segunda-feira, janeiro 18, 2010

Globos de Ouro 2010




Ora bem! Não sei onde começar tanto é aquilo que tenho para dizer. Impressionante como ontem, durante a realização de mais uma gala dos Globos de Ouro (Golden Globes Awards 2010 para ser mais especifico) tentei convencer-me de que faria um pequeno comentário, sem grandes juízos de valores nem analises aos premiados, aos losers, etc. A verdade é que à medida que o programa desenrolava, encontrava sempre mais alguma coisa para comentar, estivesse eu contente e de acordo, ou contrariado e furioso pela tremenda injustiça que algumas atribuições do globo foram. Enfim, uma noite igual a tantas outras. Vencedores justos e injustos, umas quantas surpresas, discursos e homenagens...

Este prémio prestigia os que trabalham nas áreas de televisão e cinema, sendo que no que toca ao cinema certamente irá haver algumas diferenças relativamente aos Óscares, no entanto, fica já uma ideia do que podemos potencialmente esperar. Não esperem uma critica minuciosa a esmiuçar todo o evento. Levaria-me horas e para ser muito franco, há coisas que não me interessam assim tanto quanto isso. Ahhh e tomar em conta que não memorizei a ordem de entrega dos prémios...

Comecemos...

O seu anfitrião não poderia ser melhor. O sempre engraçado inglês, Ricky Gervais, esteve impecável nas pequenas bocas e na condução de uma sala ao riso fácil e leve em tempos tão escuros e difíceis. Foi regular e acima de tudo muito entertaining num programa que não é especializado nesse campo. Well done mate!

Mo'Nique abriu as hostes da noite com a recepção do globo para Melhor Actriz Secundária num Drama pela sua participação no filme Precious: Based on a Novel by Saphire (um dos vários trailers que disponibilizei no meu FB) com um discurso genuíno tocando todos os presentes no salão.

A fantástica Meryl Streep, que não poderia deixar de estar entre o lote de nomeadas, teve duas na mesma categoria (Melhor Actriz Principal numa Comédia/Musical) tendo ganho pelo filme Julie & Julia.
Sandra Bullock foi uma das felizes contempladas pelo seu papel em The Blind Side. Nunca fui grande fã aqui da Sandra. Sempre achei-a medíocre com apenas uma ou duas participações de valor no seu currículo, no entanto, confesso que fiquei contente só pela sua nomeação porque demonstra a influência que o papel certo aliado à dedicação ao longo dos anos pode ter  na carreira de alguém. Será certamente um desempenho a ter em conta para os Óscares.

Na categoria de Melhor Actor Secundário num Drama estava para mim o grande problema. Todos os actores nomeados constam na minha lista de favoritos. Tenho um especial apreço pelo Woody Harrelson, Stanley Tucci, e claro Matt Damon, que de certa fora retirei do meu leque de vencedores porque o seu papel no Invictus não me convenceu o suficiente para ter o mérito de levar um globo para casa. Harrelson on the other hand participa em The Messenger, um super filme e dada a sua qualidade evidente e o seu carisma desejava mesmo que fosse o vencedor nesta categoria. Mas o prémio já estava entregue desde o dia 20 de Maio de 2009, aquando da estreia do filme Inglorious Basterds de Quentin Tarantino. Christoph Waltz surpreendeu tudo e todos com a sua performance como Coronel Landa. Difícil de acreditar que este actor só agora despontou a sua carreira internacional depois de várias participações na televisão alemã e austríaca.

Um globo que adorei ver atribuído foi a Kevin Bacon pelo seu papel num filme feito para televisão chamado Taking Chance. É um actor de que gosto bastante com qualidades dignas de o levar ao pódio como foi ontem o caso.

