sexta-feira, maio 28, 2010

Rock in Rio - 27.05.10 | Snow Patrol e Muse


Ontem marquei presença pela primeira vez este ano no Rock in Rio. Já não ia ao festival desde a sua primeira realização aqui em Portugal. Lembro-me que na altura fui para ver Sting, um dos cantores que sigo com grande entusiasmo desde o seu trabalho nos Police passando pela brilhante carreira a solo!
Não regressei porque nunca achei o cartaz assim tão irresistível ao ponto de me levar a gastar uma fortuna no bilhete. Tenho consciência de que houve concertos memoráveis (Bon Jovi parece ser exemplo disso), mas mesmo sendo o caso, não me arrependo de maneira alguma ter preterido de uma ida ao RiR.

Este ano o cenário era ligeiramente diferente. Embora continue a achar que cobram uma exurbitancia por um cartaz nada coerente, senti-me bastante tentado a ir ver John Mayer e Snow Patrol... dois dos meus favoritos. Visto que o dinheiro não dá para tudo, ainda por cima havendo concertos "à patada" um pouco por todo o país (Metallica, Grizzly Bear, Jamie Cullum, Santana, The XX, SuperBock/SuperRock, Optimus Alive!10, BB King, etc) o orçamento disponível tem de ser muito bem gerido. Foi então que decidi ir ontem ver Snow Patrol pelo simples facto de que além de ver a banda escocesa ao vivo, com quem tenho uma relação emocional muito afectiva, aproveitava também para conhecer melhor Muse, de que toda gente elogia tanto pelos trabalhos de estúdio como pelos magníficos concertos ao vivo. Por muito que goste de Mayer e o ache um tremendo guitarrista, não se justificam os 58 euros para um festival onde nem era o cabeça de cartaz (condicionando de imediato a sua performance). Ontem ainda teria visto os Sum 41 caso estes não tivessem cancelado na véspera, devido a um acidente do baterista. Não sendo uma banda que ouço assiduamente, não deixa de ser uma referencia do inicio da minha adolescência.

(Snow Patrol)

Tendo em conta o cancelamento da banda punk, não adiantava marcar presença no recinto muito antes das 22. Foi por volta das 21.30 que cheguei juntamente com um amigo e demos logo com alguma da nossa malta que estava lá para ver Muse. Foi apenas por insistência minha que nos deslocámos para o meio da multidão de forma a tentar nos aproximar do palco.

Pelo caminho, entram os Snow Patrol em acção com Open Your Eyes.


Acelerei o passo com um sorriso na cara, enquanto tentava agarrar na câmara para registar esse momento. Estava emocionado por dentro, embora tentasse não evidenciar isso. Grande maioria das músicas dos Snow Patrol apresentam uma grande simbologia para mim, visto que numa altura ou outra, ajudaram-me a passar uma determinada fase ou estavam associadas a alguém ou alguma coisa de elevada importância. Reconheço o teor lamechas, mas é daquelas coisas que não consigo evitar, nem quero! Em vez disso, aceito e abraço com força porque faz parte daquilo que eu sou. Sensivel, por vezes até demais, que se deixa mergulhar em músicas e num reportório todo ele semelhante ao registo que passa em séries como Grey's Anatomy (que sigo com interesse, como já muitos se aperceberam a certa altura aqui no blog). Enquanto a banda de Gary Lightbody executava com encanto e segurança a sua setlist, sistematicamente vinham memórias aliadas às mais diversas sensações de épocas boas, mas também más, que vivi nos ultimos anos. Lições de vida, dissabores e alegrias! Constato, mais uma vez, que Snow Patrol são de facto preponderantes naquilo que posso chamar a "banda-sonora da minha vida".

(setlist dos SP @ RiR)


Fui um feliz contemplado, pois a lista de músicas seleccionadas para ontem constavam à volta de 85% das minhas favoritas... quase como se fosse uma noite dedicada à minha pessoa! Valeu mesmo muito apena. Por entre as pequenas pausas e os momentos de interacção com o público, aproveitava esses breves instantes para assentar num espírito mais equilibrado, até porque a ideia era mesmo combater esse exagero de emoções provocado por músicas como Chocolate, Run, Make This Go On Forever, Crack The Shutters, Set The Fire to The Third Bar, esta última com uma convidada especial... a portuguesa Rita Red Shoes!









Com o fim do concerto a chegar com a popular Chasing Cars e You're All I Have, ficou a sensação de missão cumprida. Vi Snow Patrol ao vivo e adorei! Um marco na minha crescente lista de presenças em concertos...


Agora, para uma mudança de "cenário", depois de assimilado o conteúdo providenciado pelos SP, estava na altura para algo mais energético e mexido, servindo de oposto às letras românticas/pessoais/lamechas.

(Muse)

Infelizmente no que toca aos Muse, não tenho o conhecimento para vos dizer as músicas que mais gostei porque apenas sei o nome de duas. Posso dizer que entraram  logo "a abrir" e causaram  boa impressão!  Embora não estivesse nas minhas "sete quintas", como diz o outro, senti-me capaz de vibrar da mesma forma que um fã regular do grupo. Tentei reflectir na razão pelo qual nunca me dera ao trabalho de os conhecer, mas a música e o espectáculo em palco não me permitiam pensar na causa/motivo. Estava na presença de uma excelente banda, liderada por um super Matt Bellamy (mais um excelente guitarrista para juntar ao meu leque de referências)!
Senti em muitas ocasiões influências de Tom Morello (Rage Agains The Machine / Audioslave) na sonoridade dos riff's da guitarra, e em alguma melodias (instrumentais ou vocais) traços dos Queen! Mas os Muse parecem não ter um estilo próprio (é mesmo esse o "estilo" deles, parece), tal foram as variações efectuadas ao longo do concerto. Mas sabem-no fazer muito bem! Quando se varia em demasia, para géneros pouco uniformes é natural que as pessoas se venham a ressentir disso e estranhar... mas nada disso. Música envolvente... de uma magnitude impressionante! Fosse a partir a loiça na guitarra de frente para a coluna de som ou sentado no piano, fosse a cantar naquele pitch agudo que aparentemente é trademark do Bellamy (li algures que fazia recordar Jeff Buckley. Discordo, mas não deixa de ser bom)... na maravilhosa assistência do baixista Christopher Wolsthenholme ou no ritmo imposto pelo baterista Dominic Howard.

Não me surpreende nada ouvir por todo o lado que os Muse são um dos melhores live acts que anda aí!

Acabaram em grande estilo... com Knights of Cydonia!


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