domingo, abril 11, 2010

Deixa-me Dançar !


A noite de ontem estava carregada de expectativas bastante altas. Isto porque tocavam os Hadouken! no Gossip, e mais logo os OIOAI juntamente com Os Velhos no LX Factory. Infelizmente, por má gestão de tempo, acabei por abdicar da primeira parte do meu "programa das festas", tendo ficado por casa a ver o grande clássico da Liga Espanhola. Uma vez que o jogo acabou, já eu estava enterrado no conforto do sofá, tive de tomar iniciativa para sair de Cascais em direcção a Lisboa. Confesso que por meio minuto hesitei, mas a ansiedade de ver Os Velhos pela primeira vez ao vivo falou mais alto. Peguei no carro e como combinado fui buscar um amigo que se juntou a mim nesta travessia pela noite da capital. Pelo caminho dei a conhecer a esse meu amigo o tema "Era Moderna" para que este se torna-se de alguma forma mais familiarizado com que estaria prestes a ouvir. Ele retribuía com informação relativamente aos OIOAI, grupo  que já tivera oportunidade de ouvir em Évora, aquando da sua permanência por aquelas bandas para estudar. O grupo que para mim era uma incógnita, começou a levantar alguma curiosidade, até porque a pessoa que nos reencaminhou para esta noite no LX também tinha deixado muito boas referencias. Ao chegarmos ao local houve os habituais encontros (e reencontros) com amigos, que nos levaram a conhecer alguns dos músicos que iriam tocar nessa noite. Numa troca de opiniões que trouxeram uma perspectiva mais pessoal ao meio a que se dedicam (entre outras coisas), foi dificil para mim não mencionar o quão ansioso estava para finalmente puder ver Os Velhos em palco. Com o EP na ponta da língua e um estado de espírito, todo ele uniforme com a imagem da banda jovem/dinâmica/alegre, estava preparado para explodir na pista ao som de grandes malhas. Como tem vindo a ser habitual nestes eventos/concertos, houve os atrasos do costume, que para mim foram bem remediados pela música ambiente que passava aliado à continuação de momentos de socialização, com boa conversa e cerveja na mão. Entretanto, pouco a pouco, o espaço foi enchendo até um ponto onde chegou mesmo a "rebentar pelas costuras", o que estranhamente não me causou qualquer tipo de desconforto, mas antes contribuiu para o ambiente discreto, mas fantástico, que inicialmente se viria a instalar com os OIOAI, seguido depois com a explosão na entrada d'Os Velhos... 
Mas vamos por partes...
Os OIOAI entraram em cena e justificaram sem margem para dúvidas, o que de bom tinha ouvido sobre eles. Embora tivessem actuado perante um público que ainda se apresentava talvez um pouco reservado/tímido, com o decorrer do tempo sentiu-se uma onda crescente entre nós, provocando uma evolução do simples "abanar de cabeça" para os aplausos efusivos e os ocasionais berros. Talvez por falta de entrosamento com o seu trabalho não tenha existido uma química tão vincada como se viria a sentir mais tarde entre os músicos e a plateia. Obstante desse facto, deixo aqui aquilo que vou chamar "o meu selo de qualidade" a um grupo que ouvi pela primeira vez e ao vivo, num concerto onde me conquistaram pelo acréscimo de riqueza musical que me proporcionaram, dando seguimento ao meu percurso num mundo composto por bandas portuguesas. Após o fim da "primeira parte" foi concedido algum tempo para que a banda seguinte ocupa-se o palco. Durante esses breves minutos, mais um pouco de conversa e copos, numa "casa" que tinha atingido o seu pico máximo de população. Eu estava mais que surpreendido porque não  sendo eu um regular no LX Factory, fiquei sem saber se o que se estava a passar era habitual. Pensei para mim que tinha encontrado uma "mina de ouro". O ambiente era fantástico, a música doutro mundo e o espaço estava muito (mas mesmo muito) bem frequentado. Eu que não tinha uma noite divertida desde que chegara de Valência/Barcelona, sentia que estava a meio do que viria a ser uma das melhores noites que me recordo.
Entretanto, chegara o momento tão aguardado por mim. Os Velhos subiam ao palco e desde o primeiro tema que tocaram, incendiaram por completo o Rock Faktory que dançavam e cantavam com toda a energia que tinham. Não demorou muito para que dessem inicio ao caos com os "moches" e o crowd surfing, tudo feito com uma imensa alegria e boa disposição. Naturalmente houve pessoas que foram arrastadas nesse movimento, porém, reagiam sempre com um sorriso na cara, e por vezes, até acabavam por ceder e juntar-se à confusão. 
"Deixa-me Dançar", "Foi Assim Que as Coisas Ficaram" e o inevitável "Era Moderna" foram as malhas que mais contribuíram para o êxtase do público que do principio ao fim, não parou! Escusado será dizer que estava completamente louco na pista, contagiado pela (boa) música e pelas pessoas que me rodeavam.

Posto isto, após uma sucessão de concertos notórios pelo fogo que carregavam e pela sua entrega ímpar, seguiram-se os DJ's que encerraram com "chave de ouro" uma noite sem precedentes! Imaginem aquelas saídas onde predominam os clássicos de rock dos anos 70, 80 e 90... muito à semelhança do que a M80 nos habituou ao longo dos anos. Essas noites, na minha humilde opinião, destoam de forma positiva aquilo que podemos considerar a música convencional de discoteca (o que eu apelido de "martelinhos"). Sempre mexeu muito mais comigo porque além de poder cantar desalmadamente letras que sei "de cor e salteado", acredito que validam de forma acérrima o que é a elaboração de boa música traduzindo-se sem surpresa na sua intemporalidade em muitos dos casos. No entanto, ontem, pela primeira vez na minha vida, tive a oportunidade de dançar a noite toda ao som de alguns dos meus artistas favoritos indie, sendo a grande maioria de um registo mais rock em prol do indie pop ou até mesmo electrónico. Desde Vampire Weekend, Arctic Monkeys, Franz Ferdinand, MGMT, The Strokes, TV On The Radio, Bloc Party, LCD Soundsystem,  passando por alguns clássicos como London Calling dos The Clash (a quem prestei homenagem com a minha t-shirt) ou I Wanna Be Sedated dos Ramones, realizei que estava perante um duo de DJ's, apresentados como os StoryTellers, que oferecem música alternativa como forte hipótese de sessões musicais non-stop de cor, vida e juventude na pista de dança! Congratulo todos os intervenientes musicais desta noite impregnada de magia!

Quero também aqui deixar os meus parabéns à equipa responsável pela produção deste evento, (La Dolce Productions) a quem peço desde já (com alguma urgência) que façam algo semelhante num futuro bem próximo!

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