sábado, janeiro 15, 2011

James Dean (2001) - O Filme



Most of this film is based on fact ...
...  some was an educated guess ...

Os filmes não precisam de grandes orçamentos ou apoios dos melhores estúdios para serem bons... Exemplo disso são muitos dos filmes europeus, independentes ... ou filmes feitos para a televisão!

É o caso deste filme biográfico sobre James Dean, figura de culto no mundo do cinema, associado à rebeldia e ao cool...

De facto a sua vida era material digno de uma longa-metragem... Analisando o seu percurso, tínhamos elementos mais que suficientes para a concretização de uma obra capaz de agarrar a audiência. Independentemente disso, o seu nome sozinho faria bastante sucesso. A forma como este levara a sua vida, abraçando os vários sucessos mas também sobrevivendo a episódios trágicos foi determinante na sua formação. Obviamente saliento a sua infância como fase fulcral!

O seu crescimento fora marcado pela morte da sua mãe (quando tinha apenas 9 anos) e principalmente pela ausência do seu pai, talvez o maior pilar da sua débil formação para se tornar num jovem renegado e emocionalmente desequilibrado.
Mas reparem! Por muito irónico que seja, quer-me parecer que foi essa sua infância negligenciada que fez dele uma estrela. Todas as suas emoções eram resguardadas para que as suas fragilidades não fossem perceptíveis a outros,  contudo haviam alturas em que de tão abundante em sentimentos reprimidos, acabava por explodir, ficando incontrolável. 
Sabendo dessa sua condição, muitos dos realizadores e encenadores que trabalharam com Dean faziam proveito disso, para que desse corpo e alma às personagens que representava. Tomemos os exemplos de Cal de East of Eden (1955) ou Jim Stark em Rebel Without a Cause (1955). Ambas as personagens assentam no perfil que James Dean apresentava. Jovem, rebelde, problemático... muito disso derivado de complicações familiares ou amorosas.

O filme que aqui vos recomendo aborda tudo isto e muito mais. Tenta sintetizar os momentos chave da sua vida, desde a infância, passando pela a adolescência onde parte numa busca incessante à procura de se afirmar através da representação.

Acompanhamos também:

- Os  seus primeiros passos na vida de actor sob tutela de James Whitmore...
- Os seus primeiros castings...
- A amizade com Martin Landau...
- A sua afirmação primeiro através do teatro para depois lhe abrir as portas nos filmes, com Elia Kazan a apostar no seu talento...
- O envolvimento de Jack Warner (dono dos estúdios Warner Bros.)...

É evidente que nesta travessia é salientada a luta pelo reconhecimento do seu Pai, e claro, a sua morte.

Além de toda a parte pessoal em torno desta figura lendária, uma coisa que me provoca imenso interesse é  a época em questão...

Os anos 50 são alvo de contemplação por muitos, principalmente  pelas suas modas/tendências e pelos artistas que na altura faziam furor...
Sendo eu apreciador tanto de música como cinema, é impossível ignorar algumas das menções feitas no próprio filme como Marlon Brando, grande vedeta da época ou Charlie Parker, Miles Davis e Chet Baker, estrelas no panorama musical.

Relativamente à produção, este projecto estava previsto inicialmente para as grandes salas e sob a condução de Michael Mann em 1993, contudo passou de mão e mão até que o canal TNT (pertencente ao grupo Turner)  intercedeu para acabar com as "novelas" em torno deste making of e decidiu avançar com o formato televisivo.

Realizado por Mark Rydell (que também protagoniza o papel de Jack Warner), realizador em tempos nomeado para o filme On Golden Pond (1981), conta com James Franco no papel principal.



Pode-se dizer que melhor casting era impossível visto que Franco personifica na perfeição toda a essência Dean. É de facto espantosa a forma como se manifesta tão semelhantemente ao falecido actor com tamanha precisão nos seus maneirismos e estilo de representação (para não falar das semelhanças físicas), remetendo o espectador para um "mundo" onde Dean parecia estar vivo. Em poucas palavras: Franco é sublime!
Não percam este atestado ao seu talento, bem como a sumarização do legado do grande ícone que é James Dean.

Um comentário:

LuisFilipe disse...

Saiu em 2001? O James Franco está igual ao gajo, impressionante