quinta-feira, março 11, 2010

A Serious Man (2009)




Um filme fantástico que vive da essência que faz dos irmãos Coen masters in their craft. De diálogos riquíssimos e personagens caricatas como é tão costume observar no mundo Cohenesco, temos nesta longa-metragem um trabalho que pode não agradar toda gente, mas deveria. Digo isto por reflexo do que se passou durante a visualização do filme com mais três amigos, onde dois deles passaram grande parte entre suspiros longos e enfadados, passando por comentários que denegriam A Serious Man de uma forma que ia para além da minha compreensão. É desagradável estar concentrado no ecrã e ter alguém sistematicamente nos nossos ouvidos sempre com comentários. Sentir que temos pessoas ao nosso lado que quase fazem questão de mostrar desagrado relativamente a uma obra que por acaso eu estava a apreciar bastante. É chato, mas enfim! Os gostos são sempre subjectivos (como tantas vezes refiro em alguns dos meus post's) e talvez nem seja de espantar, porque uma das pessoas nem gostou do No Country For Old Men (2007), um dos melhores filmes dos irmãos Coen, e até acusou (em jeito de comparação com A Serious Man) o filme de David Fincher, The Game (1997), de ser "monocórdico"! Different Strokes for different folks, como diz o outro...

Bem... mas continuando...

Narrativa (mega) interessante recheada de tópicos e questões pertinentes nas entrelinhas, que dão inicio logo com a abertura do filme. Iniciamos com um prólogo passado nos princípios do século XX em uma casa que aparenta estar inserida na comunidade judaica. Posto esta entrada, temos o título do filme que de seguida apresenta-nos a época onde a história se passa, mais precisamente 1967. Pouco a pouco são nos apresentadas as personagens que compõem a família que habita nos subúrbios, tendo por referencia a personagem principal, o Pai, Larry Gopnik. Desempenhado por Michael Stuhlbarg de uma forma que justifica todo o mérito credenciado pela audiência e critica, temos aqui o núcleo duro da narrativa pois toda a acção passa por este homem que tenta liderar por exemplo a sua família enquanto mostra à sua comunidade ser alguém que leva a sua vida segundo os princípios judaicos. Aqui temos instantaneamente algo pouco vulgar pois vemos (com algum desespero até) um homem "afundar-se" pela sua determinação em praticar o que é eticamente e moralmente correcto. Constantemente atarantado, frágil e "enfiado" em situações que criam dilemas e dúvidas tanto na religião como no seu "sistema", torna-se dificil tomar posição para que seja tomado em conta como "um homem sério". Não creio que em certo ponto tudo lhe corra mal, apenas o vejo como alguém que constantemente cede à pressão e vontade dos que lhe rodeiam complicando assim a sua vida em prol de satisfazer os outros. É muito engraçado ver como este complica o seu próprio quotidiano muito pelo seu excesso de fé (a meu ver... como quem diz: o que tiver de acontecer, acontece independentemente do curso das nossas acções).

Entre as várias personagens que compõem a história, onde desde já digo que o casting efectuado foi fantástico, recorrendo a muitos actores desconhecidos, há um que nos proporciona momentos hilariantes nesta "comédia social". Fred Melamed no papel de Sy Ableman é simplesmente hilariante sempre que entra em cena para contracenar com Stuhlbarg, no entanto, existem outras quantas personagens que merecem ser tomadas em conta pois acrescentam momentos de um humor subtil capaz de proporcionar grandes gargalhadas aos mais atentos.

Alguns dizem que este é o melhor trabalho dos irmãos Coen. Discordo! É muito dificil bater Barton Fink (1991), Fargo (1997), Big Lebowski (1998) e No Country for Old Men (2007), que são credenciados por mim como as suas melhores obras... mas é  provavelmente o consenso a que a critica chegou:  

Blending dark humor with profoundly personal themes, the Coen brothers deliver what might be their most mature -- if not their best -- film to date.

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