sábado, janeiro 30, 2010

O que eu sou... e aquilo que quero ser!

Esta "discussão" (se é que a podemos chamar assim) surgiu no meu subconsciente durante uma daquelas minhas tardes a papar séries, programa este que têm insurgindo como forma de poupar a minha cabeça a coisas muito intelectuais, mas que de facto até puxa por mim, por vezes até ao limite. 
Uma coisa que denoto é a facilidade nas pessoas de criarem relações de grande empatia com as personagens... muitas vezes até todas! Mas existem sempre aqueles que por uma razão ou outra nos são mais chegadas. Talvez porque encontramos grandes semelhanças na nossa forma de ser... de estar... de reagir... Eu tenho o meu lote de personagens e reparei que em algumas séries como Lost, Grey's Anatomy ou The O.C a minha preferência recai maioritariamente sob aquelas que  apresentam quase tantas virtudes como defeitos. Personagens carismáticas, de bom coração e por vezes até certo ponto ingénuas que cometem muitos erros ao longo do seu percurso... erros esses que porventura muitas vezes serão encarados pela audiência como mal intencionados e propositados. Tomemos como exemplo deste caso o Dr. Alex Karev (Grey's) ou John Locke (Lost)... duas das figuras com que mais simpatizo na televisão. Depois temos personagens como o Seth Cohen (O.C) que dentro das suas limitações tenta fazer o que é certo, porém, existe uma linha muito ténue entre ambos os campos quando se é novo, inexperiente e quando se têm demasiada coisa na cabeça para processar sem meios para tal. Com isto tudo, são cometidos erros infantis, quase idiotas que revelam em grande parte as verdadeiras fraquezas da personagem. No entanto, neste caso em concreto, dado a sua inocência e charme, acaba por se safar impune junto da audiência sem criar grandes mazelas na sua imagem central. São personagens como estas a que me ligo com maior facilidade. Porque? Por causa do seu potencial humano? Por achar que estando de fora conheço-os melhor que os seus amigos/colegas na respectiva série? Esperança num desfecho positivo na sua formação enquanto homem? Ou será porque intimamente, revejo-me nestas personagens pela junção dos meus mais que muitos defeitos, misturados com aquilo que acho também serem os meus pontos fortes?
Considero-me uma pessoa bem formada, com boas intenções e valores, fruto da educação que me foi dada pela minha família, bem como os anos passados ao lado de bons amigos/colegas/professores. Mas consequência dessa boa formação de que falo, vêm a capacidade de me conseguir avaliar, e embora não seja muito apurada, porque não é 100% imparcial, reconheço que tenho muito para crescer em diversos campos que me afectaram na minha vida pessoal/familiar e académica. Mas quero ser melhor. Quero mesmo! Acordo todos os dias a pensar que consigo ser melhor que ontem. Uma tarefa dificil... não porque esteja no ponto certo (porque se achasse então estaria-me a contradizer por completo), mas porque crescer, melhorar, EVOLUIR é um processo continuo que podemos multiplicar pelo infinito e ter uma ideia margem do que esperar no futuro. Por outras palavras, não há limites para chegarmos a esta estação de perfeição. Não há fim! E tal afirmação não deverá ser tomada em consideração como uma ideia pessimista mas antes pelo contrário... uma ideia recheada de optimismo que incute em nós a necessidade de conseguir crescer todos os dias e mesmo assim ter algo para atingir. A continuação de um desejo... um propósito! Entram neste campo as restantes personagens que adoro ver na televisão e que ambiciono ser mas que confesso estar longe de tal patamar. Um Sandy Cohen (The O.C), um Derek Shepard (Greys Anatomy) ou mesmo um Jack (Lost)... hmm.. talvez o Jack não, porque ele embora pessoa de valores e um líder por excelência,  têm de facto a cabeça muito atrofiada com tanto desenvolvimento macabro na sua vida. Enfim, posto este aparte aqui do Sr. Jack, a verdade é que são nas duas personagens que mencionei anteriormente (Sandy e Derek) que residem a minha esperança de conversão para um dia... E Não! Não falo de aparência, do seu estilo próprio ou do seu sucesso nas respectivas séries mas em atributos que qualquer homem deveria ambicionar. O querer ser um bom colega, um bom amigo, um bom marido e pai. Um homem generoso, simpático de um charme tremendo e de uma imensa facilidade em brincar mas também exigir respeito e atenção na devida altura. Um líder exímio e determinado. Alguém que lidera por exemplo e atrai "multidões" a seguir os seus passos porque é certo que podem confiar nele. Mas no meio de tantas qualidades, estão também os defeitos... que devem ser encarados com naturalidade porque fazem parte! É humano, é prova de que perfeição não existe e que tal objectivo só se torna mais próximo se conseguirmos ser exigentes connosco ao ponto de trabalhar para a nossa "transformação".

Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. (Lavoisier)

Não poderia estar mais de acordo com esta citação de Antoine-Laurent de Lavoisier porque encaixa que nem uma luva numa das ideias que aqui pretendo passar.
Independentemente do nosso background, das nossas influências e do contexto social onde vivemos nunca é tarde para mudar, porque nós enquanto seres humanos, não somos produtos acabados.

Acho portanto, que é válido da minha parte olhar para este tipo de personagens e elevar a minha fasquia! Ter uma fonte de inspiração, embora fictícia, que consiga providenciar e incutir alguma esperança na ideia de que existem pessoas como as que vejo na televisão. Na eminência de cada dia que passa me tornar "mais homem" com todas as responsabilidades que vem por acréscimo, sinto-me capacitado para "abraçar" o que a vida tem para me oferecer, sejam bons momentos ou desafios difíceis que se seguem pela frente. Todavia, sem grandes hipóteses de controlar o que ao me redor acontece, é urgente exercitar a capacidade de adaptação para melhor nos integrarmos e tirarmos proveito das situações. Pudera eu agir conforme o que se espera, dentro dos valores morais e éticos referenciados como universalmente correctos, sempre que algo acontece e que mexe connosco. Já fui muitas vezes testado e falhei. Não fui digno de um Derek e talvez nem de um impulsivo Alex Karev! Certamente que fico desiludido, mas não baixo os braços. Não sou de desistir principalmente quando sou o principal a beneficiar de uma mudança de rumo e também porque tenho a hipótese de dar de volta a tantos que me deram a mim para ser o que sou hoje, com mente posta naquilo que também quero ser!

2 comentários:

Vasco Cotovio disse...

Um grande amigo meu disse-me um dia "as pessoas não mudam, adaptam-se", e a interpretação que eu faço e que penso que era exactamente isso que ele queria dizer é a seguinte:

São pequenas coisas, pormenores, que se vão alterando ao longo da vida. É nos pequenos detalhes que crescemos e evoluímos, que embora parecendo insignificantes acabam por contribuir bastante para nos definir.

Apoio completamente essa demanda de crescimento e evolução, só nos faz bem. O mundo seria certamente um lugar melhor se todos fizéssemos essa introspecção.

No entanto, e como dizia esse meu grande amigo, "as pessoas não mudam", ou seja... não tentes mudar a tua essência, além de ser um esforço infrutífero, arrisco dizer que é desnecessário.

Um grande abraço meu amigo,
Continua a escrever!

Maria Pinto Elyseu disse...

Olá Duarte!
Vim aqui parar quase por acaso, li o texto de um só fôlego e percebo-te.
Ainda que não acredite na mudança das pessoas, acredito nas transformações paulatinas, muitas vezes impostas pela força da circunstância.

Eu transformei-me aquando do desastre, perdi o norte da vida, deixei de perceber o que andamos aqui a fazer, ainda pensei em perder tempo com questões de porquê, e porque não.
No fim, apercebi-me que só me restava aceitar, enfrentar as barreiras, encarar a recuperação de sorriso na cara, rir com as vitórias. Às vezes eram tão pequenas que mais ninguém percebia o que significavam para mim, e nesses dias, eu era mais e melhor.

Sempre me deitei querendo ser Mais e Melhor no dia seguinte. Ambicionei ser mais paciente e mais calma, e quando menos esperava, o carro caiu na ribanceira e eu tive que aprender o valor da paciência, da preserverança e da luta interior.

Agarrei-me a algumas personagens, aos modelos de pessoas que admiro, e sobretudo à minha luta desde que me lembro de ser gente:
Quando eu for grande quero ser assim!

Obrigada! Gostei de te ler e de me relembrar destas emoções emoções todas.

Um beijinho,
Maria

P.S.- aprendi nos campos de férias que Juntos Somos Mais e Melhores.