Um dos momentos mais marcantes da noite de ontem foi a homenagem feita ao grande mestre do cinema, Martin Scorcese, por dois actores, seus protegidos, de gerações diferentes que derreteram-se em elogios ao que é um dos meus realizadores favoritos. Depois de uma montagem com alguns dos filmes mais marcantes da sua carreira, o globo foi entregue por Robert De Niro e Leonardo DiCaprio. Este prémio é emblemático e de grande peso nos globos de ouro dado a inscrição do nome de Cecil B. DeMille, personalidade lendária na indústria cinematográfica a que Marty Scorcese diz ter muito orgulho juntar-se. Na sua recepção o seu discurso foi fluido, carregado de conhecimento, reconhecimento para com a indústria e aqueles que fizeram para a preservar, desenvolver e enriquecer. Foi com muita humildade que subiu e desceu do palco sob uma chuva de aplausos sentidos para um dos melhores realizadores de todos os tempos.

Sem surpresas no melhor filme estrangeiro, vimos Das weisse Band - Eine deutsche Kindergeschichte de Michel Haneke ganhar o prémio, enquanto para Melhor Comédia/Musical era uma luta a dois entre: Hangover e (500) Days of Summer, tendo sido o primeiro a levar o prémio para casa. Sem muito a dizer, estou ciente da qualidade de ambos, logo qualquer um dos dois me parece justo sair como vencedor.

Houve o prémio para Melhor Actor Principal numa Comédia/Musical que foi entregue a Robert Downey Jr. pelo seu Sherlock Holmes.  Nada a dizer. De facto o seu papel está fantástico, com uma qualidade superior ao filme em si, não querendo dizer que este é mau, (bem pelo contrário) mas simplesmente Downey Jr. está acerrimamente num outro patamar. A sua entrada em palco e o seu discurso de aceitação foram recheadas de charme e humor muito apreciado pela audiência no evento. A nível pessoal apenas lamento que Gordon-Levitt não tenha ganho pelo seu (500) Days of Summer, aliás, o filme não foi contemplado com nenhum prémio (a concorrência era de peso).

Na categoria de Melhor Actor Principal num Drama, a concorrência era forte e eu para ser sincero depositei a minha confiança (por instinto) no Colin Firth pelo seu filme A Single Man de Tom Ford, mas foi Jeff Bridges o vencedor entre os male leading actors, que aquando da sua curta caminhada ao palco a plateia prestou-lhe uma grande homenagem. Não percebi se foi um gesto de reconhecimento para com a sua carreira, ou se de facto o seu papel no filme Crazy Heart não levanta qualquer tipo de dúvidas em relação à atribuição do globo de ouro. Enfim... esperar para ver!

Por último, guardei propositadamente as categoria de Melhor Realizador e Melhor Filme. Foi com alguma relutância que vi os prémios serem atribuídos a James Cameron e o seu filme Avatar, que sendo uma longa-metragem encarada como um marco cinematográfico pela sua inovação e criatividade, está longe de ser um óptimo filme. Não aceito que toda a parte visual e o trabalho depositado no desenvolvimento deste campo seja o suficiente para ser galardoado nestas categorias. Sendo este blog um espaço meu, intrínseco a opiniões e a influências exteriores, será escrito aquilo que eu bem entender... afinal de contas o espaço é meu! Revelo portanto aqui o meu descontentamento, afirmado que os que torceram e votaram para que o filme ganhasse os respectivos prémios, são completamente desvairados e obtusos, fáceis de encantar e cativar, com a utilização de state of the art tecnology para compensar pela verdadeira arte de film making. Não querendo levantar o debate relativo aos recursos tecnológicos a que hoje se tem acesso e a sua influencia no fabrico de longas-metragens, acho que neste caso vai para além desse aspecto. Um filme sem grande complexidade, sem grande história, sem representações fortes e carregado de clichés NUNCA pode ser contemplado da maneira que foi. Ainda para mais tendo filmes como o Hurt Locker, filme esse que foi de certa forma reconhecido pelo próprio Cameron quando subiu ao palco para receber o prémio. Foi com espanto e felicidade à mistura que confessou:

Frankly, I thought Kathryn (Bigelow) was gonna get this. But make no mistake, I'm very grateful. ...

Vá lá... ao menos isso! Para mim era evidente que o Hurt Locker seria o grande vencedor na noite, contrapondo o trabalho da ciência digital, que deve ser reconhecido, mas não desta maneira...



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