segunda-feira, dezembro 14, 2009

Entre les Murs (2008)



Que prazer foi ver este filme de origem francesa chamado Entre Les Murs (2008), ou como também é conhecido, The Class. Baseado numa obra com o mesmo nome do autor François Bégaudeau, a história é inspirada na sua vida pessoal enquanto professor de liceu nos subúrbios de Paris, logo podemos dizer que se trata de uma obra semi-autobiográfico. A adaptação feita pelo realizador Laurent Cantet contou também com a colaboração do autor, que além de desempenhar tarefas relativamente à construção do guião, assumiu o papel do protagonista Monsieur Marin, professor de francês e director de turma.
Foi um filme que vi com imensa curiosidade por ter sido nomeado para um "Óscar" na categoria de "Melhor Filme Estrangeiro" e ter ganho a "Palma de Ouro" no Festival de Cannes, o que ajudou o filme em termos de divulgação, mas foi principalmente o tema abordado que me cativou logo desde o inicio.
Foram 128 minutos de filme no qual estive sempre entretido, apresentando-se sem quebras de qualidade da lnha narrativa ou lacunas noutros campos. Nem mesmo o elenco composto por pessoas sem formação de representação  foi visto como algum tipo de problema relativamente à qualidade desta longa-metragem. Posso inclusive dizer que talvez até tenha contribuído para a sua genuinidade, dado que no decorrer das cenas mais parece haver uma filmagem do acontecimento real do que um momento de representação.

Como ... desabafo digamos... houve algo que serviu de elo de ligação entre mim e esta obra. Vai parecer muito mal comparado porque são realidade distintas, mas a verdade é que foi inevitável rever alguns dos problemas em aula, nos meus tempos de estudante. O colégio onde estudava claramente apresenta outras condições, aliás, sendo privado é natural que haja logo muitas diferenças, no entanto enquanto o clima na turma representada no filme não intensificou, temos algumas semelhanças, nomeadamente no comportamento típico de crianças sem noção nenhuma que, na sua mais pura inocência, desrespeitam um sistema e os seus representantes. Desde à muito tempo que dou imenso valor à profissão de professor, especialmente aqueles que leccionam  alunos mais novos, mas isto numa realidade onde eu vivi. Mais valor passei a dar depois de ver o filme e relembrar que existem locais que apresentam outro tipo de obstáculos à educação e a aqueles que procuram ensinar! É de facto preciso muita paixão pelo seu trabalho, muita paciência, vontade e coragem para passarem conhecimento a uma juventude inquieta que muitas vezes não consegue ver o "grande quadro" nem reconhecer a importância dos seus tutores na sua formação académica e pessoal. Afinal de contas, para quem se deixe influenciar e tiver sorte, temos professores que exercem uma grande influência em vários campos da nossa vida. Eu considero-me um desses casos. Devo tudo aos que tanta paciência tiveram comigo ao longo dos anos. Não seria o que sou hoje, não fosse pela sua intervenção e dedicação a mim enquanto elemento isolado mas também à turma onde estava integrado. Foram alguns dos melhores anos da minha curta vida que certamente recordarei para sempre.
É essa a importância que um professor pode ter na nossa vida...



3 comentários:

Joaquim Quadros disse...

Não é um filme por aí além mas a mensagem, sim, não podia ser mais forte. Curti.

Joaquim Quadros disse...

Gostei do filme claro, não é um filme por aí além mas a mensagem, sim, não podia ser mais forte.

D.M disse...

eu digo-te Joaquim, curti mesmo largo do filme... foi uma cena que me cativou desde o inicio! Nunca perdi interesse. Achei uma história muito bem contada, bem representada e sem grandes recursos. Achei muito bem a transposição da realidade para a "tela".