sábado, maio 15, 2010

I Love You Phillip Morris (2010)


Já não me recordava do dia ou ano em que eu e a minha mãe fazíamos da ida ao cinema, um programa à noite. Quarta-Feira passada fomos ao Cascaishopping com intenções de ver I Love You Phillip Morris (2010). A minha mãe, completamente "às escuras" aceitou o desafio fiando-se (e bem) na intencionalidade do filme em ser divertido e leve. Eu, por outro lado, estava na expectativa de ver de que forma Jim Carrey e Ewan McGregor estariam à altura do desafio, but we will get to that later.

A história começa com a personagem principal, Steven Russell (Jim Carrey), na cama do hospital a recapitular recentes eventos da sua vida que o levaram a estar naquele estado. A sua narração basicamente serve de apresentação da sua personagem ao público. Policia (feliz) de profissão, marido dedicado e pai exemplar, Steven parece viver o sonho americano...

... Ah... e já vos disse que ele é Gay?! That's right... gay gay gay, gay gay gay gay!

Sempre o foi, diz ele (flashbacks da sua vida enquanto criança dão indícios disso mesmo). Obviamente... é gay em segredo. Ninguém sonha tal coisa e Steven quer manter dessa maneira... até ao dia em que é vitima de um acidente de viação, que de certa forma acaba por funcionar como uma revelação, ou melhor, uma epifania como é descrito. Neste preciso momento decide que se vai assumir, que vai levar uma vida à sua maneira... e assim o faz, enquanto pode. Cedo realiza que ser "bicha" (estou a citar) é bastante dispendioso... como tal, para manter o seu estilo de vida ostentativo, começa a efectuar uma panóplia de esquemas e fraudes. Começam pequenos e simples, mas conforme as exigências do seu status e a sua crescente ganância, a fasquia começa a ser outra! Aqui já estamos perante um paradoxo (já comum), no sentido em que temos um homem que representava o modelo cidadão americano exemplar, ainda por cima agente da lei, que se torna um con-man. Durante algum tempo, as suas acções parecem surtir efeito e Steven leva uma vida preenchida, juntamente com o seu namorado Jimmy (Rodrigo Santoro), mas certo e sabido, é eventualmente apanhado e preso. Durante a sua estadia na prisão temos um dos momentos chave do filme. Conhece outro inmate, chamado... Phillip Morris (Ewan McGregor pois claro!) Há  uma química instantânea  entre ambos que leva a uma relação desenfreadamente apaixonada, sendo inevitavelmente uma porção do filme dedicada ao estabelecimento e crescimento do seu amor, estando Russell disposto a tudo para a manter. Isso leva-o a fazer sistematicamente inúmeros planos, onde se faz passar por outras personalidades, etc etc. Coisas que não quero revelar.
Baseado numa história verídica (!), ficou nas mãos de Glenn Ficarra e John Requa, fazer uma adaptação do livro I Love You Phillip Morris: A True Story of Life, Love, and Prison Breaks de Steve McVicker.

Posso-vos dizer que o filme tem à volta de 45 minutos fortíssimos... o material é fresco, surpreendentemente divertido, com uma história interessante e dois actores (Carrey e McGregor) em muito bom plano. Os restantes 45 minutos apresentam-se a um bom nível, sempre com os nossos dois protagonistas a brilhar de forma surpreendente.
Jim Carrey já o tomava por bom actor, fora do contexto cómico com que se iniciou e se estabeleceu, e embora este papel tenha contornos virados para a comédia, não deixa de ser diferente do que estamos habituados a ver. Apresenta outra profundidade revestida na sensibilidade de um homem que vive um conjunto mentiras criadas por si mesmo, com pretensões de ser feliz, apenas para descobrir que só lhe trazem mais problemas.
McGregor, que é um actor no qual não tenho uma opinião vincadamente formulada (ainda não vi a sua grande obra-prima, Trainspotting, logo é natural que este não me tenha agarrado) acaba de subir na minha consideração. A sua personificação do romantismo no seu lado mais delicado e frágil é impressionante. Ingénuo, mas puro e apaixonado, Phillip Morris entrega-se ao homem que assume ser o amor da sua vida. Strong acting (mesmo)!

Uma conclusão que tirei sobre esta longa-metragem é que, ao contrário do que tenho lido/ouvido, o filme para mim não se trata tão só apenas sobre a homossexualidade e a relação amorosa entre as duas figuras centrais (motivo este que levou um casal a abandonar a sala de cinema quando apenas tinham decorrido os primeiros 10/15 minutos de filme). O filme oferece igualmente uma visão sobre a forma como os poderosos atingem patamares altos, graças à corrupção e manipulação. Identidades forjadas, resultados manipulados, manobras invasivas, esquemas esquemas e mais esquemas! Uma perspectiva que tanto tem de arcaica como contemporânea, pois podemos continuar a associar a algumas das pessoas com cargos de elevada importância espalhadas pelo mundo (falo de forma genérica por exemplo do mundo empresarial ou politico).

Either way, seja qual for a vossa interpretação do cerne da questão (que na minha opinião podem ser vários) não deixem de ver este filme! Recomendo!

Um comentário:

Filipe Tavares disse...

Não viste Transpotting??? Escândalo