por um sujeito que vai pelo nome de Chryde. Este individuo como forma  de dar outro rumo ao seu site, contou com o auxilio de Vincent Moon, um realizador independente, para injectar material de alguma frescura no blog com o intuito de promover não só música mas também um novo conceito de realização. Foi criado um segmento no site intitulado Un Concert a Emporter a.k.a Take Away Shows e assim começou então a caça ao artista em Paris, para que fossem filmados clips originais e de certa forma mais intimistas, com um estilo aparentemente amador mas rico no formato cultural com bastantes semelhanças ao estilo Dogma 95 (muito promovido pelo bem conhecido realizador Lars Von Trier). Foram já apanhados gravados artistas como Arcade Fire, Bon Iver, The Antlers, The Shins, Bloc Party, REM, Sufjan Stevens, Grizzly Bear, Au Revoir Simone, Tom Jones, Delta Spirit, Fleet Foxes, dEUS, Margot and The Nuclears So & So's, The National... os nomes continuam e são mais que muitos.
Como "aperitivo", deixarei aqui dois clips de que gosto bastante. Um dos Phoenix e outro dos Yo La Tengo. Esta escolha deve-se ao facto de que ambas as bandas marcarão presença em Portugal brevemente. Yo La Tengo estará na Aula Magna dia 14 de Março e Phoenix no Optimus Alive, dia 8 de Julho.

Espero que gostem das malhas, bem como do site que vale muitíssimo apena.



É mais do mesmo...


e não falo do Benfica golear... mas do Sporting perder...


terça-feira, fevereiro 09, 2010

Conciso e sem papas na língua...


eis o grande...



With a help of my friends...

Não é preciso sequer ter dois dedos de testa para perceber que gosto bastante de música. É parte da verdadeira essência da minha vida que  cresce e desenvolve ao dia que passa num ritmo alucinante.

Quando se gosta assim tanto de música, estamos sempre habilitados a que alguns amigos façam sugestões musicais na procura de efectuar uma partilha significativa, de trazer artistas novos para o nosso leque musical ou apenas para "exigir" uma opinião, como quem procura uma conversa sobre o tema/artista/banda/música. Felizmente tenho a sorte de ter vários amigos que além de saberem a minha relação com a música (relação essa que antecede para outras gerações), também têm bom gosto musical. Gostaria portanto aqui de fazer um agradecimento público a todos os que partilham para que o meu conhecimento seja cada vez maior bem como pelo facto de acrescentar mais malhas à minha banda sonora deste meu quotidiano. Ficam aqui quatro temas de quatro bandas diferentes que vim a conhecer (mentira, Frightned Rabbit já conhecia) através de amigos nestes últimos dias que passaram.

Aos que me transmitiram estas pérolas musicais... o meu Obrigado! 






segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Promete!















Depois de confirmada a presença dos Pearl Jam (10 de Julho), surgem hoje mais duas confirmações de peso para o popular festival Optimus Alive, realizado no passeio marítimo de Algés.
Eles são Phoenix (8 Julho) e Gossip (9 Julho)... duas bandas que aguardo ansiosamente para ver. Portanto , feitas as contas, temos até à data uma banda por dia, sendo que desta forma não verei outra hipotese senão comprar o passe para os três dias, de forma a conseguir ver tudo. Certamente mais surpresas surgirão dado o bom gosto da organização que têm realmente investido bastante em termos de qualidade musical. Só espero que as datas não venham a coincidir com o festival Estoril Jazz - Jazz num dia de Verão que normalmente decorre no principio do mês de Julho.

domingo, fevereiro 07, 2010

"Fica Connosco" - Missões País 2010

 

