segunda-feira, dezembro 28, 2009

"Elementar meu caro Watson..."




Primeiro quero começar por escrever (antes de fazer uma abordagem concreta ao filme) que foi um pesadelo para conseguir reservas para o Sherlock Holmes (2009). Nunca tive eu tantas dificuldades em conseguir um lugar decente numa sala de cinema. Com uma hora e meia de antecedência no dia 26 para a sessão das 21.30 quase que se riram na minha cara quando tentei comprar bilhetes. De seguida tentei no Beloura Shopping para a mesma hora e quando me deram a mesma resposta tentei a sessão da meia-noite. Já estava esgotadissimo. Dia 27... lição aprendida, portanto, vamos lá telefonar bastante mais cedo para tentar reservar lugares. Cascais Shopping mais uma vez LOTADO! Beloura Shopping... tinha lugares decentes! FINALMENTE! Fiz a reserva para a sessão das 21.30,o que implicava estar no local para levantar os bilhetes meia-hora antes. Enquanto não estava na hora decidi ir à Fnac comprar uns dvd's para fazer tempo. Entretanto combinamos todos encontrar-nos à mesma hora na Beloura para no caso de alguém se atrasar, termos mais alguém com a possibilidade de os levantar. Qual quê... atrasámos-nos todos, a reserva caiu e ficámos sem bilhetes. Sala esgotada outra vez! Irritado, deixei-me ficar pelo Cascais Shopping onde assegurei os bilhetes para a sessão da meia-noite. Enfim... não queria deixar passar mais um dia sem ver o detective mais famoso do mundo.

O filme têm vários pontos interessantes que despertavam em mim uma enorme curiosidade para o ver. Para começar, podemos deduzir logo desde o inicio que este será um trabalho completamente diferente do que Guy Ritchie nos habituou. Não via ali grande margem de manobra para termos uma história com repartição de protagonismo entre várias personagens, todas elas diferentes mas com um elo de ligação que acaba por se identificar como o núcleo duro do filme. Reparem que grande maioria dos seus trabalhos (ex: Lock Stock and Two Smoking Barrels; Snatch; RockNRolla) têm o mesmo formato. O trailer demonstra um filme com bastante acção e com um Sherlock Holmes diferente da visão que o habitual português costuma ter. Não é o cavalheiro tipicamente britânico, de chapéuzinho de caça, sobretudo bege, cachimbo na boca e lupa na mão que visualizamos na nossa cabeça. Nada disso! Este Sherlock Holmes é aquele que é retratado nos livros, um herói cheio de virtudes e defeitos. Inteligência, grande poder de dedução e observação são algumas das suas maiores características mas não só. A sua capacidade e qualidade enquanto lutador está ao mais alto nível. Carismático, mulherengo, por vezes arrogante e com um excelente sentido de humor... definem Holmes como uma personagem altamente desenvolvida e interessante. Quem melhor que Robert Downey Jr. para o desempenhar ? É de facto mais um papel fantástico por parte deste magnifico actor, de que tanto gosto e acompanho. Watson, representado por Jude Law, também merece fortes elogios, embora não estando ao mesmo nível que Downey Jr. (ele é sem dúvida o grande centro das atenções). No entanto, a química estabelecida entre os dois é notável, sendo que podemos denotar que puxam um pelo outro. Rachel McAdams assenta bem no papel, mas no que toca à sua relação com Holmes, parece não haver ali grande chama. Intencional ou não, foi uma das coisas que não me saiu do cabeça. O ponto fraco para mim deste filme passa mesmo pelo vilão, o Lord Blackwood. Desempenhado pelo actor Mark Strong, achei que esta personagem estava lá apenas para cumprir um papel sem grande relevância que por mim foi encarado com grande indiferença. Não achei que desse algum contributo valioso ao filme e sinceramente achei que deveria estar um bocado mais à altura dos dois protagonistas. Enfim... é fácil para nós afirmar que o filme vive da dupla heróica (principalmente de Robert Downey Jr. - i can't stress this enough). Muitos dizem que a realização é um bocado exagerada, cheia de falhas e com um guião fraco. Discordo! Gostei bastante do plot e dos diálogos. São acessíveis, divertidos e fluidos. A acção e todos os seus componentes (explosões, perseguições, cenas de luta, etc.) acrescentam ao filme uma dinâmica muito positiva aliado ao factor entretenimento. Além disso, é muito engraçado vermos retratado uma cidade de Londres antes da sua ponte estar concluída bem como vermos mencionadas algumas "invenções" correntes dos nossos dias, quase implicadas como frutos da pesquisa do senhor Holmes.


2 comentários:

Morales disse...

Com grandes cenas de mocada, como só Guy Ritchie consegue, mas demasiado apalhaçado, o filme, na minha opinião.

D.M disse...

Um bocado... é verdade! Mas foi uma coisa que na altura me passou um pouco ao lado, até porque compreendi a necessidade de atingir todas as faixas etárias bem como fazer render o investimento feito no filme. O Guy Ritchie não está muito habituado a lidar com grandes orçamentos...