Para os que notaram a ausência de escrita no blog ao longo desta semana, estive fora no Fundão a fazer voluntariado no projecto Missão País a.k.a Missões Universitárias. Este projecto consiste basicamente numa acção de voluntariado, com uma enorme ligação à igreja, efectuado por um grupo de estudantes universitários (bem como outros interessados) numa cidade a definir todos os anos, durante uma semana. O voluntariado assume várias formas em diversos locais... seja nos hospitais, lares, escolas, centros para deficientes, na rua ou em casa da população que nos quiser acolher, ouvir e acompanhar. Como é óbvio há mais para ser dito relativamente à real definição do que são as "Missões", porém, fica aqui esta breve (muito breve mesmo) introdução. Na ressaca dessas mesmas missões, no qual cheguei ontem de madrugada, estou aqui de frente para o monitor ainda a tentar recuperar energias desta semana super exigente. Este ano o nosso destino foi a cidade do Fundão, algo que surgiu como uma surpresa visto que andava ai o rumor de que voltaríamos novamente a Elvas pela terceira vez consecutiva. Tal não aconteceu, o que de certa forma acabou por me dividir. Por um lado gostaria de regressar e rever aquelas caras com quem criei laços naquela que foi uma debanda espiritual e benevolente, mas por outro lado, encarei a mudança como uma troca de cenário bem como uma oportunidade de contribuir para uma cidade que aparentemente se vê carenciada de ajuda nas mais diversas formas e feitios. Além disso, tínhamos entre nós um missionário de segundo ano que vive no Fundão, sendo assim um acréscimo de propósito no coração deste nosso amigo que nos recebeu com muito orgulho e incutiu uma chama maior em nós para contribuirmos com tudo aquilo que tínhamos. Fazer "Missões", principalmente nesta época, é um verdadeiro desafio. Ocorre durante as nossas férias, e sendo assim, "obriga-nos" a abdicar do nosso espaço, conforto e rotina para irmos para um local diferente, onde serão implementados outros costumes, hábitos e normas das quais não estamos habituados. Eu por exemplo, renunciei à minha última semana de férias, perdi o aniversário do meu Pai, deixei os meus amigos e família em Cascais, filmes/séries e Benfica era para esquecer, estive desligado do que se passava no mundo e quando cheguei a casa e abri o computador comecei a ver pequenas coisas que fui perdendo... tive que me restringir a horários duros e para cumprir, ao frio de uma cidade onde as temperaturas eram baixíssimas... enfim, the list goes on. Portanto perguntam vocês: a que propósito tu (ou outros como tu) fazem as missões? Fácil! Porque mais importante do que "perdi" foi o que ganhei, e de facto, ganhei em peso. As situações pelo qual passei, as pessoas que conheci, fossem os meus queridos missionários ou a população do Fundão, o que cresci e me tornei... foram sem dúvida alguma marcos na minha vida que se revelam como determinantes na minha formação, mas também nas pessoas a quem tocamos na esperança de contagiar com alegria e bons valores. Queremos liderar por exemplo, de forma a que os meios por onde passamos venham a ser espelho daquilo que tentamos ser com a nossa dedicação diária na prática do bem, através da religião católica é certo, mas não só. Eu sendo um confesso agnóstico não deixo que a minha crença (ou falta dela) se imponha como influência na minha participação nas missões. Admito em tempos ter tido algum receio aquando da minha primeira experiência, no entanto, cedo denotei que a minha "condição" não criava qualquer tipo de diferenciação entre os meus companheiros, antes pelo contrário! Fui alvo de um grande nível de atenção por parte da malta que aprovou a minha vinda. Desde então, os anos passaram e como já disse, estou no meu terceiro ano com muito pessoal diferente mas igual em princípios e em intenções. Embora tenha pena que muitos amigos não tenham vindo este ano, a verdade é que a entrada de pessoas diferentes veio a acrescentar outros atributos às missões e a mim, que encontrei grandes benefícios em muitos dos que conheci. Como seria de esperar é fomentado um grupo que se interliga de forma bastante intensa pelo facto de existir uma partilha de momentos de grande intimidade, o que nos torna imediatamente mais coesos (Um dia passou e já sinto falta deles). 

Como "Deus", tentamos estar em todo o lado, a todo o momento, mas dado as nossas limitações tão próprias do mero ser mortal, tivemos que nos conformar com o que podíamos fazer tendo em conta as nossas capacidades. Digo conformar num sentido contrariado... pela vontade que temos sempre em fazer mais. Acredito que fosse nos dado o poder/oportunidade/tempo esta semana seria convertida numa infinidade pelo mundo fora. Sentir que trazemos algo à vida das pessoas, e que mesmo sendo por breves momentos temos consciência que fazemos a diferença. Pela meio da miséria, tristeza... histórias insólitas e melodramáticas encontramos algum conforto no sorriso que proporcionamos, mesmo tendo noção que nada soluciona, mas que tem impacto! A frustração advém daí... de sentir que quando partimos, volta tudo ao mesmo. Isto só por si é uma ideia muito dificil de se lidar. Fora tudo o resto. 
Eu sendo já um membro recorrente desta iniciativa já saberia com o que contar, no entanto, não consigo ser indiferente. Não me consigo preparar de forma a não sofrer e envolver de forma tão emocional como faço. Não há como nos prepararmos para isto... pelo menos segundo a minha óptica. De tão "brutal" que é aquilo que sentimos, depois desta experiência sei que a minha vida nunca mais será a mesma, da mesma maneira que acredito piamente neste mesmo impacto nos outros missionários. É um caminho sem retorno que aprendemos a abraçar e a registar na nossa memória, alma e coração para o futuro que vem, com o sonho de que um dia cada pessoa com que nos cruzámos e todas as suas gerações que se seguem encontrem paz através do trabalho que tivemos enquanto unidade espiritual, crente e impulsionadora de um mundo melhor.